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segunda-feira, 1 de julho de 2019

O jogo da asfixia que está a assustar Espanha (em Portugal “não foram reportados casos mas não quer dizer que não haja”)

 
 
O caso não é inédito. Dois adolescentes voltam a ser hospitalizados em Espanha após alinharem no jogo da asfixia, também conhecido por “jogo da morte”. As vítimas são estranguladas até perderem a consciência. Um desafio com muitos riscos que pode causar danos cerebrais ou mesmo a morte

Uma adolescente de 12 anos foi a mais recente vítima do jogo da asfixia que está a circular nas redes sociais em Espanha. É o segundo caso registado esta semana.
Segundo o jornal “El Mundo”, a jovem aceitou esta quinta-feira de livre vontade participar no jogo em plena via pública no município de Pinto, em Madrid. Passava pouco das 14h (13h em Lisboa). As amigas que a acompanhavam estrangularam e pressionaram o peito da jovem até lhe provocar falta de oxigénio. Resultado? A vítima caiu ao chão inconsciente, tendo sido levada de imediato para o hospital.
Neste momento, as autoridades locais informaram que a adolescente se encontra “bem”, fora de perigo, “embora assustada” e com um hematoma na cara. Entretanto, já foi solicitada uma investigação sobre o caso, que está a assustar os pais de adolescentes em Espanha.
Três dias antes foi registado um episódio semelhante em Granada que envolveu vários jovens neste jogo - que foi filmado e divulgado nas redes sociais. Um deles foi também transportado para o hospital. A polícia local já pediu aos pais no Twitter para estarem mais vigilantes face a estas situações, que já foram registadas noutros anos em países como Brasil, EUA, Reino Unido ou França.
Contactado pelo Expresso, o fundador do MiudosSegurosNa.Net, Tito de Morais, admite que os jovens portugueses possam também aderir a este desafio, que está conquistar também jovens no Brasil, aconselhando os encarregados de educação a estarem mais atentos aos passos dos filhos. “Não nos foram reportados quaisquer casos em Portugal, mas não quer dizer que não haja. Dado a enorme proliferação dos mesmos na Internet em geral e no Brasil em particular, e dado termos a língua em comum, não me admiraria que houvesse casos em Portugal”, afirma Tito de Morais.
De acordo com este especialista, um dos maiores problemas que se coloca à identificação de mortes resultantes deste tipo de jogos – que podem causar várias consequências como danos cerebrais – é que geralmente são classificados como suicídio e não como mortes acidentais. “Daí estarmos a alertar para a importância de incluirmos também pediatras nas ações de formação sobre o tema”, acrescenta.
Mais do que denúncias, sublinha Tito de Morais, estas situações chegam ao projeto MiudosSegurosNa.Net através dos media e de parceiros internacionais. No total, o fundador do projeto diz que foram identificadas 40 ações de instigação a comportamentos autolesivos a que geralmente chamam “jogos” ou “desafios”. “A maioria é composta por vídeos com conteúdos nocivos, prejudiciais ou danosos, que podem ser mortais ou, como alguns outros, meramente parvos”, acrescenta.
São vários os sinais de alerta relativos à prática da asfixia e de outros desafios perigosos, como o isolamento, a utilização de golas altas mesmo no verão, olhos vermelhos, desorientação, dor de cabeça frequente, conversas sobre estes jogos ou presença de objetos suspeitos no quarto como cordas ou trelas, refere o portal Projeto MiudosSegurosNa.Net e o Instituto Dimicuida.
Tito de Morais insiste que os pais e educadores têm um papel fundamental na prevenção deste tipo de casos, sendo por isso também vital o diálogo.

terça-feira, 12 de março de 2019

Internet sabe quem somos. E nós sabemos que ela sabe


Reuters/PAWEL KOPCZYNSKI


“Sim, se precisares de informação sobre alguém de Harvard... é só pedires. Tenho mais de quatro mil emails, fotografias, moradas, números de segurança social (…) As pessoas simplesmente submeteram isto. Não sei porquê. Elas ‘confiam em mim’. Idiotas do caraças.” Era com estas palavras cruas que, em 2004, pouco após o arranque do Facebook, Mark Zuckerberg prometia a um amigo acesso a dados dos utilizadores.
A conversa – que decorreu num serviço de mensagens online e chegou à imprensa anos mais tarde – aconteceu numa altura em que a rede social era ainda um serviço restrito aos estudantes da Universidade de Harvard e não um gigante que ajudou a transformar o entendimento de boa parte do mundo sobre o que são as fronteiras da privacidade e o que é seguro depositar nos servidores de multinacionais.

