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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Leia o artigo "A influência familiar nas atividades digitais das crianças portuguesas"


Na Revista Científica Educação para o Desenvolvimento, n.º de julho de 2018, consta este artigo de Cristina Ponte, Teresa Castro e Susana Batista sobre a influência da família nas actividades online dos filhos.  Pela sua relevância, separámos este artigo para que o possa ler aqui. Clique nas imagens para aumentá-las.












quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Esta não é uma “notícia falsa”!






Notícias falsas, literacia mediática e outras “estórias”, no último dia da iniciativa “Sete Dias com os Media”, que está a dar mais competências às crianças e aos jovens para se moverem no mundo digital.

Em 30 de outubro de 1938 um programa de rádio provocava o pânico nos Estados Unidos da América. George Orson Welles, um jovem de 23 anos, transmitia uma dramatização radiofónica da novela Guerra dos Mundos, do escritor H. G. Wells. Antes, tinha avisado os ouvintes de que se tratava de uma adaptação da obra de ficção científica que relatava a invasão da Terra por extraterrestres. Apesar do aviso, quem apanhou a transmissão a meio, julgou-a verdadeira.


O episódio, recordado por Maria Emília Brederode dos Santos, presidente do Conselho Nacional de Educação, serviu de mote à discussão, com alunos do Ensino Básico e Secundário, sobre o que são as notícias falsas, conhecidas como fake news, na designação inglesa. O encontro, assinalava o fim da semana “Sete Dias com os Media” que todos os anos, na primeira semana de maio, incentiva escolas, professores, entidades públicas e privadas e todos os agentes educativos a promoverem ações de literacia mediática, ao nível nacional. Por isso, a antiga diretora da programação infantil da RTP fez também uma breve incursão pela história da relação dos públicos com os media: os meios de comunicação social.

Vamos por partes. Em 1957, surgia em Portugal a televisão. E, com ela, muitas incertezas sobre qual o seu impacto nos telespetadores. Receios, por exemplo, que “a pancadaria” dos filmes tivesse um efeito negativo sobre os jovens. Suspeitas de que as eleições presidenciais pudessem ser ganhas pelo candidato que na televisão passasse uma “imagem mais fresca”. A história chega à atualidade.

Com as redes sociais, os receios vão no sentido de perceber os contornos dos monopólios. Já não se fala nas preocupações com os efeitos da rádio e da televisão, onde se foram desenvolvendo regulamentos, “tendo em atenção a necessidade de não beliscar a liberdade de imprensa”, ressalva a presidente do CNE. Agora, o problema da relação com os media coloca-se de outra maneira, “mais complicada porque somos não só consumidores, como produtores”. Publicamos conteúdos na Internet, partilhamos informação e imagens.

Nesta nova realidade, como defender os direitos das pessoas à sua imagem, ao seu bom nome e, ao mesmo tempo, não censurar a liberdade de imprensa? Perante uma plateia de alunos, muitos deles envolvidos no projeto do Ministério da Educação “Líderes Digitais”, que também pretende sensibilizar os alunos para a forma como agem na Internet, Maria Emília Brederode dos Santos, defendia que a resposta passava pela existência de órgãos fiscalizadores, a responsabilização dos jornalistas, ou seja, os profissionais dos media e, claro está, a Educação para os Media. “Nas redes sociais não há regulamentos, não há profissionalismo, porque não somos todos jornalistas, então, é preciso mais sentido de responsabilidade da parte de quem produz e partilha informação.”

Mas estes jovens, que lotaram (porque havia gente de pé), no dia 9 de maio, uma sala da Biblioteca Municipal do Porto, numa tarde soalheira, e ouviram as “estórias” de Maria Emília Brederode dos Santos, aprendem que é preciso usar a Internet com consciência. Quem assume a responsabilidade de ser líder digital, sabe o que tem de fazer, como revelam dois alunos da Escola Básica 2.º e 3.º ciclos de Ílhavo. “Alertamos os nossos colegas sobre os perigos da Internet, mas também para o que ela tem de bom”, resume Maria Bastos, de 13 anos. Ao seu lado, Gabriel Marta, de 12 anos, completa a síntese da colega: “Deparamo-nos, muitas vezes, no dia a dia, com situações em que vemos os colegas irem a sites duvidosos e nós fazemos com que percebam, da melhor maneira, o que é fidedigno e o que não é bom para eles.”

Os alunos são “há muito tempo” utilizadores de redes sociais, como o Facebook, o Messenger, Whatsapp ou o  Instagram, mas é o primeiro ano em que participam no projeto “Líderes Digitais”. Até agora, aprenderam bastante: “Ainda não somos mestres”, ressalva Gabriel. “Mas em relação às fake news, por exemplo, sabemos perfeitamente analisar o que é verdadeiro ou falso e o que é interessante”, acrescenta Maria.

Lígia Azevedo, da Direção-Geral da Educação (DGE), acredita que os alunos portugueses estão a ficar mais competentes em matéria de literacia mediática. Com esse intuito, faz questão de recordar as várias iniciativas que a tutela tem desenvolvido, desde 2004, nesta área. E vai dando, como exemplos, desde o mais recente programa “Incode 2030”, aos “Desafios Segura Net”, ao projeto “Dadus” que, brevemente, será revitalizado, até acabar a lista com o programa “Líderes Digitais”.

