terça-feira, 10 de julho de 2018

Lançamento do livro "Alerta Premika! Risco online detetado" em Ponta Delgada

Notícia publicada no jornal Açores Magazine em 8 de julho de 2018.



Clique na imagem para aumentar.

Redes sociais. “A nossa saúde mental nunca esteve tão perturbada como agora”

WoeBot



Artigo de Ana Pimentel para o Observador, em 3 de julho de 2018.


Investigadora em psicologia em Stanford, Alison Darcy fundou a app que quer ajudar quem sofre de depressão ou ansiedade. Como? Pondo as pessoas a trocar mensagens com um robô que vale 34 milhões.

Alison Darcy fazia investigação em psicologia clínica, na Universidade de Stanford, nos EUA, quando teve a ideia de lançar o Woebot, um chatbot (sistema de inteligência artificial capaz de conversar com o utilizador) que se socorre da psicologia cognitiva comportamental para ajudar quem estiver a sofrer com uma depressão, perturbações de ansiedade ou a sentir-se sozinho. O Woebot é um pequeno robô amarelo que troca mensagens bem humoradas com o utilizador, durante cerca de dez minutos. Ao Observador, a investigadora garante que o objetivo não é substituir o contacto humano, antes pelo contrário, é incentivá-lo: a “cura para a solidão” está nas pessoas. Num mundo em que ainda há “um estigma enorme” sobre a saúde mental, nunca foi tão importante falar dela, explicou Alison. Porquê? Por causa das redes sociais. “A nossa vida é extraordinariamente barulhenta, há muitas coisas a pedirem a nossa atenção a toda a hora.”
Consciente de que “as pessoas nunca estiveram tão sozinhas como agora“, lançou o Woebot primeiro dentro do Facebook Messenger, em maio de 2017, mas disponibilizou-o entretanto na Apple Store e no Google Play, de forma gratuita (mas só por enquanto). Com um investimento de oito milhões de dólares, o Woebot está avaliado em 34 milhões (29 milhões de euros), tem utilizadores em 130 países e captou a atenção de meios como Forbes, Wired, Washington Post, Bloomberg, Inc. ou Business Insider. O modelo de negócio vai passar por cobrar uma subscrição mensal depois de um período de duas semanas de utilização gratuita. Apesar de conversar com o utilizador, o Woebot não chama assistência se o utilizador estiver em perigo nem alerta nenhum outro humano. A psicóloga explica que os utilizadores estão protegidos pelo anonimato.

“Não temos profissionais de saúde mental suficientes no mundo”
Como é que teve a ideia de lançar a Woebot? Porquê uma appdestas?Fiz investigação em psicologia clínica na Universidade de Stanford durante dez anos e, antes disso, fiz um doutoramento em Dublin, onde criei um programa de terapia comportamental para pessoas que estavam muito doentes. Isso fez-me perceber que precisamos de chegar às pessoas muito mais cedo, muito antes de chegar ao ponto em que elas precisam de ser hospitalizadas devido a problemas de saúde mental.

Quando diz doentes, refere-se a que tipo de doença? À depressão?Sim. O trabalho que estava a fazer para o meu doutoramento envolvia pacientes com anorexia nervosa crónica. Eram pessoas que estavam muito, muito doentes. São provavelmente a população mais doente entre nós. E depois, nos EUA, percebemos que de momento existe uma crise muito grande no mundo. Existem muitas, muitas pessoas com necessidade de apoio a nível mental e não há pessoas suficientes para fazerem face a essas necessidades. Não temos profissionais de saúde mental suficientes no mundo. Nos EUA, se falar com pessoas mais velhas que têm um diagnóstico de problema mental, percebo que, na verdade, elas nunca estiveram frente a frente com um profissional destes. E isto acontece no mundo ocidental, onde os serviços são relativamente mais acessíveis do que em sítios como África, Índia, China onde, para milhões e milhões de pessoas, estar com um profissional de saúde mental está completamente fora de questão — simplesmente não vai acontecer.

Como explica isso?  
Acredito que mais de metade da população do mundo ainda não tem acesso a cuidados médicos básicos. E, por isso, acho que há uma grande necessidade de desenvolvermos algo que seja escalável, de uma forma muito mais vasta e acessível. Isto foi um dos pontos de partida. O outro foi o facto de, nos últimos dez anos, terem surgido apps no mercado que não são assim tão eficientes. Não é que não sejam acessíveis, mas falta-lhes dar provas de que são mesmo eficientes. Quisemos criar uma empresa que tivesse um nível mais elevado de compromisso em matéria de resultados. Acho que as pessoas começaram a ficar mais céticas, no geral. Enquanto cientista senti a responsabilidade de entrar no mundo comercial e construir algo que pudesse ser adotado pelas pessoas de forma vasta.