Vários anos após aquelas mensagens, um Zuckerberg já multimilionário e presidente de uma plataforma global trocou emails com diretores da empresa sobre como os dados pessoais podiam ser rentabilizados. As mensagens, enviadas entre 2012 e 2015, vieram a público no ano passado, na sequência de uma investigação do Parlamento britânico. Mostram como o Facebook discutia a possibilidade de ceder mais informação às empresas que pagassem por isso. “Queremos que as pessoas possam partilhar tudo aquilo que querem, e que o façam no Facebook”, escreveu Zuckerberg. “E, no futuro, acho que devíamos desenvolver um serviço premium para coisas como personalização instantânea.”

Os documentos deram um vislumbre sobre como os dados pessoais eram encarados pelos gestores do Facebook quando falavam em privado, mas não revelaram práticas necessariamente ilegais, ou sequer incomuns (a rede social argumentou que os emails estavam descontextualizados).
 
Nas últimas duas décadas, vários serviços online trouxeram novas formas de comunicação e de exposição em público das vidas de cada utilizador, e construíram negócios assentes na torrente de informação que, muitas vezes, é lá colocada voluntariamente pelas próprias pessoas. Todos os gigantes tecnológicos, bem como muitas empresas mais pequenas, usam dados para direcionar publicidade, para personalizar serviços, sugerir produtos, encontrar novos clientes, melhorar o desempenho de vendas, antecipar necessidades e perceber qual o próximo projeto em que devem trabalhar.
 
Introduzir no Google a palavra “pizza” é uma experiência diferente em Lisboa ou no Dubai, num computador ou num telemóvel, e consoante aquilo que se tenha pesquisado antes. Procure-se o preço de uma viagem para Paris e é fácil ser-se perseguido online por uma miríade de anúncios a carros de aluguer e hotéis, vindos de plataformas como o Booking e o Airbnb. Faça-se uma compra na Amazon e os algoritmos da empresa tentam perceber o que provavelmente vamos querer a seguir – mesmo que ainda não o saibamos. No Netflix, ainda nem os créditos do último episódio chegaram ao fim e já aparece a sugestão da próxima série, com base no que foi visto antes. No site do PÚBLICO, um sistema de recomendações também analisa os artigos lidos pelos utilizadores para sugerir outros potencialmente relevantes.
 
É uma realidade que não tem sido ignorada pelos utilizadores. “As preocupações com a privacidade dos dados pessoais estiveram, desde sempre, no topo das barreiras à utilização de plataformas digitais, designadamente no âmbito do comércio eletrónico”, observa o académico Nuno Fortes, professor do Instituto Politécnico de Coimbra e autor de uma tese de doutoramento sobre privacidade e consumo online. “Creio que o nível de preocupação tem aumentado nos últimos anos, em paralelo com uma maior consciência dos riscos associados à cedência de dados pessoais”, acrescenta.
 
Também o Regulamento Geral de Protecção de Dados, uma lei europeia que entrou em vigor no ano passado, “veio dar uma maior visibilidade pública a este tema em Portugal, despertando nos utilizadores (e também nas empresas) um maior interesse e conhecimento”, refere Nuno Fortes.
Múltiplos estudos feitos desde meados da década passada indicam que os utilizadores de Internet têm grandes preocupações de privacidade, embora nem sempre ajam em conformidade. É um fenómeno conhecido como “o paradoxo da privacidade”, cujas causas e efeitos são ainda alvo de debate.

                   
“A perceção de uma realidade e a mudança de comportamentos em função dessa constatação raramente acontece”, nota Tito de Morais, fundador da plataforma Miúdos Seguros na Net, que há anos se dedica a alertar para comportamentos de risco online, especialmente entre menores. “Geralmente é necessário experienciar um incidente para as pessoas se aperceberem de que também pode acontecer com elas e mudarem de comportamento. ‘As chatices só acontecem aos outros’ é uma percepção comum a jovens e a adultos.”


Números da Comissão Europeia indicam uma predisposição para partilhar dados online: num inquérito, três quartos dos utilizadores de Internet consideraram que partilhar informação pessoal na Internet fazia cada vez mais parte da vida moderna.
 
Por outro lado, seis em cada dez davam-se ao trabalho de mudar as definições de privacidade dos navegadores de Internet (como o Chrome ou o Internet Explorer). Quatro em cada dez evitavam sites específicos por terem medo de que as suas actividades fossem espiadas; um pouco mais de um terço usava software para evitar ver anúncios online; e um quarto recorria a ferramentas para que a sua atividade online não fosse monitorizada. Em Portugal, os números eram um pouco superiores, indicando uma preocupação maior.
 