“Até agora, foram abrangidos cerca de 400 a 500 mil alunos com esta iniciativa, existe um milhão de alunos, por isso, é uma amostra muito pequena. Mas existem outras vertentes, nomeadamente, estas questões estão integradas no currículo de TIC no 7.º e 8.º anos”, refere a responsável da DGE.

Elsa Maio, professora de Informática e de TIC que também acompanha os líderes digitais, garante que “os temas ligados à educação para os media são muito apelativos para os alunos”. Porquê? A resposta não poderia ser mais óbvia: “Porque abordam os interesses que eles têm para além da escola.” Que são: “As questões ligadas à segurança na Internet. Quando começo a abordar o tema, os alunos prestam muita atenção. Sentem que sabem alguma coisa, mas não estão suficientemente esclarecidos. Também têm os seus receios. E gostam de partilhar as experiências menos positivas e consequências que já sofreram”, responde a professora.

Inimigo do entusiasmo é mesmo o tempo curricular destinado à disciplina: 90 minutos, por semana, durante um semestre, ou 45 minutos semanais, durante o ano. “É insuficiente”, critica Elsa Maio, “não dá para abordar tudo aquilo que gostaríamos”.  Pior: “Também não dá, muitas vezes, para deixar os alunos participarem da forma como eles gostariam.”  

Se agora o tempo voa, o cenário poderá mudar. É, pelo menos, o que deixa antever Lígia Azevedo, da DGE: “Com o novo projeto de autonomia e flexibilidade curricular, as questões de educação para os media poderão ser trabalhadas de outra forma, não só na vertente da disciplina de TIC, no 7.º e 8.º anos, mas também na vertente da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento [a ser lecionada desde o 1.º ciclo até ao 12,º ano] que é transversal e obrigatória.”

Gabriel e Maria frequentam o 7.º ano. Contactam, por isso, com ensinamentos sobre o mundo digital e informático através das aulas de TIC (Tecnologias da Informação e da Comunicação). “Aprendemos coisas básicas, como a trabalhar com o Word e com o PowerPoint, mas que também são importantes”, resume Gabriel. Com o fim do semestre, lamentam ter de ficar à espera do 8.º ano para voltar a ter a disciplina.

No próximo ano letivo, gostariam de poder aprender mais sobre os fenómenos ligados à literacia mediática. “Se as aulas tivessem temas mais interessantes, como as fake news, os sites de phishing, era bom”, sugere Maria. O que não implica que se percam de vista os ensinamentos básicos, argumenta Gabriel: “Temos colegas que têm uma destreza fantástica para jogar jogos e estar nas redes sociais, mas a quem a professora de TIC, neste período, teve de ensinar a usar as letras maiúsculas.”   

Como detetar notícias falsas?

Voltamos ao tema do encontro, organizado pelo Grupo Informal sobre Literacia para os Media. Os líderes digitais do Agrupamento de Escolas de Ílhavo prepararam uma comunicação oral para a assistência sobre as fake news. Entendidas como notícias falsas publicadas na Internet com intenção de desinformar quem as lê. E que, se não são identificadas, vão sendo partilhadas por várias redes sociais. Recebem likes, são twittadas e partilhadas infinitamente. Até que, apesar de serem ficções, um grande número de pessoas começa a acreditar nelas. Um pouco como aconteceu aos ouvintes do programa de George Orson Welles.

Imagine-se o título: “Futebol passa a ser disciplina obrigatória”. Como saber se a notícia é ou não verdade? Os líderes digitais explicam o básico sobre como detetar a falsidade. “Antes de partilhar, convém ler além do título. As notícias falsas exageram nos adjetivos e, muitas vezes, estão cheias de erros ortográficos.” Recapitulando, é preciso não cair na tentação do título apelativo. Seria ótimo, para muitos, ter uma disciplina de futebol na escola. Mas é preciso duvidar do que se lê. E ver se o texto, que surge por baixo, vai ao encontro da informação expressa no título “sensacional”.

Depois, o leitor pode fazer uma verificação rápida para saber quem é o autor da notícia. Ver se existem comentários. Logo, confirmar a fonte, o endereço do site que a publica. O site pode até parecer oficial, mas se é português o mais frequente é terminar em PT. Caso termine noutro domínio é preciso manter as suspeitas.  

Passo seguinte. Se a notícia é mesmo importante – como seria esta de obrigar os alunos a pontapear bolas, durante o tempo letivo –  há que perceber se outros meios de comunicação, como os jornais, a televisão e a rádio, também abordam o assunto. Faz-se uma rápida pesquisa online. A maioria dos órgãos de comunicação têm presença na Internet, através de sites oficiais. Ninguém está a falar na notícia? Isso seria um sinal para estar alerta. Os factos a que se refere são atuais ou antigos? Quando se verifica a veracidade de uma notícia também é preciso ter atenção às datas. Outra hipótese é pensar se poderá ser uma piada? É dia 1 de abril? Não é. Então a verdade está apurada. Ter o futebol como disciplina obrigatória é mesmo uma notícia falsa!     

