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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A Premika foi à escola EB1 Ribeiro de Carvalho – Cacém: veja o vídeo



"No decorrer da passada semana a autora e professora Cláudia Manata do IAC - Instituto de Apoio à Criança esteve na EB1 Ribeiro de Carvalho e na EB1/JI de Vale Mourão para apresentar aos alunos de 4.ºano o livro "Alerta Premika! Risco Online Detetado."

Na segunda-feira a Cláudia fez-se acompanhar de uma das colegas autora da obra - Raquel Palermo.

A temática do livro é muito interessante e atual e foi explorada de forma exemplar pela autora e professora Cláudia Manata. Dizer ainda que o livro funciona como um livro/jogo, já que o leitor pode decidir as várias opções a tomar, os vários caminhos a seguir, sempre consciente de que essas mesmas decisões terão consequências.

As sessões decorreram muito bem, os alunos aderiram às propostas da Cláudia e mostraram dominar, pelo menos na teoria, alguns cuidados a ter com a internet; que nos trouxe muitos benefícios, mas também muitos perigos e é necessário estar atento; este alerta também é muito importante para os Pais".


Gracinda Silva Professora Bibliotecária

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Alerta Premika! Risco Online Detetado



Olá, olá!

Estamos de volta! E connosco a nossa androide Premika e os seus amigos Marta, Tiago e Manel. Vamos ter novidades relativamente à coleção. Desta vez, é o Tiago que se mete em sarilhos…! O que será que lhe acontece?

Entretanto, vamos relembrar a apresentação das aventuras da Marta, na companhia da sua amiga e conselheira Premika. Estivemos em muitas escolas do país continental e nos Açores e falámos de coisas importantes sobre a navegação segura na Internet, com os meninos e as meninas, mas também nos divertimos muito com a nossa Premika.

Fizemos 44 sessões em escolas públicas e privadas, para alunos, pais e técnicos, promovemos debates em Lisboa, Braga, Coimbra e Ponta Delgada, e contámos com a colaboração de investigadores/professores, coordenadores da Polícia Judiciária e técnicos da Comissão da Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ): Dra. Cristina Ponte (Universidade Nova de Lisboa) Dra. Altina Ramos (Universidade do Minho), Dr. Francisco Machado (Instituto Superior da Maia), Dra. Armanda Matos (Universidade de Coimbra), Dr. Rolando Lalanda Gonçalves (Universidade dos Açores), Dr. Camilo Oliveira (coordenador de investigação criminal da Polícia Judiciária de Coimbra) e Dra. Fátima Gonçalves (presidente da CPCJ de Coimbra).

Pequenos e crescidos participaram ativamente nas dinâmicas desenvolvidas à volta da temática da coleção, partilhando experiências,  colocando questões sobre os riscos na Internet e tentando compreender o dilema da Marta:

“Este livro - Ameaça nas redes sociais! E agora Marta?” – conta-nos uma história. A história de Marta, uma menina de 9 anos, que tem um enorme desejo de ter, à semelhança das suas amigas, um perfil na rede social Facebook. A acompanhar Marta na aventura que ela inicia nesta história está Premika, uma androide futurista, que aparece sempre que uma criança se sente triste e precisa de ajuda.

Temos aqui vários ingredientes que fazem desta história uma história muito interessante e atrativa para as crianças. Uma situação vivida por muitas crianças – o conflito interno associado à decisão de abrir uma conta na rede social, contrariando as orientações dos pais, uma personagem Marta, com pensamentos, dúvidas, perguntas com quem as crianças facilmente se identificam, a Premika que traz a esta história uma dimensão de fantasia (como um amiga especial imaginária com quem a Marta pode falar e partilhar as suas preocupações e experiências), cheia de cores, movimento e eu diria mesmo efeitos especiais. É criado um ambiente muito interessante, povoado de imagens, de símbolos, muito característicos das experiências e do mundo das crianças, e que portanto se torna muito atrativo e facilita a sua identificação com as personagens.” Armanda Matos 

Para acompanharem um bocadinho das nossas “andanças”, no ano letivo de 2017/18, vejam a galeria de fotos.

Para mais informações, não se esqueçam de nos escrever para alerta.premika@iacrianca.pt
Bom Ano Letivo!

Abraços!