Continue a ler AQUI.

terça-feira, 26 de junho de 2018

40 Usos de Telemóveis nas Salas de Aula

Unsplash

Artigo publicado no Blog GoConqr em 24 de fevereiro de 2015.

Ironias da vida. Depois de anos a lutar para evitar o uso de telemóveis nas salas de aula, as novas tendências educacionais apontam precisamente na direção oposta.
O telemóvel, tão utilizado hoje em dia em função de mensagens instantâneas como o WhatsApp, e redes sociais como o Facebook, pode no entanto ser, muito mais versátil e funcional no que diz respeito à educação.
Os defensores do uso de tecnologia na sala de aula – ExamTime incluído – sabem que o uso de dispositivos móveis mais vale como aliado aos estudos e ao aprendizado do que como substituto de métodos tradicionais de ensino.
O uso indiscriminado do telemóvel na sala de aula não é uma tendência, mas sim uma combinação com o método de ensino do professor para não apenas dinamizar a aula, mas principalmente diminuir ainda mais a distância entre professores e a nova geração tecnológica de estudantes. Por isso, para levar adiante o uso responsável do telemóvel por parte dos alunos, é fundamental estabelecer regras e limites.
ExamTime reuniu neste artigo um guia com os 40 usos de telemóveis nas salas de aula.