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Proibir o telemóvel na escola ou educar para a soberania de cada pessoa?

SAPO24


Artigo de Opinião de Francisco Sena Santos, em 27 de agosto de 2018, para o Sapo 24.


O novo ano escolar em França arranca com uma novidade que está a gerar grande discussão e irritações: a proibição do uso de telemóveis em escolas e colégios.

A interdição sobrepõe-se a regulamentos internos dos estabelecimentos de ensino, tem força de lei, aprovada no parlamento francês no passado 7 de junho, com os votos favoráveis da maioria absoluta do partido En Marche!, do presidente Macron, e o voto contra das oposições. A lei, com texto muito curto que se limita a impor a interdição, no entanto, não define como será garantida a aplicação desta interdição de uso de telemóveis “e outros recursos conectados” nas 51.000 escolas e 7.100 colégios de França, que têm 10 milhões de alunos. Um estudo mostra que quase todos esses estudantes têm telemóvel.

O telemóvel tornou-se uma extensão do corpo de cada pessoa. A função do aparelho como telefone é hoje quase secundária. O que conta é estar em permanência ligado aos outros, através de uma qualquer das redes sociais. Poder trocar mensagens, ver imagens e ouvir sons, músicas. Através do telemóvel, os tantos utilizadores dependentes estão numa espécie de praça pública permanente, com um teatro de exibições onde tudo pode acontecer; também estão numa sala de todo o tipo de jogos, para além de acederem a novas do mundo, as notícias verdadeiras e as mentiras disfarçadas de notícia. O ecrã do telemóvel também possibilita o acesso a um poço sem fim de saberes humanos armazenados na rede da internet.

É paradoxal que um lugar de promoção do culto do saber fique interdito ao recurso a uma ferramenta que dá acesso a tanto saber. É, porém, indiscutível que por toda a parte o uso do telemóvel é um fator de perturbação e um convite à desatenção sobre a matéria que está a ser ensinada. Cada alerta recebido no ecrã leva a um desvio na participação na aula.

Do ponto de vista pragmático, a interdição do telemóvel na escola talvez seja a medida mais fácil. Não será a opção mais eficaz nem a mais pedagógica.

Talvez seja preciso que entre as matérias trabalhadas na escola esteja o uso do telemóvel e o recurso aos ecrãs e ao teclado associado. A dependência do smartphone tende a tornar-se um problema de saúde pública. Quantas vezes em cada dia, do despertar ao voltar a adormecer, consulta o que aparece no seu ecrã? Estão estudados efeitos nefastos decorrentes da híper-conetividade, ou seja, da dependência de estar ligado ao que se passa no mundo que acontece no telemóvel. A quebra da capacidade de concentração é o efeito mais imediato. A perturbação pode ser mais complexa, com efeitos psicossociais e fragilidades depressivas.

Obviamente, na escola, o essencial é a transmissão de saberes e de modo de estar na vida em sociedade. O canal de distribuição desse saber não é o problema, o que importa é que funcione. Essencial é que a palavra, a troca de ideias, o espírito crítico, os saberes, sejam privilegiados.

A proibição do uso do telemóvel esconde a falta a um dever: o de educar os jovens para a utilização do telemóvel, o de promover o discernimento e a emancipação de cada pessoa, ensinando-a a libertar-se da poluição mental provocada pelo estado compulsivo de dependência do telemóvel.

Há que ter em conta que a economia deste tempo da web explora essas dependências. Trata de tentar “fazer-nos a cabeça”, propagando e inculcando os interesses de quem funciona como vendedor. Há que ponderar as escolhas a fazer e os caminhos a percorrer.

O que parece ser um ponto de partida a procurar é o que entende que mais relevante que proibir é que a escola cumpra com eficácia a promoção da soberania da pessoa que é cada aluno. Incluindo cultivar o gosto do silêncio como um tempo próprio.

Uma pergunta a fechar: quantos alertas para nova mensagem terá recebido enquanto tentou pensar nas questões em volta deste assunto?

terça-feira, 26 de junho de 2018

40 Usos de Telemóveis nas Salas de Aula

Unsplash

Artigo publicado no Blog GoConqr em 24 de fevereiro de 2015.

Ironias da vida. Depois de anos a lutar para evitar o uso de telemóveis nas salas de aula, as novas tendências educacionais apontam precisamente na direção oposta.
O telemóvel, tão utilizado hoje em dia em função de mensagens instantâneas como o WhatsApp, e redes sociais como o Facebook, pode no entanto ser, muito mais versátil e funcional no que diz respeito à educação.
Os defensores do uso de tecnologia na sala de aula – ExamTime incluído – sabem que o uso de dispositivos móveis mais vale como aliado aos estudos e ao aprendizado do que como substituto de métodos tradicionais de ensino.
O uso indiscriminado do telemóvel na sala de aula não é uma tendência, mas sim uma combinação com o método de ensino do professor para não apenas dinamizar a aula, mas principalmente diminuir ainda mais a distância entre professores e a nova geração tecnológica de estudantes. Por isso, para levar adiante o uso responsável do telemóvel por parte dos alunos, é fundamental estabelecer regras e limites.
ExamTime reuniu neste artigo um guia com os 40 usos de telemóveis nas salas de aula.

