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terça-feira, 2 de abril de 2019

Sabe o que o seu filho, tipo, anda a ver, tipo, no YouTube?

"Preferias comer cocó com sabor a chocolate ou comer chocolate com sabor a cocó?"


Publicado na Sábado em 31 de março de 2019.


Para ler o artigo na íntegra, clique AQUI.

Estamos a passar os dez minutos de um vídeo de SirKazzio, o youtuber português com mais seguidores (uns impressionantes 5,1 milhões – muitos são brasileiros). Quem faz a pergunta do cocó é David Carreira, cantor pop e filho de Tony Carreira, e os dois estão sentados num sofá em casa do youtuber. A ideia é tirar à vez uns papelinhos que estão numa caneca. Em cada papelinho estão perguntas como a do cocó e, para sorte de David Carreira, quem tem de responder é SirKazzio.
Para tornar a coisa ainda mais difícil, David Carreira diz que o chocolate, além de saber a cocó, deve também "cheirar a cocó", mas depois troca-se um pouco a falar, o que é motivo para uma boa risada, porque "entre cocó e chocolate, uma pessoa fica baralhada...", e SirKazzio responde finalmente que prefere comer cocó com sabor a chocolate. "Mas tem cheiro a cocó", lembra David Carreira. "Tapo o nariz...", responde o outro.
Nos comentários ao vídeo (que tem como título Preferias Andar Nu Na Rua?! Com David Carreira), praticamente só se veem – a avaliar pelas fotos de perfil – crianças e adolescentes, muitos ainda com dificuldades a Língua Portuguesa (exemplo: "És só tu que eu ouso as tuas musicas").

É um fenómeno transversal a estes canais de YouTube, quase tanto como a aparição do próprio David Carreira neles. Só em 2018, e de forma involuntária e inesperada, encontrámo-lo em 14 vídeos de youtubers (incluindo dois brasileiros: Luiz Mariz e Gioh) - o que indicia uma estratégia de posicionamento do cantor de 27 anos no mercado escolar EB 2/3.

Ei-lo, por exemplo, em Na Cama com David Carreira (youtuber Helena Coelho), Em Madrid com o David Carreira e Lap Dance ao David Carreira (ambos com Olivia Ortiz), Entrei no Vídeoclipe do David Carreira (Angie Costa), O David Carreira Ensina Como Ficar Bem Nas Fotos (Beatriz Leonardo) ou Desafiei o David Carreira e Deu Nisto (Inês Ribeiro).

SirKazzio chama-se, na vida civil, Anthony Sousa. Tem 26 anos e o ligeiro sotaque advirá de ter nascido na Venezuela. O cabelo pintado de vermelho fluorescente segue as tendências deste target.

No essencial, do que foi possível ver, estes canais de maior sucesso assentam em quatro fórmulas:

1. Rubricas. Por exemplo, coisas que não sabe sobre. Ou vídeos engraçados do YouTube e vejam como eu reajo a vê-los. Ou perguntas de escolha obrigatória entre chocolate que sabe a cocó ou cocó que sabe a chocolate;
2. Jogos de computador;
3. Coisas que os adolescentes fazem quando estão juntos, como se estivessem em viagens de finalistas a Benidorm, mas tudo passado cá. Chamam-lhes trolladas.

A vertente 2, à primeira vista, parece a mais comum. É por isso que estes canais estão carregados de arrotos, puns, piretes, palavrões e aquilo a que chamam trolladas (as partidas que pregam uns aos outros).

São vídeos onde as pausas e as vírgulas continuam a existir, mas sobrevivem com três bengalas: o mano, o puto e o tipo. Exemplo: "Como é que é, puto, queres ir tipo lá a casa, tipo, jogar um jogo, mano?"
É um tique geracional. O youtuber RicFazeres – que só se dedica a jogos de computador à noite, de dia trabalha no Metropolitano de Lisboa – usa como bengalas velho e Zé. Não por acaso, está com 40 anos.

A vertente 3, a exposição da vida privada, pode causar alguma estranheza para quem não partilha desta ideologia de vida e de negócio.

Por exemplo, SirKazzio publicou a 9 de dezembro um vídeo intitulado O parto da nossa bebé - Emma. A mãe, acabada de o ser, aparece no quarto do hospital com a filha, acabada de nascer. Mas SirKazzio está furioso. O que queria mesmo publicar era o parto – que filmou, porque "vocês poderiam ver o nascimento dela e acho que seria uma cena linda" –, mas o YouTube não deve ter gostado de algum eventual conteúdo explícito e removeu as imagens.