Revolução na Sala de Aula

  1. Consultar dados: provavelmente o mais comum de todos. Tanto alunos como professores podem consultar dados específicos que não sabem em segundos, o pode ser muito útil  durante a aula ou na hora de realizar trabalhos.
  2. Tirar fotos: um telemóvel pode ser usado como câmara fotográfica para assim ilustrar trabalhos e apresentações.
  3. Fazer vídeos: parecido ao anterior. Por exemplo, os telemóveis podem servir para gravar experimentos e incluí-los em trabalhos e projetos.
  4. Fazer testes: Este é provavelmente um dos usos mais interessantes e revolucionários do telemóvel na sala de aula. Os alunos agora podem usar os seus telemóveis para fazer testes rápidos e realizar quizzes criados anteriormente pelo professor. Desta maneira, o professor pode obter informações em tempo real sobre o conhecimento de seus alunos e a eficácia do seu ensino. Queres usar esta técnica? Descarrega agora a app de ExamTime.
  5. Ler notícias: Muitos professores frequentemente incluem artigos de notícias como parte do seu método de ensino (por exemploEconomia). O nosso telemóvel pode ajudar-nos a obter acesso a notícias e assuntos atuais na sala de aula em um instante.
  6. Dicionário:  uma infinidade de aplicações de dicionário que te permitem verificar o significado de uma palavra instantaneamente.
  7. Tradutor: novamente, o telemóvel pode ajudar com significado e explicação de uma palavra estrangeira, assim como a aplicação de dicionário.
  8. Calendário: não confundirás ou esquecerás mais das datas de exames ou quando deves entregar um projeto. Agora há aplicações que te permitem sincronizar calendários.
  9. Anotar ideias: A inspiração não vem sempre quando queremos. Por isso tenta usar o teu dispositivo móvel para tomar notas a qualquer momento.
  10. Ouvir música: há um tempo atrás falamos como a música pode ajudar com o estudoAlém disso, não precisas armazenar as tuas canções se usas serviços como o Spotify ou Soundcloud.
  11. Imagens: como bem sabesuma imagem vale mais que mil palavras. Por esta razão, em muitos casos, os alunos entendem conteúdo facilmente quando há uma imagem relacionada a uma explicação.
  12. Rever conteúdo: O telemóvel permite obter acesso a material de estudo e revê-lo antes de um exame. Nao te esqueças de registar em ExamTime e logo descarregar a app de ExamTime.      
  13. Como cronómetro/temporizador: aulas, exercícios e apresentações muitas vezes vêm com prazosPratica o gerenciamento de tempo usando o cronómetro do teu dispositivo móvel.
  14. Ler livros eletrónicos: muitas vezes é necessário utilizar livros e material de apoio para realizar trabalhos, especialmente na Universidade. Existem aplicações como o Kindle que podem ser usadas para ler livros e tomar notas de qualquer lugar.
  15. Gravador de Voz: com o telemóvel os alunos têm a possibilidade de gravar aulas para mais tarde consultá-las ou realizar trabalhos onde a inclusão de som é necessáriaNestes casos, lembra-te sempre de primeiro obter a permissão do professor.
  16. Descobrir recursos de estudo relacionados com a aula: entre outras funções, a App de ExamTimepermite pesquisar entre mais de um milhão e meio de recursos de estudo criados por utilizadores.
  17. Scanner de documentos: apesar de não oferecer a mesma qualidade que um scanner tradicional, a câmara de um telemóvel pode servir de scannerAlguns professores até mesmo apoiam a entrega de trabalhos em fotos (por exemplo, exercícios de matemática)
  18. Calculadora: existem inúmeras aplicações que permitem realizar todas as operações de umacalculadora científicaIsso ajuda a reduzir a quantidade de itens que os alunos levam nas suas mochilas.
  19. Editar vídeos: não só podes fazer vídeos de música, mas também podes editá-los, adicionar texto,filtros, efeitos e muito mais.
  20. Editar imagens: como com vídeoso mesmo pode ser feito com imagens.
  21. Publicar no blog da turma: estes blogs são uma prática cada vez mais comum. Com o telemóvel podes escrever e publicar artigos a qualquer momento.
  22. Acompanhar as visitas ao blog: a aplicação de Google Analytics permite analisar a evolução do blog educativo a qualquer momento.
  23. Fazer apresentações: em vez de andar sempre com um pen drive, podes guardar o material no teu móvel e conectá-lo diretamente ao projetor. Já experimentaste o “modo de visualização” dos Mapas Mentais de ExamTime?
  24. Controlo remoto: seja para mudar de um slide para outro durante uma apresentação ou para parar e reproduzir um vídeo, existem aplicações que permitem usar o telemóvel como um controlo remoto.
  25. Comunicar: a megafone é algo do passado. Se um aluno precisa de ir à Secretaria ou ao gabinete do diretor, pode comunicar-se com eles, por meio de uma mensagem de texto.
  26. Armazenar fórmulas: o telemóvel permite armazenar fórmulas matemáticas e tê-los sempre à mão.Além disso, existem aplicações específicas que já contêm centenas de fórmulas matemáticas de uso comumtudo o que precisas fazer é procurá-las.
  27. Controlar o barulho na sala de aula: o teu telemóvel pode servir de aparelho decibelímetro e indicar quando o nível de ruído está muito alto. Recompensa os alunos mantendo o ruído a um nível acordado. Aplicação recomendada: Too Noisy
  28. Atualizações: Remind é uma app desenhada para enviar notificações a pais e/ou alunos sem necessidade de saber os seus números de telefone. Isto significa que as fronteiras entre a vida privada e a da sala de aula podem ser mantidas sem que a comunicação seja prejudicada.
  29. Localizar pontos no mapa: Durante a aula pode haver países ou cidades que os alunos desconhecem. Aplicações como o Google Maps podem ajudar-nos a localizá-los especialmente em classes de História e Geografia.
  30. Tweetar: o Twitter é uma rede social que tem muitos usos educativos. O nosso telemóvel é provavelmente a melhor maneira de obter acesso a ela para ler e escrever tweets. 
  31. Estudar vocabulário: na aula de inglês (ou outras línguas), a aprendizagem de vocabulário desempenha uma parte fundamental da língua, a que muitas vezes os alunos não prestam a atenção que deveriam. Nesse sentido, os Flashcards são um dos recursos que proporcionam melhores resultados e a visualização usando um móvel é simples e conveniente.
  32. Marcar presença: existem inúmeras aplicações que podem ajudar a manter o controlo sobre a presença dos alunos na sala de aula usando apenas um telemóvel.
  33. Avaliar o desempenho de alunos: os telemóveis podem ser usados para monitorar e manter o controlo sobre as notas de cada aluno em exames ou testes. Assim, os professores têm acesso a um aluno em particular a qualquer momento caso seja necessário e podem ver se esse aluno está a progredir.
  34. Relógio: estudos mostram que mais pessoas usam o seu móvel para consultar as horas invés de um relógio de pulso. Por que não verificar o tempo no teu dispositivo móvel também?
  35. Inspirar: a originalidade é uma das características mais desejadas num trabalho ou projeto. O móvel fornece uma janela para o mundo onde qualquer tópico pode ser investigado e novas ideias adquiridas.
  36. Compartilhar anotações: muitos professores costumam distribuir o material no início ou no final da aulaEm vez de perder tempo com fotocópias, o teu dispositivo móvel permite executar esta função facilmente. Mais uma vez, App de ExamTime pode ajudar com isso!
  37. Quadro branco: enquanto a maioria das aplicações que servem de quadro branco são otimizados para tablets, há algumas que podem ser utilizadas a partir do telemóvel e permitem projetar tudo o que desenhas.
  38. Clima: para aqueles professores que gostam de passar a aula ao ar livre, apps meteorológicas podemser muito úteis para a previsão de tempoEssas aplicações também podem ser usadas em aulas para especificamente explicar as condições climáticas em outras regiões / países
  39. Medir a produtividade: existem aplicações, como Time Recording Pro, que permitem medir o tempo dedicado a uma tarefa em particular. Isto pode ser muito útil para professores e alunos ao ter que realizar um projeto dividido em várias fases.
  40. Jogar: muito se tem falado da gamificação do processo educativo, ou seja, a necessidade de transformar a aprendizagem em um jogo tanto quanto possível. Há literalmente centenas de aplicações educacionais que podem tornar o aprendizado mais fácil e agradável para os estudantes.