Revolução na Sala de Aula

  1. Consultar dados: provavelmente o mais comum de todos. Tanto alunos como professores podem consultar dados específicos que não sabem em segundos, o pode ser muito útil  durante a aula ou na hora de realizar trabalhos.
  2. Tirar fotos: um telemóvel pode ser usado como câmara fotográfica para assim ilustrar trabalhos e apresentações.
  3. Fazer vídeos: parecido ao anterior. Por exemplo, os telemóveis podem servir para gravar experimentos e incluí-los em trabalhos e projetos.
  4. Fazer testes: Este é provavelmente um dos usos mais interessantes e revolucionários do telemóvel na sala de aula. Os alunos agora podem usar os seus telemóveis para fazer testes rápidos e realizar quizzes criados anteriormente pelo professor. Desta maneira, o professor pode obter informações em tempo real sobre o conhecimento de seus alunos e a eficácia do seu ensino. Queres usar esta técnica? Descarrega agora a app de ExamTime.
  5. Ler notícias: Muitos professores frequentemente incluem artigos de notícias como parte do seu método de ensino (por exemploEconomia). O nosso telemóvel pode ajudar-nos a obter acesso a notícias e assuntos atuais na sala de aula em um instante.
  6. Dicionário:  uma infinidade de aplicações de dicionário que te permitem verificar o significado de uma palavra instantaneamente.
  7. Tradutor: novamente, o telemóvel pode ajudar com significado e explicação de uma palavra estrangeira, assim como a aplicação de dicionário.
  8. Calendário: não confundirás ou esquecerás mais das datas de exames ou quando deves entregar um projeto. Agora há aplicações que te permitem sincronizar calendários.
  9. Anotar ideias: A inspiração não vem sempre quando queremos. Por isso tenta usar o teu dispositivo móvel para tomar notas a qualquer momento.
  10. Ouvir música: há um tempo atrás falamos como a música pode ajudar com o estudoAlém disso, não precisas armazenar as tuas canções se usas serviços como o Spotify ou Soundcloud.
  11. Imagens: como bem sabesuma imagem vale mais que mil palavras. Por esta razão, em muitos casos, os alunos entendem conteúdo facilmente quando há uma imagem relacionada a uma explicação.
  12. Rever conteúdo: O telemóvel permite obter acesso a material de estudo e revê-lo antes de um exame. Nao te esqueças de registar em ExamTime e logo descarregar a app de ExamTime.      
  13. Como cronómetro/temporizador: aulas, exercícios e apresentações muitas vezes vêm com prazosPratica o gerenciamento de tempo usando o cronómetro do teu dispositivo móvel.
  14. Ler livros eletrónicos: muitas vezes é necessário utilizar livros e material de apoio para realizar trabalhos, especialmente na Universidade. Existem aplicações como o Kindle que podem ser usadas para ler livros e tomar notas de qualquer lugar.
  15. Gravador de Voz: com o telemóvel os alunos têm a possibilidade de gravar aulas para mais tarde consultá-las ou realizar trabalhos onde a inclusão de som é necessáriaNestes casos, lembra-te sempre de primeiro obter a permissão do professor.
  16. Descobrir recursos de estudo relacionados com a aula: entre outras funções, a App de ExamTimepermite pesquisar entre mais de um milhão e meio de recursos de estudo criados por utilizadores.
  17. Scanner de documentos: apesar de não oferecer a mesma qualidade que um scanner tradicional, a câmara de um telemóvel pode servir de scannerAlguns professores até mesmo apoiam a entrega de trabalhos em fotos (por exemplo, exercícios de matemática)
  18. Calculadora: existem inúmeras aplicações que permitem realizar todas as operações de umacalculadora científicaIsso ajuda a reduzir a quantidade de itens que os alunos levam nas suas mochilas.
  19. Editar vídeos: não só podes fazer vídeos de música, mas também podes editá-los, adicionar texto,filtros, efeitos e muito mais.
  20. Editar imagens: como com vídeoso mesmo pode ser feito com imagens.
  21. Publicar no blog da turma: estes blogs são uma prática cada vez mais comum. Com o telemóvel podes escrever e publicar artigos a qualquer momento.
  22. Acompanhar as visitas ao blog: a aplicação de Google Analytics permite analisar a evolução do blog educativo a qualquer momento.
  23. Fazer apresentações: em vez de andar sempre com um pen drive, podes guardar o material no teu móvel e conectá-lo diretamente ao projetor. Já experimentaste o “modo de visualização” dos Mapas Mentais de ExamTime?
  24. Controlo remoto: seja para mudar de um slide para outro durante uma apresentação ou para parar e reproduzir um vídeo, existem aplicações que permitem usar o telemóvel como um controlo remoto.
  25. Comunicar: a megafone é algo do passado. Se um aluno precisa de ir à Secretaria ou ao gabinete do diretor, pode comunicar-se com eles, por meio de uma mensagem de texto.
  26. Armazenar fórmulas: o telemóvel permite armazenar fórmulas matemáticas e tê-los sempre à mão.Além disso, existem aplicações específicas que já contêm centenas de fórmulas matemáticas de uso comumtudo o que precisas fazer é procurá-las.
  27. Controlar o barulho na sala de aula: o teu telemóvel pode servir de aparelho decibelímetro e indicar quando o nível de ruído está muito alto. Recompensa os alunos mantendo o ruído a um nível acordado. Aplicação recomendada: Too Noisy
  28. Atualizações: Remind é uma app desenhada para enviar notificações a pais e/ou alunos sem necessidade de saber os seus números de telefone. Isto significa que as fronteiras entre a vida privada e a da sala de aula podem ser mantidas sem que a comunicação seja prejudicada.
  29. Localizar pontos no mapa: Durante a aula pode haver países ou cidades que os alunos desconhecem. Aplicações como o Google Maps podem ajudar-nos a localizá-los especialmente em classes de História e Geografia.
  30. Tweetar: o Twitter é uma rede social que tem muitos usos educativos. O nosso telemóvel é provavelmente a melhor maneira de obter acesso a ela para ler e escrever tweets. 
  31. Estudar vocabulário: na aula de inglês (ou outras línguas), a aprendizagem de vocabulário desempenha uma parte fundamental da língua, a que muitas vezes os alunos não prestam a atenção que deveriam. Nesse sentido, os Flashcards são um dos recursos que proporcionam melhores resultados e a visualização usando um móvel é simples e conveniente.
  32. Marcar presença: existem inúmeras aplicações que podem ajudar a manter o controlo sobre a presença dos alunos na sala de aula usando apenas um telemóvel.
  33. Avaliar o desempenho de alunos: os telemóveis podem ser usados para monitorar e manter o controlo sobre as notas de cada aluno em exames ou testes. Assim, os professores têm acesso a um aluno em particular a qualquer momento caso seja necessário e podem ver se esse aluno está a progredir.
  34. Relógio: estudos mostram que mais pessoas usam o seu móvel para consultar as horas invés de um relógio de pulso. Por que não verificar o tempo no teu dispositivo móvel também?
  35. Inspirar: a originalidade é uma das características mais desejadas num trabalho ou projeto. O móvel fornece uma janela para o mundo onde qualquer tópico pode ser investigado e novas ideias adquiridas.
  36. Compartilhar anotações: muitos professores costumam distribuir o material no início ou no final da aulaEm vez de perder tempo com fotocópias, o teu dispositivo móvel permite executar esta função facilmente. Mais uma vez, App de ExamTime pode ajudar com isso!
  37. Quadro branco: enquanto a maioria das aplicações que servem de quadro branco são otimizados para tablets, há algumas que podem ser utilizadas a partir do telemóvel e permitem projetar tudo o que desenhas.
  38. Clima: para aqueles professores que gostam de passar a aula ao ar livre, apps meteorológicas podemser muito úteis para a previsão de tempoEssas aplicações também podem ser usadas em aulas para especificamente explicar as condições climáticas em outras regiões / países
  39. Medir a produtividade: existem aplicações, como Time Recording Pro, que permitem medir o tempo dedicado a uma tarefa em particular. Isto pode ser muito útil para professores e alunos ao ter que realizar um projeto dividido em várias fases.
  40. Jogar: muito se tem falado da gamificação do processo educativo, ou seja, a necessidade de transformar a aprendizagem em um jogo tanto quanto possível. Há literalmente centenas de aplicações educacionais que podem tornar o aprendizado mais fácil e agradável para os estudantes.