SirKazzio estava triste, até porque, antes da remoção, o vídeo "estava a explodir em termos de visualizações e likes". Aparentemente, tudo isto parece apenas uma tontice, mas há um pouco mais do que isso.

A caça ao like e o Artigo 13
Uma das principais características destes canais de YouTube são os contínuos pedidos para os fãs porem likes, ou subscreverem o canal, ou fazerem comentários ou partilhas em todas as redes sociais que puderem e conseguirem.

É uma ladainha insistente em cada vídeo. A razão, que nunca é revelada nestes termos, é simples: os youtubers recebem dinheiro em função do tráfego online dos seus vídeos, como visualizações e likes. Quanto mais "envolvimento" o vídeo tiver, mais anúncios pode receber e mais caros eles podem ser.

Desde 2013 que é possível, em Portugal, ganhar dinheiro com publicidade no YouTube, e desde 2017 que é imposto um limite mínimo de 10 mil visualizações para um vídeo poder ter publicidade.

É comum ouvir um youtuber lançar desafios como "se na próxima meia hora eu tiver 1.000 likes faço isto ou aquilo". O que pode parecer um inocente pedido de apoio moral ou a promessa de uma nova brincadeira divertida – quem sabe mais uma trollada no mano que está agora na casa-de-banho a fazer cocó, puto –, mais não é do que alguém a fazer negócio.

Quando SirKazzio lamentou, desolado, a censura do YouTube ao parto da sua filha na altura em que o vídeo "estava a explodir em termos de visualizações e likes", lamentava-se provavelmente da perda de um bom negócio.
Veja-se como SirKazzio termina o vídeo do cocó com David Carreira: "Deixem o vosso like, não se esqueçam de partilhar o vídeo por todas as vossas redes sociais, que isso ajuda bastante, em qualquer rede social serve, até pelo WhatsApp, já sabem como é que funciona, é só partilharem o link para pessoas que não conheçam o canal, assim chegam sempre pessoas novas ao canal. E comentem muito."Por exemplo, no final deste vídeo o youtuber Wuant pede 150 mil likes e em troca faz "mais cenas destas".Dito de outro modo, por trás de um youtuber a fazer conteúdos patetas, está na verdade um profissional liberal a fazer pela vida.

Quando vários youtubers vieram há poucas semanas anunciar "o fim da Internet como a conhecemos", o fim do YouTube na Europa, mais o fim da liberdade de expressão e o fim da criatividade, etc, etc – tudo devido ao famigerado Artigo 13 aprovado no Parlamento Europeu, que pretende trazer para a Internet alguma da legalidade que existe na vida civil, neste caso sobre direitos de autor –, estavam na verdade a ver no horizonte o hipotético fim dos seus negócios. Em alguns casos o único meio de subsistência.

O famoso youtuber Wuant fez um vídeo (apocalipticamente intitulado O Meu Canal Vai Ser Apagado) para perguntar "se a nossa geração está preparada para sofrer uma cena assim? Nós não estamos prontos para lidar com o desaparecimento disto tudo. A nossa vida depende da Internet".
(...) trollada das mulheresA presença feminina neste campeonato é, regra geral, menos adepta da trollada e mais ligada aos cuidados de beleza e lifestyle. Uma das mais famosas é SofiaBBeauty (264 mil seguidores), que começou em 2012 com 12 anos. Hoje com 17 anos, mantém o seu canal civilizado e limpo de cocós. O sucesso arrasta-se ao Instagram (288 mil seguidores), com consequente apelo das marcas.

Mais próximo da trollada masculina estão as duas mulheres mais seguidas no YouTube em Portugal: Owhana (434 mil seguidores e SEA 3P0 (797 mil seguidores).
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quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Menino morre a realizar desafio do Youtube que incentiva jovens a sufocar-se

Photo by Carlos Arthur on Unsplash



Notícia publicada no jornal Correio da Manhã em 23 de outubro de 2018.



"Choking Challenge" nasceu na plataforma de vídeos e está a tornar-se um fenómeno perigoso entre as crianças dos EUA.