Estes 40 usos de telemóveis nas salas de aula são apenas uma pequena amostra das possibilidades que um telemóvel pode proporcionar.  processo de ensino e aprendizagem pode ser enriquecida se estas ideias forem adotadas. 

Viciado no Facebook? A rede social pode ter a solução para o seu problema



Artigo de Pedro Simões para o Pplware, em 23 de junho de 2018.

É um dado adquirido que o Facebook quer que os seus utilizadores estejam o máximo de tempo dentro da rede social. Só desta forma consegue garantir que a utilização e as publicações são maximizadas.

Claro que muitos consideram que esta constante presença pode ser já um vício e que deve ser tratada. O Facebook parece ter consciência desta situação e está já a trabalhar para resolver o problema.

A maioria dos utilizadores do Facebook, e de outras redes sociais, abusam do tempo que passam dentro destes mundos virtuais. É um constante fluxo de informação que muitos procuram aproveitar ao máximo e assim manterem-se atualizados.

Mas ao fim de algum tempo esta sede de informação acaba por ser viciante e existe uma constante procura por mais. Estas são situações anormais e que o Facebook quer eliminar, estando já a trabalhar nas ferramentas necessárias para isso.

Foi descoberto na versão de testes da app do Facebook para Android uma nova funcionalidade, que irá mostrar ao utilizador o tempo que estes têm passado dentro da rede social.

A funcionalidade “Your Time on Facebook” irá mostrar aos utilizadores o tempo que estes passaram dentro da rede social nos últimos 7 dias, bem como o tempo médio por dia que foi passado dentro da app.

Claro que esta informação é útil, mas o Facebook irá também permitir que sejam criados alertas para notificar os utilizadores sempre que determinados limites de tempo sejam ultrapassados.

Esta recente preocupação com o tempo passado tem estado a ser alargada no mundo dos dispositivos móveis. A Google abriu o caminho com o Android P e a Apple seguiu-o com o iOS 12. Ao mesmo tempo as próprias app começaram a alertar os utilizadores e o Facebook parece ser o próximo a estar presente neste campo.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Falso namoro no Facebook acaba em chantagem sexual