A Equipa da Premika





































quarta-feira, 6 de junho de 2018

Leia a entrevista a Teresa Castro, co-autora de livro “Alerta Premika! Risco Online Detetado” ao blog “A Estante das Marias”




Hoje inauguramos uma nova rubrica aqui no blog. Em “Gente com Livros” vamos conversar mensalmente com diferentes pessoas que partilham connosco o gosto pelos livros. 
Ainda no âmbito do Dia Mundial da Criança, escolhemos inaugurar esta secção com a Teresa Sofia Castro, uma das autoras do livro “Alerta Premika! Risco Online Detetado” porque hoje, mais que nunca, importa falar da relação das crianças com as tecnologias, e o seu papel neste mundo cada vez mais hiper conectado. 
A entrevista foi conduzida pela Maria P.
Como é que surgiu este livro?
Este projeto surge na sequência do meu doutoramento, como tu sabes a minha tese foi escrita em inglês porque eu tive um período dos meus trabalhos de doutoramento em Inglaterra. Na defesa de tese foi-me lançado o desafio de trazer informação, que era considerada pertinente e útil, para as famílias e as escolas portuguesas. Por uma feliz coincidência, o Instituto de Apoio à Criança procurava um novo projeto, que fosse lúdico, que fosse pedagógico, para ajudar as famílias e as escolas a lidar com os desafios das tecnologias e da internet. Na altura, contactaram a Professora Cristina Ponte, da Universidade NOVA de Lisboa, que, por conhecer o meu trabalho, lhes sugeriu que falassem comigo. Numa deslocação ao IAC, conheci a Cláudia Manata do Outeiro, levei-lhe alguns dos diálogos que tive com as crianças com quem fiz investigação. E depois, juntou-se ao projeto também a Raquel Palermo. Houve, de facto, um alinhamento perfeito de circunstâncias, pessoas e compromissos e daí até nascer o primeiro número foi percorrido um caminho de muita aprendizagem.
Pois, porque a tua tese de doutoramento já foi no sentido de investigar a forma como as crianças interagem com a tecnologia…
Sem dúvida! A minha investigação pretender conhecer o dia-a-dia das crianças à volta das tecnologias, o que é que gostam de fazer, como fazem, com quem fazem, como interagem entre eles. As crianças são ativas e criativas na construção das suas culturas e na apropriação das tecnologias móveis digitais. Mas ver como isto acontece no dia-a-dia é um desafio, porque muita coisa escapa ao radar dos adultos: condutas, vocabulário, interesses, dinâmicas... Daí a pertinência deste livro, não só ele oferece uma perspetiva de uma nova geração que está sempre conectada, como revela novos paradigmas de viver a infância. E aqui também há o convite aos pais, aos professores e aos adultos que trabalham com crianças de promoverem uma mediação que capacite as crianças para os desafios, mas também as oportunidades, já que ambos andam de mãos dadas.
O que é que te atraiu nesta área de investigação?
Por acaso é curioso, porque na altura o que eu queria estudar eram as raparigas e as mulheres nas tecnologias e disseram-me que era uma tema que “já estava mais que ultrapassado, toda a gente já tem acesso, e que seria interessante investigar o que se estava a passar com as crianças”. Eu sou filha única, os meus primos são todos muito mais velhos, nunca tive assim um historial de contacto com crianças, e essa ideia acabou por ser interessante porque era uma faixa etária que eu não conhecia assim tão bem. O facto de ter feito um Mestrado em Estudos da Criança acabou aqui por dar um empurrãozinho e de perceber a criança como um agente ativo, competente nas suas decisões, mas pouco ouvida em matérias que lhes dizem respeito. Toda a minha investigação alinha, do ponto de vista teórico e metodológico, com o direito da criança a ser ouvida e vista.
Como é que foi o processo de passar da tua tese para este livro?
Na altura da defesa desafiaram-me a trazer esses dados a público, a transformar a tese em livro. Eu tenho vários artigos académicos publicados em português em inglês. Mas na minha perspectiva, publicar a minha tese em livro não iria ter um impacto efetivo de serviço à sociedade. Seria mais um livro académico para ficar numa prateleira de uma biblioteca, que nenhum pai ou professor procurariam ler. Então, é aí que se dá o casamento perfeito entre a investigação e a verdadeira utilidade do investimento que fiz no doutoramento. Tive a sorte de ter as pessoas certas à minha volta, a professora Cristina Ponte, uma pessoa iluminada e com uma grande entrega a estas problemáticas. A Cláudia Manata Outeiro, outra autora do livro. Ela é professora destacada no IAC e tem uma paixão e grande entrega aos direitos da criança, que não podemos esquecer que passam também pelo digital. E, por fim, a Raquel Palermo, que tem um longo currículo na escrita para crianças. Acabou por ser uma combinação muito interessante de três pessoas com percursos muito distintos, mas que foi a fórmula perfeita para dar asas a este projeto. E este não é um livro convencional, pegando aqui na metáfora do que é a internet e suas hiperligações, construímos um livro dinâmico e interativo, permitindo ao leitor, à criança, ao adulto, tomar decisões a cada passo na história. E essas decisões afetam o desenrolar da história com efeitos para as personagens. Esta particularidade tem aqui uma vertente pedagógica e de reflexão muito interessante quer a criança faça a leitura sozinha, ou em contexto de família, ou de escola.