Estes 40 usos de telemóveis nas salas de aula são apenas uma pequena amostra das possibilidades que um telemóvel pode proporcionar.  processo de ensino e aprendizagem pode ser enriquecida se estas ideias forem adotadas. 

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Muitas crianças não conseguem pegar numa caneta por causa da tecnologia

Photo by Ludovic Toinel on Unsplash

Artigo publicado pela SIC Notícias, em 27 de fevereiro de 2018.


Muitas crianças britânicas têm cada vez mais dificuldades em realizar um gesto tão simples como pegar num lápis ou numa caneta. Segundo os médicos, isto deve-se a um uso excessivo de aparelhos tecnológicos.

O alerta é lançado por médicos pediatras e aponta a utilização excessiva de telemóveis e tablets como a principal causa para que muitas delas não desenvolvam os músculos da mão de forma necessária à realização de gestos tão simples como pegar numa caneta.

Em declarações ao jornal britânico The Guardian, Sally Payne, terapeuta pediátrica na fundação Heart of England, explica que "as crianças de hoje não têm a mesma força e destreza na mão que tinham há 10 anos", o que dificulta o uso de canetas e lápis, fundamental em qualquer dia de escola.

A médica britânica refere que "é mais fácil dar a uma criança um iPad do que encorajá-la a atividades que apoiem o desenvolvimento dos músculos".