Apesar dos cuidados, apenas 15% dos utilizadores na União disseram sentir que tinham controlo completo sobre os seus dados. Metade considerou ter controlo parcial e praticamente um terço disse não ter qualquer controlo. Os dados foram recolhidos entre 2015 e 2016, numa altura em que escândalos como o da consultora Cambridge Analytica ainda não tinham vindo a público.
As empresas, contudo, não se ficam pela análise do comportamento online quando tentam encaixar cada pessoa num perfil de idade, género, preferências, interesses, nível de rendimentos e localização.












segunda-feira, 4 de março de 2019

Momo Challenge: a “mentira” que já se chegou ao Fortnite e à Peppa Pig

Notícia publicada em 1 de março de 2019 em 
Momo Challenge, um desafio que surgiu no ano passado e que volta agora à ribalta através das correntes de partilha no WhatsApp. Entretanto, é também um dos assuntos mais quentes da plataforma YouTube, onde vídeos de Fortnite e da Peppa Pig já foram sinalizados. Tudo começou com uma escultura japonesa, em 2016 que, entretanto, está a ser utilizada para lançar desafios perigosos, ou mensagens inapropriadas.
Em primeiro lugar, “Momo” é a personagem fictícia baseada numa escultura real com contornos inquietantes.
Fortnite Peppa Pig Momo Challenge WhatsApp YouTube
As suas expressão faciais exageradas, os contornos rudes de um bico e os olhos completamente esbugalhados fazem da “Momo” uma visão que não passa despercebida.  Esta mesma personagem estará a ser utilizada no WhatsApp para iniciar conversas aleatoriamente e, caso o utilizador incauto responda, inicia-se o desafio.

O Momo Challange propagou-se via WhatsApp

Após o contacto e conseguindo prender a atenção do contacto visado, o responsável lançaria desafios cada vez mais ousados. Algo que teria como objetivo último levar a pessoa a cometer suicídio, visando sobretudo chegar a crianças. Mentes mais suscetíveis de serem influenciadas pelas redes sociais, WhatsApp, YouTube, entre outras. Contudo, para já não existem vítimas diretamente relacionadas com o Momo Challenge.
Em pouco tempo foi associado ao desafio da Baleia Azul e, tal como este, escondia etapas com automutilação e apologia ao suicídio. Mas, afinal, o que é que é real em todo este caso do Momo Challenge? Em primeiro lugar, a sua rápida propagação, ainda que tudo o demais possa ser considerado uma enorme fake news.
Momo challange whatsApp YouTube desafio Fortnite Peppa Pig
Ainda que muitos dos contornos tenham sido exagerados, o Momo Challenge, de acordo com o DailyMail, o desafio já está a ser veiculado também no YouTube. Mais concretamente através de trechos cuidadosamente inseridos em vídeos aparentemente inofensivos. Em desenhos animados e séries infantis como a Peppa Pig.

Trechos inseridos em vídeos de Fortnite e Peppa Pig

Entretanto, de acordo com a mesma fonte, as alusões e trechos do Momo Challenge também foram encontrados em jogos como o Fortnite, aqui de acordo com o TheSun. A tendência é clara, utilizar os meios e jogos favoritos das crianças. As verdadeiras intenções desta prática são ainda desconhecidas. As reações de alguns pais, por outro lado, não se fizeram esperar.
De acordo com a fonte supracitada, as escolas da Grã-Bretanha estão a encarar esta ameaça como perfeitamente real. Aliás, em comunicado, a Escola Primária de Haslingden, no condado de Rossendale afirma:
Estamos cada vez mais cientes dos vídeos inapropriados para crianças que circulam online e que estão a ser vistos por crianças de toda a escola. Estes (vídeos) estão a aparecer em vários sites como o YouTube (e mesmo no YouTube Kids).
Sun cita o caso específico de um vídeo, entretanto, removido, que começava de forma perfeitamente normal, um episódio da Peppa Pig. Ainda que começasse como qualquer outro episódio, o mesmo continha linguagem inapropriada, apologia ao suicídio infantil. Tudo isto além a divulgação do desafio Momo Challenge.