Carson Bodkins, um menino de 11 anos, morreu enquanto realizava o "choking challenge" ("desafio do sufoco" em português), uma nova prática perigosa e viral que nasceu no Youtube e que tem atingido várias crianças nos EUA. A notícia foi confirmada pela própria família do menino, que vivia em Elizabeth, no Colorado. 


Este "jogo", considerado perigoso para a comunidade infanto-juvenil, encoraja os jovens a sufocarem-se a si próprias até perderem os sentidos, e em último caso, a própria vida. 

O menino foi encontrado desfalecido deitado em cima da cama do quarto pela mãe, Tia, que revelou ao The Mirror que a criança se sufocou a si mesma. Agora, os pais da vítima querem alertar outros progenitores para os perigos da Internet e para a importância de prestar atenção aos sinais demonstrados pelos filhos. 

A mãe de Carson, devastada, explicou que naquele dia pensava que o filho estivesse a preparar a mala para uma viagem de família que iam fazer. Como este nunca mais descia, decidiu ir até ao quarto. Quando lá chegou já era tarde de mais: o menino já estava sem sentidos e a perder os sinais vitais. 

"O cérebro dele ficou muito tempo sem oxigénio, então ficou com danos irreversíveis (...) Ainda estamos em choque. Não compreendemos como isto aconteceu...o meu filho era cheio de vida. Era mesmo um bom ser humano", disse. Carson ainda foi levado para o hospital, onde acabou por morrer dias depois. 

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Instagram é a pior rede social para a saúde mental dos jovens

Photo by Erik Lucatero on Unsplash


Artigo publicado no site Sapotek, em 10 de abril de 2018.

Esta é uma das conclusões da pesquisa #StatusofMind, que indica que a aplicação tem um impacto negativo na imagem que os utilizadores têm de si. No entanto é uma boa influência em termos de auto-expressão e auto-identidade.

Perto de 1.500 jovens entre os 14 e os 24 anos analisaram e classificaram de que forma as redes sociais como o YouTube, Snapchat, Twitter, Facebook e Instagram os influenciam em questões como a ansiedade e a solidão.

E se o YouTube obteve a classificação mais positiva, seguido do Twitter, o Instagram ficou no fundo da tabela. Segundo o relatório da Royal Society for Public Health (RSPH), "as plataformas que deveriam ajudar os jovens a conectarem-se podem estar, na realidade, a alimentar uma crise de saúde mental".

Shirley Cramer, uma das responsáveis da RSPH, afirma as redes sociais têm sido descritas como mais viciantes do que cigarros e álcool e, estando tão enraizada na vida dos jovens, já não é possível “ignorá-las quando se fala dos problemas de saúde mental das pessoas”.

Através das plataformas como o Instagram e o Snapchat é fácil que a perspetiva da realidade se torne distorcida e a má classificação destas duas plataformas estará relacionada com o facto de ambas estarem muito focadas na imagem dos utilizadores, gerando sentimentos de inadequação e ansiedade nos jovens.

A socialização por trás de um ecrã também pode isolar de uma forma única e, com a primeira geração de utilizadores de redes sociais a chegar agora à idade adulta, o estudo defende que é importante criar bases para “minimizar os possíveis danos e moldar um futuro digital que seja saudável e próspero”.

"Como profissionais de saúde, devemos fazer todos os esforços para entender as expressões, os léxicos e os termos da cultura jovem moderna para melhor nos ligarmos e percebermos os seus pensamentos e sentimentos”, recomenda o relatório.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Os adolescentes multifunções, por Eduardo Sá

Texto de Eduardo Sá, publicado no seu blogue.

Photo by Erik Lucatero on Unsplash

Os adolescentes multifunções


Aliás, nada lhes resiste.