Mellissa Prunty, pediatra de terapia ocupacional que se foca nos problemas da escrita, considera que as crianças estão a aprender a escrever cada vez mais tarde e aponta também o uso excessivo de aparelhos tecnológicos para justificar tal facto.

"Um dos problemas é que a escrita desenvolve-se de uma forma muito própria em cada criança. (...) Sem uma investigação cuidada, existe o risco de tirarmos conclusões precipitadas sobre os motivos que levam a que uma criança não saiba escrever dentro daquela que é a idade expectável, sem que haja uma intervenção quando a principal causa é a tecnologia", explica a pediatra.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Parece ficção, mas é escola: conheça novidades tecnológicas que já chegaram à sala de aula

Shutterstock

Realidade aumentada, robôs e inteligência artificial são alguns dos recursos que já começam a ser utilizados na educação
Veja abaixo algumas novidades tecnológicas que já chegaram às escolas:
Passeios pelo mundo e pelo passado
O estudante pode estar dentro da sala de aula de todos os dias, mas graças ao chamado 4D+, visitar o mundo pré-histórico e ver dinossauros. Tudo se movimenta com as características de como seria na realidade, o que permite desenvolver habilidades como observação, comparação, classificação. “A realidade aumentada traz a possibilidade de investigação para a sala de aula que não seria possível de outra forma”, explica a diretora acadêmica da Be – Bilingual Education, Flávia Fulgêncio. Além da chamada realidade aumentada, a Realidade Virtual (VR, virtual reality, em inglês) é outra ferramenta que passou a integrar o leque de estratégias de promoção para o aprendizado do inglês: o aplicativo VR do Google Expeditons leva o aluno a explorar diversas partes do mundo e, a partir dessa experiência, estimula o aprendizado de um segundo idioma, garantem os criadores da metodologia.
Convivendo com robôs…
Faz tempo que eles já vivem entre nós: fabricam os mais variados produtos que consumimos, nos atendem em serviços de telemarketing, aspiram o chão de alguns lugares sem depender de supervisão humana constante. Se no imaginário popular há um temor de que os robôs um dia substituam a humanidade, nas escolas há um entendimento crescente de que os estudantes precisam aprender a dominá-los. Assim, a presença de aulas de robótica dentro de instituições de educação básica vem crescendo e se diversificando. A empresa Mundo4D aposta na adoção de robôs e na oferta de praticidade. Para facilitar a vida dos gestores, leva um laboratório portátil para dentro das dependências escolares, que pode ser usado por crianças a partir de 4 anos. “As escolas têm consciência da importância da inserção do ensino das competências do século 21 no panorama infantil”, afirma André Emil Getschko, fundador da empresa.
… e se divertindo com eles
Os robôs podem ser muito úteis no cotidiano, claro, mas também podem servir apenas para o lazer. Uma das mais tradicionais empresas de robótica educacional do Brasil, a Zoom Education for Life, está lançando alguns projetos competitivos para os robôs feitos pelos estudantes. São as oficinas de Torneio de Futebol de Robôs, de Corrida de Carros e de Conquista Espacial. Cada uma dessas oficinas terá um apoiador de destaque no mercado, de acordo com o seu know-how. Na Oficina de Torneio de Futebol de Robôs, por exemplo, o Instituto Projeto Neymar Jr., em Praia Grande, litoral de São Paulo, patrocinará e sediará uma competição entre os robôs-boleiros dos alunos. “Estamos lançando uma nova plataforma de relacionamento com as escolas, que vai muito além do contexto do currículo escolar e do contraturno. São experiências imersivas, rápidas e inspiradoras”, diz Rafael Bonequini, diretor da Zoom. Mas ainda que as lesões robóticas possam ser rapidamente arrumadas com soldas e parafusos, Neymar já avisa que nenhum robô vai substituí-lo na Copa.
Tudo conectado
Para o mundo de amanhã, quando os hoje estudantes terão de se tornar pessoas economicamente produtivas, dominar os robôs e se divertir com eles ainda parece pouco. Será preciso receber informações e dar ordens a distância para todos os objetos que nos cercam, de câmeras de segurança a geladeiras, de impressoras a cafeteiras, e sabe-se lá mais o quê. Assim, outro conteúdo que passa a entrar nas grades escolares é a Internet das Coisas, ou IOT, sigla para a expressão em inglês Internet of Things. A Happy Code, escola de tecnologia que já se destaca por oferecer programas pioneiros para Youtubers e Robótica com Drones, está lançando cursos desta nova categoria. A empresa garante que o curso “Internet das Coisas” promove um aprendizado prático e divertido, que desenvolve também a criatividade dos alunos. Outra empresa que passa a incluir IOT em seu portfólio é a Microduino, que usa a nova versão do software Scratch para conectar os objetos ao redor.
Tudo “pensando” sozinho
Blocos de montar podem ser programados para executar tarefas de forma autônoma. Podem ser conectados à internet para enviar dados que coletaram e receber novas instruções. E a última fronteira é fazê-los pensar sozinhos. Mas um sistema de Inteligência Artificial (IA) precisa primeiro que alguém lhe ensine a tomar decisões. Antes que um humano possa ensinar a “máquina”, ele precisa aprender como fazer isso. Mais uma vez, parece que cabe às escolas o papel de ensinar quem vai ensinar o computador a pensar. Empresas terceirizadas já começaram a responder a tal expectativa. Nos cursos da Happy Code, os estudantes passarão a fazer uso prático do Watson, a plataforma de IA da IBM. A Microduino também incluiu em seus programas exemplos de aplicações focadas em Inteligência Artificial. O mundo está ficando mais complexo – e as escolas também.
Artigo publicado no site www.revistaeducacao.com.br, em 16 de maio de 2018