Pois, porque este livro não permite só um olhar da criança, permite também o olhar do adulto que a educa. É uma ferramenta para ambos. E num mundo completamente online, e com um gap geracional cada vez maior, os pais também andam à procura disto.
Exatamente. Ou seja nós temos essa diferença de idades que tu falas, e isso aconteceu também connosco em relação aos nossos pais, que estão muito mais próximos daquilo que Prensky chamava de “imigrantes digitais”. Mas, agora temos uma outra geração de pais que já é muito mais competente digitalmente falando, mas claro que o gap existe sempre porque é normal, é aquilo que distingue as gerações. Eu acredito no diálogo intergeracional e este livro promove isso. É um facto que desde muito pequeninas as crianças habilmente mexem num ecrã e encontram conteúdos que alinhem com os seus interessem, vejo isso na minha investigação com crianças menores de 8 anos. Mas, cidadania digital vai muito além disso e é aí que o papel dos pais, dos educadores é muito importante, ajudando as crianças a adquirir competências críticas, empatia, comportamentos de segurança que as ajudem a tirar partido de uma boa utilização destes recursos da sociedade do conhecimento. E também será muito positivo aprendermos com elas.
Uma das características que o livro tem de muito importante é que ela é construída numa numa lógica bottom up, isto é, toda história se desenvolve à volta de diálogos reais e das palavras que as crianças usam, das suas dinâmicas, e a partir daí fomos ligando diálogos, construindo e ficcionando a história.
Como decorreu o processo de escrita? 
O que testemunhei em contexto de investigação a par com a experiência da Cláudia com crianças nas escolas e da Raquel também como mãe e escritora foi importante para o processo criativo de escrita. Lemos, relamos, negociamos, reescrevemos. Todas contribuímos com olhares muito inclusivos de modo a ver as diferentes dimensões da infância. Este livro tem um fundamentação científica. Aqui também pudemos contar com a colaboração do centro Internet Segura na revisão da história. Este trabalho a várias mãos foi fundamental tendo em conta os vários caminhos e várias histórias que encontramos neste número 1 da coleção. Houve sempre um trabalho exaustivo de revisão, refazer, reescrever… foi uma aventura muito trabalhosa [risos].
Qual é o feedback que tens tido desta obra?
Muito positivo! Principalmente a Cláudia, que está no IAC, tem feito este trabalho fantástico junto das escolas e das bibliotecas e o feedback é muito positivo quer por pais, professores, e especialmente pelas crianças. Da minha parte, e especialmente em conferências, seminários e palestras tenho tido a oportunidade de falar do livro. As apresentações que temos feito de norte a sul do país, e no mês passado nos Açores, têm contado com profissionais das áreas da comunicação, da psicologia e da educação, e o feedback também é extremamente positivo e encorajador. Porque lá está, o livro tem todos os ingredientes para ser uma ferramenta pedagógica útil e as vendas revelam isso, já que em menos de um ano estamos na segunda edição do livro.
Já há mais que uma edição, e o livro não tem assim tanto tempo, e até onde sei há inclusivamente planos para fazer uma edição internacional…
Ora bem, aí é que é mais complicado. A nível internacional eu já falei com uma investigadora que trabalha para a Comissão Europeia, e ela diz que de facto as crianças precisam deste tipo de narrativas, que vão ao encontro daquilo que é o dia-a-dia delas. É preciso trazer outro tipo de fábulas. Também apresentei o livro em Inglaterra a algumas pessoas, nomeadamente dos centros de internet internacionais. Também estes profissionais têm aqui muito interesse em trabalhar este livro, e até por parte das redes internacionais nas quais eu colaboro. A questão é que traduzir e trazer isto para o mercado internacional tem custos, porque é preciso adequar a linguagem à que é usada lá, pelas crianças de lá. É preciso fazer aqui algumas adaptações e nesse aspecto, envolvendo dinheiro e recursos, as pessoas esperam que o produto seja apresentado mas o processo… é muito difícil alguém dar o passo.
É pena que assim seja. De qualquer das formas parabéns pelo sucesso, fico muito contente!
E já temos uma segunda história escrita, que é sobre os jogos online, com o Tiago, como personagem principal. No primeiro número a personagem principal da história é a Marta, uma rapariga, e as redes sociais, porque o que as pesquisas nos dizem e que o terreno mostra é que, de facto, o território das redes sociais é marcadamente mais feminino e o dos jogos, mais masculino, embora com as suas nuances. Nós pensamos seguir um bocado essa lógica embora não numa perspetiva de exclusão, mas tínhamos que fazer aqui algumas escolhas.
Muito bem, que boas novidades me estás a contar! Mas esse já está em fase de escrita?
Está já escrito. Mas o trabalho ainda não terminou. Tendo em conta a celeridade com que a tecnologia avança e com ela a forma como as crianças incorporam tendências e moldam prática, o processo de escrita e revisão é um trabalho exaustivo até ao dia de ir para a gráfica, porque também há essa responsabilidade da nossa parte.
Tu abdicaste dos teus direitos de autor a favor do IAC.
Sim. Tendo em conta os valores e missão do IAC para mim fazia sentido fazê-lo desta forma.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