Photo by Tim Bennett on Unsplash


Artigo de Alexandre Panda para o Jornal de Notícias, em 9 de Junho de 2018.
Carente e sozinha, envolveu-se virtualmente com um desconhecido, através da rede social Facebook e aceitou enviar-lhe fotos íntimas. Acabou por ser chantageada, mas a Polícia Judiciária da Madeira conseguiu prender, em flagrante delito, o indivíduo, de 23 anos, que exigia várias centenas de euros à mulher para não divulgar publicamente as fotos.
O caso iniciou-se há cerca de um mês, quando a mulher aceitou o pedido de amizade do homem, que tinha criado um perfil falso, com nome e fotografias alheios. Nascia assim uma amizade virtual, com muita conversa e partilha de opiniões sobre a vida. Tudo parecia ser real.
Para a vítima, de 30 anos, o homem parecia ser gentil, compreensivo, atento e presente. Esqueceu-se que, através de um nome e de uma fotografia de uma rede social, pode esconder-se todo o tipo de pessoas.
O relacionamento tornou-se tão "intenso", que a mulher acreditou na suposta sinceridade do indivíduo. As conversas de Facebook podiam passar a ser um verdadeiro namoro, genuíno.
Só que o objetivo do homem era outro. Conseguiu convencê-la a despir-se e mandar-lhe fotos nua, nas quais era facilmente identificável.
Quando já tinha fotos suficientes revelou à vítima a sua real face. Exigiu-lhe várias centenas de euros para não as divulgar.
Perante a ameaça da vergonha e de ver lesada a sua reputação, a mulher disse ao indivíduo que iria pagar. Mas, ao mesmo tempo, foi à Polícia Judiciária do Funchal contar tudo.
Os inspetores prepararam então uma operação para deter o indivíduo em flagrante delito, quando este iria receber o dinheiro. Marcaram um encontro na zona de Câmara de Lobos, onde a vítima se deslocou à hora prevista. Apareceu o "namorado virtual" que, mal se dirigiu à vítima, foi abordado pelos inspetores.
Foi quinta-feira levado para o tribunal que o obrigou a seguir um tratamento psiquiátrico e a apresentar-se periodicamente às autoridades.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Entrevista a uma hacker: “O envio de fotos íntimas é sempre inseguro”

Photo by Jay Wennington on Unsplash



"Ana Santos é uma hacker profissional e vive a testar sistemas de segurança. Leia uma entrevista que deve deixar-nos alerta. E preocupados.

O uso de fita adesiva nas câmaras dos portáteis é justificado, em 2018 já não se admite que as palavras-chaves sejam básicas e simples de adivinhar, e são cada vez mais os riscos associados à falta de proteção no meio online. Quem o diz é Ana Santos, 28 anos, natural de Lousada, mas que reside agora em Lisboa a trabalhar na área da segurança informática.

Ana é uma hacker ética e grande parte do seu trabalho passa por monitorizar a infraestrutura informática da empresa onde está empregada, onde também aposta em medidas de prevenção contra possíveis ataques ou vulnerabilidades. À MAGG não só respondeu a 21 perguntas acerca do seu trabalho, como também contou como foi singrar num meio tipicamente masculino. E revelou ainda qual é a forma mais frequentemente utilizada para roubo de informação pessoal.

(...)

Qual é a forma mais usada para roubo de informação?
A engenharia social, que dita que o elemento mais vulnerável de qualquer sistema de segurança é o ser humano. Precisamente porque possui traços comportamentais e psicológicos que o torna suscetível a ser vítima de um ataque informático. O simples facto de ir na rua e alguém lhe pedir os seus dados para uma promoção fantástica onde é possível vir a ganhar não sei o quê, é uma forma muito simples de um ataque à base de engenharia social.

A partir do momento em que fornece aqueles dados, a sua segurança e privacidade está automaticamente posta em causa já que perdeu o controlo total acerca da forma como aquela informação poderá vir a ser utilizada no futuro.

Lembro-me que quando me encontrou no Facebook, disse-me que nunca se devia colocar o local de trabalho visível no perfil. Porquê?
Costumo fazer sempre uma espécie de jogo nas formações que dou. Olho para a lista de presenças, vejo os nomes de todos os presentes e vou ao Facebook procurar por eles. Além dos nomes, procuro também pelo nome da empresa onde estão empregados e facilmente os encontro. Depois é só uma questão de confirmar os dados através de outras redes sociais — como o LinkedIn — e como é óbvio a informação está lá toda o que me permite ficar a saber tudo acerca daquele indivíduo que, há coisa de cinco minutos, não fazia ideia quem era.

Mas como é que essa informação é usada em engenharia social?
Imagine que faço um levantamento exaustivo sobre si. Sei onde passou férias e onde trabalha. Dirijo-me à sua empresa com um cartão falso de funcionário e digo que sou nova na empresa. Geralmente todos aproveitam o tempo de pausa para ir almoçar ou para vir fumar um cigarro cá fora e eu faço uso disso para meter conversa consigo. Digo que sou nova na empresa e estamos durante um bocadinho a falar. Eu finjo que não sei nada sobre si e a conversa flui livremente, até que chega à hora de entrar no edifício e eu não consigo — já que o meu cartão não é real.

O segurança, por ver que tenho um cartão exatamente igual ao de outros funcionários, abre a porta — numa empresa com dezenas de pessoas é muito improvável que seja capaz de memorizar caras. Depois é uma questão de chegar ao departamento onde me desejo infiltrar, e é tão fácil como pedir indicações. Ninguém vai desconfiar ou negar a entrada, precisamente porque sou nova na empresa e fiz uso de toda a informação que descobri previamente sobre si para conseguir passar da porta da entrada.