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Os ecrãs estão a substituir os pais

IGOR STARKOV - UNSPLASH


Artigo de Catarina da Eira Ballestero para o MAGG, em 1 de abril de 2018.


Smartphone, tablet, TV. São ecrãs utilizados pelos pais para distrair os filhos. Mas esta atitude pode ser considerada negligência.


A tecnologia está em todo o lado. Já não vivemos sem os smartphones, os canais de televisão podem ser vistos através de dispositivos móveis e até existem restaurantes cuja carta está num tablet.

Num mundo tão tecnológico como aquele em que vivemos, é natural que os vários ecrãs (televisão, smartphone, tablet, computadores, etc) que nos rodeiam façam parte das várias esferas da vida, incluíndo a educação dos nossos filhos. Mas há que saber onde traçar o limite, avisam os especialistas.


A geração dos 30 e 40 anos está deslumbrada com a tecnologia


Como explica Rosário Carmona e Costa, psicóloga clínica, à MAGG, a tecnologia é uma novidade na história das famílias. “Os pais que estão na geração dos 30 e dos 40 anos não cresceram com a tecnologia que existe hoje em dia e estão ainda, eles próprios, deslumbrados com tudo o que temos disponível. Logo temos aqui um fator novidade e um comportamento desajustado por parte dos pais que não é intencional”, afirma a psicóloga.

"Existem coisas que são consensuais e que os pais têm noção que não devem ser feitas, como o bater ou o gritar. No entanto, quando em consulta toco num ponto relacionado com as novas tecnologias e os identifico como erros, ficam surpreendidos".

A especialista refere que os pais precisam de repensar as práticas educativas no que diz respeito às novas tecnologias e que isto lhes precisa de ser ensinado. “Existem coisas que são consensuais e que os pais têm noção que não devem ser feitas, como o bater ou o gritar. No entanto, quando em consulta toco num ponto relacionado com as novas tecnologias e os identifico como erros, ficam surpreendidos.”

Existe muita pressa por parte dos pais em introduzir as tecnologias nas vidas dos filhos, salienta a psicóloga, e esta rapidez pode fazer com que esta introdução não seja feita da maneira mais correta. “A tecnologia pode fazer parte da vida das crianças, mas mediante um conjunto de regras bem estabelecidas”, refere a especialista, que indica que existem algumas diretrizes a ter em conta.

“Quando, como, onde pode ter acesso aos ecrãs, bem como o que acontece à criança ou jovem se não cumprir com as suas obrigações devido à excessiva utilização destes recursos”, explica Rosário Carmona e Costa.



Os pais estão a demitir-se da sua função de educadores


Se tem filhos, provavelmente já recorreu ao Youtube num restaurante para acabar com uma birra ou ligou a Baby TV na televisão da sala para o seu filho ficar distraído enquanto acaba de fazer o jantar. Porém, estas atitudes inocentes à partida, podem substituir os pais no seu principal papel: o de educar.

“Os pais estão a utilizar muito os ecrãs como forma de gestão e manipulação do comportamento dos filhos”, afirma Rosário Carmona e Costa. A especialista refere que estas atitudes podem também ser uma forma de negligência parental, “embora esta palavra seja forte e esteja muitas vezes associada a violência, o que não é o caso neste contexto.”

Para comerem, para se portarem bem numa sala de espera, para não chatearem os adultos à mesa ou incomodarem outros clientes num restaurante. Todas estas razões levam os pais, muitas vezes, a colocarem um ecrã à frente das crianças.

“Os ecrãs tornaram-se babysitters sempre disponíveis, mas estas ações estão a retirar aos pais a função, que é deles, de ensinar aos filhos os comportamentos e regras de contexto a ter. Os pais estão a demitir-se, involuntariamente, da sua função de pais e a colocar um objeto externo como educador dos filhos”, refere a especialista, que salienta o perigo que existe com estas atitudes, que podem impedir as crianças de desenvolverem um conjunto de competências para a vida adulta.


O uso constante dos ecrãs é prejudicial às crianças


A psicóloga explica que as consequências da utilização indevida dos ecrãs na educação das crianças assenta em três questões diferentes, mas igualmente importantes.

“Em primeiro lugar, se uma criança está constantemente a receber um ecrã, seja uma televisão com desenhos animados ou um tablet com jogos, para gerir mau feitio ou birras, esta mesma criança não vai saber lidar com a frustração, que é uma capacidade fundamental no futuro”, diz a especialista.