O Centro de Documentação do IAC convida-@ a ir à Feira do Livro de Lisboa conhecer a Premika

O Centro de Documentação e Informação sobre a Criança do Instituto de Apoio à Criança convida a vir conhecer a Premika, e as suas autoras, na Feira do Livro de Lisboa, no dia 27 de maio, às 15.00h.


segunda-feira, 12 de março de 2018

Grooming Online: aliciamento de crianças e jovens através da Internet




O aliciamento de crianças e jovens através da internet, essencialmente pelo recurso a redes sociais ou chats, tem sido cada vez mais discutido sob a designação de Grooming Online. Este fenómeno tem sido alvo de preocupação e estudos a nível internacional, tendo levado a modificações legislativas de forma a proteger as crianças e jovens deste tipo de vitimação. O Grooming Online ainda não está qualificado como fenómeno criminal e, em Portugal, até à data não se encontraram dados sobre o mesmo, pelo que o estudo do livro Grooming Online: um estudo exploratório em Portugal é de grande importância no nosso país.

Nesta obra as autoras exploram a dimensão do fenómeno em Portugal bem como analisam o conhecimento dos jovens sobre o mesmo. Dado que se trata de um tema pouco abordado, a leitura da presente obra oferece aos leitores conhecimento sobre as experiências, percepções e inseguranças dos jovens acerca do Grooming Online, bem como revela números de vitimação. As autoras optaram um estudo exploratório de natureza quantitativa e recolheram dados através de um questionário. A amostra foi constituída por 151 participantes, 76 (50,3%) do sexo masculino e 75 (49,7%) do sexo feminino.

O Grooming Online é também um tópico central no primeiro livro da coleção Alerta Premika! Risco online detetado - Ameaça nas redes sociais! E agora, Marta? , uma coleção para crianças do 1.º e 2.º ciclos no âmbito da segurança na Internet.


Para além da história, o livro-jogo possui um conjunto de “dicas” para navegar na Internet em segurança, que podem ser lidas e discutidas em família, e um glossário.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

ERC publica estudo boom digital? Crianças (3-8 anos) e ecrãs



No passado Dia da Internet Mais Segura 2018, iniciativa europeia que arrancou a 6 de fevereiro, a ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social disponibilizou ao público, no seu sítio eletrónico, o ebook "Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs".

O segundo capítulo do ebook é da autoria de Cristina Ponte, José Alberto Simões, Susana Batista, Teresa Sofia Castro (coautora da coleção infanto-juvenil "Alerta Premika! Risco online detetado" do IAC) e Ana Jorge (CICS.NOVA, da FCSH-UNL), tem por título “Educando entre ecrãs” e articula os resultados do trabalho de campo com os de estudos anteriores, junto de famílias de crianças mais velhas.
"No Dia da Internet Mais Segura 2018, iniciativa europeia que arranca a 6 de fevereiro, a ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social disponibiliza ao público, no seu sítio eletrónico, o ebook "Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs".

O volume integra textos de especialistas e de profissionais nacionais e internacionais que refletem, em relação à sociedade portuguesa e a estudos realizados noutros países europeus, sobre o modo como as crianças mais novas estão a crescer em contacto com a tecnologia digital, os usos que fazem dos ecrãs, as competências e literacias que vão adquirindo, as situações de dano que podem experimentar e os modos como as famílias intervêm nessa socialização digital.Este estudo constitui mais um contributo no âmbito da terceira edição do projeto da ERC “Públicos e Consumos de Media”, desenvolvida em parceria com uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa coordenada pela professora Cristina Ponte, e sucede à publicação Crescendo entre Ecrãs. Usos de Meios Eletrónicos por Crianças (3-8 Anos) (ERC, Fevereiro de 2017). Recordamos que se tratou de uma análise pioneira em Portugal sobre usos de meios eletrónicos por crianças de 3 a 8 anos, baseada num inquérito nacional e na observação de 20 famílias com crianças que acedem à internet.