Acha que as pessoas subestimam os perigos da falta de segurança nas redes sociais?
Sim, são cada vez mais os casos de rapto ou desaparecimento de miúdos porque foram criados perfis falsos de Facebook para atrair crianças através do mais variados pretextos.

Há informação suficiente acerca dos perigos?
Não há informação suficiente e as pessoas não estão formadas. Além de darem a sua segurança como garantida, não fazem o mínimo esforço para camuflar um bocadinho das suas vidas privadas. Parece que não há filtro e tudo de domínio público, o pior é que há muita gente que faz vida do uso indevido dessa informação.

Quão inseguro é o sexting e o envio de fotografias íntimas?
O envio de fotos íntimas é sempre inseguro. Nunca se sabe quem é que vai conseguir entrar no computador ou no telemóvel ou, pior, o que vai acontecer a essas fotografias depois de enviadas. É um bocadinho o que acontece com a instalação de aplicações no telemóvel. São muitas as pessoas que, ao instalar uma determinada app, não questionam tudo aquilo a que passa a ter acesso.

Porque é que uma simples aplicação de efeitos de fotografias, por exemplo, tem de ter acesso à câmara, ao microfone e aos contactos do telemóvel? Quase ninguém se questiona e aceitam simplesmente tudo o que lhes é apresentado.

O armazenamento na nuvem é seguro?
Não quero desenvolver muito porque ainda é um tema que causa muita discordância entre muitos dos profissionais da área. Eu, pessoalmente, fujo sempre de alguns dos serviços mais conhecidos e usados — como a Dropbox ou a Google Drive — e ainda sou daquelas pessoas que usam discos rígidos para guardar toda a informação pessoal. A cloud ainda não me convenceu porque na verdade nunca sabemos bem onde é que os nossos dados estão guardados e quem é que pode ter acesso a eles.

E os serviços que dizem encriptar as nossas mensagens e torná-las privadas? É mesmo assim?
Creio que para nós, que trabalhamos na área, é difícil confiar a 100% no que nos dizem. Por vezes só o fazemos quando existe um certificado que dita que aquele serviço é totalmente seguro, mas também não podemos viver num mundo à parte. Pessoalmente, gosto muito de usar o WhatsApp, que foi um dos serviços a encriptar as mensagens enviadas e recebidas entre utilizadores — o que significa que supostamente estão livres de olhos alheios.

No entanto, o serviço foi comprado pelo Facebook… e não sei bem até que ponto é que nos estão a dizer toda a verdade.

(...)

Qual é a melhor forma de preservar a segurança de alguém online?
Uma vez li uma frase que dizia qualquer coisa como: “Se não é capaz de estampar uma t-shirt com aquilo que está a pensar, porque haveria de o publicar em plataformas online?” Acho que é um bocadinho por aí.

(...)

O utilizador continua a ser o maior obstáculo à sua segurança?
Sim, e é por isso que, para mim, é essencial formar pessoas. Quanto mais informação houver, mais seguras as pessoas vão estar. Já o disse e volto a repetir: muitas das pessoas dão a sua segurança como garantida. Não sabem quando foi o último grande ataque informático e nem questionam se podem ou não ter um vírus instalado no computador. Simplesmente assumem que não e não se preocupam mais com isso.

Qual é a melhor password?
Não há uma password ideal, mas aquelas que demoram mais tempo a descobrir são as melhores. Há várias formas para criar uma palavra-passe forte, como escrever uma frase e alternar entre números, caracteres especiais — como parêntesis, arrobas ou pontos de exclamação — e colocar as letras em caixa alta e caixa baixa. Tudo o que seja mais difícil de descobrir é suficiente. E qualquer coisa é melhor do que a típica chave “123456”.

Ainda faz sentido meter fita adesiva na câmara da portátil?
Sim, sem dúvida. Eu uso e não me arrependo. É muito fácil ser estabelecido um acesso indevido às câmaras dos computadores e muitas vezes as luzes das câmaras não são acionadas para que o utilizador não desconfie. Desde usar fita adesiva ou aquelas tampas que colam ao ecrã, tudo serve.

Caso contrário, costumo sempre dizer às pessoas com quem falo para não irem para a casa de banho ou se despirem em frente ao computador. Tudo por uma questão de privacidade. Não custa nada prevenir".

Excerto de entrevista por Fábio Marins para MAGG, em 2 de junho de 2018.