"Cederem o ‘prémio’, neste caso o acesso às tecnologias, ainda antes de as crianças realizarem uma tarefa é negligência.”

Outro fator é que a criança, ao ter o seu comportamento controlado pelo exterior (ou seja, ecrãs), não vai aprender a fazê-lo sozinha. Rosário Carmona e Costa refere que se colocarmos um ecrã sempre que a criança chorar, seja por que razão for, esta não vai aprender a gerir o seu comportamento, nem a auto-regular as suas emoções.

“Já cheguei a ouvir educadoras de creches dizerem que existem pais que pedem para deixar o tablet com os filhos para eles não chorarem no momento da separação, sendo que nenhuma criança gosta de se separar do pai ou da mãe para ficar na creche. Mas é uma competência importante que devem adquirir.”

Por último, quando as crianças têm um acesso constante e facilitado ao ecrã, não existe um adiamento da recompensa. “Os pais precisam de entender que cederem o ‘prémio’, neste caso, o acesso às tecnologias, ainda antes de as crianças realizarem uma tarefa é negligência, apesar de inconsciente”, afirma a especialista.

Depois de um dia na escola, as crianças podem jogar. Se se mantiverem bem comportados numa sala de espera, podem depois ter acesso ao tablet. “Este é um pensamento que tem de regressar para a vida das famílias, transmitirem aos mais pequenos que a utilização dos ecrãs é uma regalia, um prémio e não um direito”, explica Rosário Carmona e Costa, que acrescenta que, muitas vezes, esta adição aos ecrãs é confundida com outros problemas.

"De cada vez que fazia uma birra, tinha acesso a um ecrã para ficar quieta. Esta criança não tem um défice de atenção, simplesmente não aprendeu a esperar.”

“Já tive vários casos, em consulta, de crianças com seis, sete, oito anos de idade, cujos pais afirmam que têm um défice de atenção, não conseguem ficar quietos uma hora na sala de aula, não se concentram. E depois eu percebo que foi uma criança que, de cada vez que fazia uma birra, tinha acesso a um ecrã para ficar quieta. Esta criança não tem um défice de atenção, simplesmente não aprendeu a esperar.”

A psicóloga conta que existem outros casos, como os de crianças levadas até ao seu consultório porque os pais estão preocupados com o seu comportamento.

“Já tive um caso de uma criança que não convivia no recreio com outros miúdos, não demonstrava interesse nas brincadeiras, não possuía competências sociais. E tudo isto era resultado de uma exposição alargada e sem regras aos ecrãs. Esta criança aprendeu a estar sempre isolada no seu mundo, a jogar, e devido ao excesso de estimulação dos ecrãs, até tinha um comportamento mais agressivo.”


Os castigos devem estar relacionadas com o comportamento


Se a tecnologia for o recurso favorito das crianças, que muitas vezes é (os miúdos mais pequens recorrem muito aos tablets para verem desenhos animados ou jogos mais básicos, as raparigas mais velhas dão mais atenção aos smartphones e às redes sociais, sendo os adolescentes rapazes mais seduzidos pelos jogos de computador e consolas), pode existir a tentação por parte dos pais de retirar o acesso a estes ecrãs como forma de castigo.


"Os castigos mais eficazes são aqueles em que as consequências são relacionadas com o comportamento”


Porém, a especialista refere que isto apenas deve ser feito se as tecnologias tiverem uma relação direta com a razão do castigo, ou quando podem ser um obstáculo a um comportamento mais favorável.

“O castigo, na sua essência, é uma tentativa de alterar um comportamento errado. Logo, os castigos mais eficazes são aqueles em que as consequências são relacionadas com o comportamento”, explica Rosário Carmona e Costa.

Se uma criança magoou outra, o “castigo” mais eficaz pode ser ter de acompanhá-la ao posto médico. Na opinião da psicóloga, esta é uma situação que terá muito mais impacto do que ir para uma sala de aula fazer uma cópia.

“Já quando estamos a falar de uma criança ter uma atitude negativa perante outra com recurso à tecnologia, como uma espécie de cyberbullying, aí sim faz todo o sentido retirar-lhe o acesso à internet.”

Os castigos têm de estar associados à falha. “Dando outro exemplo, se o jovem tiver uma negativa, o telefone pode ser-lhe retirado durante o dia seguinte, mas apenas e só porque nesse dia a criança deve fazer um esforço para estudar mais, e o telefone seria um objecto de distração. E deve ser explicado à criança que é essa a razão, e que o telefone lhe será devolvido quando acabar de estudar”, salienta a especialista.

A psicóloga sugere, por fim, que os castigos devem ser curtos, oferecendo às crianças uma sensação de controlo e que têm uma nova oportunidade em breve de corrigirem o comportamento e conquistarem a confiança dos pais, ou o que perderam, de volta.

“Já tive um jovem no meu consultório que me disse ‘só estou aqui porque me mandaram, estou de castigo até ao fim do ano por isso não me importo’. Se os castigos forem muito longos, os jovens sentem que já perderam tudo e não há qualquer vontade de corrigir o comportamento, não há estímulo para tal”, conclui a psicóloga.