Segundo os resultados desse inquérito, 38% das crianças dos 3 aos 8 anos acedem à internet. O acesso cresce significativamente com a idade: 22% das crianças de 3-5 anos e 62% das crianças de 6-8 anos. Crianças de famílias com estatuto socioeconómico alto são as que mais usam a rede. Os principais usos desta tecnologia são lúdicos: ver desenhos animados e filmes, jogar jogos, ouvir músicas.

O título interrogativo do ebook que hoje se disponibiliza procura destacar a ambivalência entre usos e projeções de risco. Apesar de mais de dois terços dos pais serem utilizadores da internet, o estudo evidencia que se preocupam muito mais com esta tecnologia do que com a televisão, meio a que a maior parte das crianças assiste todos os dias. Na internet, os educadores projetam ideias de risco associadas ao seu contexto cultural e ao consumo dos chamados meios tradicionais (violência, linguagem inapropriada e nudez), a que se soma a preocupação com os contactos com estranhos. 

Para o Vice-Presidente da ERC, Mário Mesquita, «este estudo sobre os usos da televisão e das redes digitais pelas crianças, além de constituir um relevante contributo para as orientações da ERC, representa também uma proposta de reflexão que disponibilizamos às famílias e aos educadores. Registo a exigência e a qualidade da investigação elaborada por professores da FCSH da UNL, dirigidos pela Prof.ª Cristina Ponte, respondendo a solicitação da ERC».Cristina Ponte, responsável pela coordenação científica do estudo, salienta que «na televisão os pais têm a sensação que controlam. Nos outros meios digitais sentem uma fragilidade nas suas competências de observação e controlo. Daí a importância de as competências digitais (…) fazerem parte de uma agenda de formação e informação parental e das próprias crianças, capacitadora de saber lidar com riscos e de tirar partido das oportunidades».

O estudo "Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs" está dividido em sete capítulos:
  • O primeiro, da autoria de Ana Nunes de Almeida e Vasco Ramos (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa), intitula-se “As crianças nas famílias em Portugal” e aponta o lugar das crianças na sociedade portuguesa contemporânea.
  • O segundo, da autoria de Cristina Ponte, José Alberto Simões, Susana Batista, Teresa Sofia Castro e Ana Jorge (CICS.NOVA, da FCSH-UNL), tem por título “Educando entre ecrãs” e articula os resultados do trabalho de campo com os de estudos anteriores, junto de famílias de crianças mais velhas.
  • O terceiro, da autoria de Maria João Leote de Carvalho (CICS.NOVA, da FCSH-UNL), intitula-se “Crianças e meios eletrónicos em territórios socialmente desfavorecidos: um olhar sobre (outros) mundos da infância” e apresenta um olhar etnográfico sobre esses territórios a partir das vozes de crianças e suas mães e avós, onde se descobre a vontade de integração social pelo acesso e uso de meios digitais.    
  • O quarto, da autoria de Andrea Basílio (RTP), intitula-se “Como o Zig Zag mantém o seu espírito na onda da convergência” e apresenta os desafios que se colocam à programação do serviço público de televisão para estas idades.
  • O quinto, da autoria de Nelson Zagalo (Universidade do Minho), tem como título “Jogos digitais na infância” e chama a atenção para fatores psicológicos que dão sentido ao fascínio das crianças pelo ato de jogar, em geral, e para diferenças entre géneros de jogos.
  • Os dois capítulos finais (“Conselhos para diferentes tipos de pais sobre usos de meios digitais” e “Intervenção parental sobre os usos dos média por crianças mais novas: o olhar da Holanda”) trazem contributos de investigadores europeus sobre estas temáticas e idades, privilegiando as dinâmicas das famílias e considerando as suas diferenças e necessidades de aconselhamento. Os seus autores são Bieke Zaman, Sofie Vandoninck e Marije Nouwen (Universidade Católica de Lovaina, Bélgica) e Peter Nikken (Universidade Erasmus de Roterdão, Holanda). 
A ERC relembra que disponibiliza as bases de dados de todos os inquéritos “Públicos e Consumos de Media”, de forma gratuita, à comunidade académica e centros de investigação interessados".

Fonte: ERC