Eu acho graça - reconheço - aos “adolescentes multifunções”. Aqueles que só conseguem estudar enquanto ouvem música. Com “phones”, de preferência, para que a qualidade do som “bata” um pouco  melhor na cabeça. E que colocam o telemóvel numa espécie de espreguiçadeira, bem ao lado do manual sobre o qual se debruçam, e saltitam - vigilantes - entre um parágrafo e outro, e uma mensagem acabada de chegar (que, entretanto, se intrometeu entre o livro e o seu olhar). E param e respondem-lhe. E retomam o estudo. E param “por um minuto” mais, só para darem uma espreitadela no WhatsApp. E sublinham, logo a seguir, cheios de motivação e com primor, num tom berrante ou fluorescente, uma próxima frase. E param. Porque alguém através do Instagram, acaba de partilhar uma story divertida. E, à cautela, carregam no estudo e nos sublinhados e vão, logo a seguir, dos sublinhados aos resumos - geralmente, longos e minuciosos - para que não haja como um qualquer pormenor daquilo que se “estudou” lhes possa fugir. E param. Porque alguém lhes manda um toque e mensagem. E liga, a seguir, e cochicha, por breves segundos (porque aqui não há cedências quando se trabalha...), sobre uma coscuvilhice “fundamental” para a formação duma pessoa. E, depois de, primorosamente, elaborado - a duas cores! - sublinham quase todo o resumo. Mas, param, logo depois. Para trocarem de música. Ou para “darem um saltinho” até ao YouTube. Riem-se, como não podia deixar de ser, com uns tipos que “são uns palhaços”. Claro! Mas estudar cansa, não há como negá-lo. E param. Para lanchar. E para reporem a glicose e para respirarem. E para darem ao oxigénio um novo furor que ponha a cabeça a trabalhar. No entretanto, passam os dedos pelo telefone e sintonizam-se com uma série. E, ficam “agarrados” a ela. Mas vêem “só” um episódio. Só um. E os primeiros segundos aquele que vem a seguir, vá lá, depois da respectiva contagem decrescente, evidentemente. E, quando dão conta - upps!.... - reparam que não só já viram o segundo como, sem que percebam porque,  já vão a meio do terceiro. Mas porque uma pessoa é de partilhar, trocam “duas mensagens” sobre um dos protagonistas ou sobre a reviravolta, imprevisível até para os corações mais respaldados, na história, que os torna vibrantes e “remexidos”, por dentro. E voltam ao resumo. E trincam o pão que, entretanto, resistiu aos últimos desenvolvimentos da série, até porque o lanche tem um ritual que faz com que não consigam estar atentos a uma história, beber um gole de leite, trincar e mastigar. Tudo, mas tudo ao mesmo tempo. E olham para o relógio e (Oh!) Sao horas de ir ao ginásio. Deixam as coisas desarrumadas e o pão que sobrou, capitulado, junto ao copo, vazio, no chão, primorosamente aconchegado ao pé da mesa da sala. Para arrumar, evidentemente. Mas só mais tarde. Depois do Pilates. Entretanto, entre o Snapchat, o Spotify e mais meia dúzia de músicas, volta-se a casa. Fresco! E tem-se a mãe à espera, esganiçada, porque, entretanto, alguém “chutou para golo” na caneca do leite e o gato comeu o pão. E quando uma tarde de trabalho parecia perfeita e tinha, até, rendido, uma pessoa acaba a fantasiar que há mais menopausas precoces do que pode parecer. Entretanto, porque é mesmo assim, uma pessoa barrica-se no quarto. E, quando chega a hora do jantar, o clima já não é “só paz e amor”. E, para estragar tudo, há sempre um dos “suspeitos” do costume que, qual ingénuo, pergunta: “Olha lá, tu estudaste?...” E, quando chega a altura de se pespegar o resumo debaixo do nariz de um incauto dos pais, uma pessoa quase desfalece com tanta ira. E só murmura. E tudo fica  entre um “murro no estômago” e o indigesto. A,  seguir, sente-se quase obrigada, porque se “toca”, a um “recuo estratégico” até ao quarto (sem se passar, sequer, pelo sofá). E o “power” duma tarde de estudo quase parece perder todo o gás. Só por isso, claro - o que mais podia ser?... - quase como “uma coisa má” passa pela cabeça, aquilo que quase se podia jurar que estava aprendido parece “varrer-se” da cabeça e zás: quem é que sente motivação para o estudo depois duma coisa destas?... E assim, quando tudo dava a entender que a tarde de estudo tinha servido, também, para calar “algumas pessoas” e tinha sido para valer, chega-se, de uma maneira “aziada” e muito pouco na “descontra”, a um jeito meio desconsolado de terminar o dia. A vida, com tanto estudo  - há quem não creia... - é muito cansativa!

Alguns canais do Youtube bons para professores

Artigo publicado no site Educatorstechnology em 4 de abril de 2018.


Clique AQUI para aceder à lista de canais mencionados acima.



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