O YouTube apela à denúncia de vídeos que promovam o Momo Challenge

Tal como alertamos recentemente, estas mensagens continuam a espalhar-se no YouTube. Ainda que a plataforma esteja a tomar uma postura mais severa perante este tipo de conteúdos que violam claramente as suas regras de conduta. Ainda assim, continua a albergar uma ampla discussão sobre o tema.
Assim sendo, a “Momo”, a mulher de cabelos escuros, olhos esbugalhados e feições demoníacas, é uma lenda urbana, um mito. Isso não está sequer em questão. Contudo, tem sido utilizada na plataforma de troca de mensagens e chamadas, WhatsApp, para assustar ou tentar influenciar crianças.
O YouTube explica ainda, em comunicado à CNN que este tipo de conteúdos não é permitido na sua plataforma de vídeos. Além do mais, agradece também o alerta para novas situações como o caso dos vídeos da Peppa Pig e do Fortnite, conteúdo criado para iludir os seus filtros automáticos.

Fortnite, Peppa Pig e outros conteúdos infantis…

O mesmo sucedendo com o YouTube, plataforma em que até conteúdos inócuos como a Peppa Pig ou o Fortnite são usados para corromper a inocência das crianças. Estes foram os casos mais denunciados, mas nada impede que outros formatos e meios sejam utilizados.
O ponto aqui a reter é o seguinte. Há uma nova ameaça bem real ao bem-estar das crianças. Ainda que a sua base possa não passar de um engodo, ou farsa já desmentida pelo relatório da Snopes. Este tipo de mensagens inapropriadas está a circular e pretendemos assim alertar os pais e demais responsáveis pelos menores.
Em suma, a “Momo” é apenas uma lenda urbana, mas isso não invalida o facto de estar a ser utilizada para aterrorizar crianças. Ou mesmo de estar a aparecer em trechos de vídeos da Peppa Pig, ou do Fortnite. Formas ardilosas de chegar à atenção das crianças. Estes sendo os formatos descobertos até ao momento.

O Momo Challenge é questionável, as preocupações dos pais, não!

Entretanto, é igualmente verdade que o caso não gerou vítimas, até ao momento. Este foi o ponto que lhe valeu o rótulo de “fake news” pelo UK Safe Internet Center. Atitude similar foi tomada pelas instituições de caridade, Samaritans NSPCC que, acusaram os media de lançar uma onda de pânico.
Já, por outro lado, as autoridades inglesas estão preocupadas com a situação, respondendo também à crescente onda de consternação social. Aconselham os pais a vigiar atentamente os seus filhos. Sobretudo para a utilização de dispositivos móveis e computador. O melhor, é não facilitar.
Frisando aqui que tanto o WhatsApp como o YouTube continuam a ser as plataformas preferências para a disseminação do Momo Challenge. Por isso, esteja atento a qualquer comportamento atípico do seu filho. A qualquer influência por parte de conteúdos partilhados online.
O desafio pode até não existir. Aliás, é provável que não tenha as dimensões que poderíamos imaginar, mas o seu impacto pode ser bastante real. Nesse sentido, é recomendável uma ação preventiva.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Viu um conteúdo falso no Facebook que se tornou viral? Saiba como denunciá-lo




Artigo de João Tomé para o Dn Insider, publicado em 11 de fevereiro de 2019.


Há muita informação na internet e há quem, em busca de likes, invente ou manipule conteúdos para conquistar popularidade nas redes sociais. Mas há uma forma de denunciar, eventualmente, complicar a vida aos prevaricadores.

A internet é um lugar estranho. Somos inundados como nunca por informação, por factos vários e por conteúdos que depressa se tornam virais e partilhados por milhares de pessoas. Mas, nem tudo é verdade. Há quem faça missão de enganar o máximo número de pessoas, sem apelo nem agravo, nas redes sociais, onde é fácil partilhar conteúdos que nos pareceram interessantes.

Há formas de perceber se um conteúdo tem ou não potencial de ser falso e a maioria tem tudo a ver com o bom senso. A primeira lição passa por perceber qual a origem do conteúdo. Se for de um indivíduo sem historial relevante há mais riscos de poder não ser verdadeiro. Da mesma forma que as notícias que sejam de meios de que nunca ouviu falar e que nunca lhe deram motivos para confiar, podem também ser as chamadas fake news.

Esta semana um conteúdo de um tal Nuno Folgado tornou-se viral evidenciando uma foto de um ator da série Walking Dead, como se fosse um homem em Guimarães com perda de memória. O autor do post público tenta usar o sentido de solidariedade de outras pessoas para que partilhem um conteúdo que é, ele próprio, falso. Até ao momento já mais de 31 mil pessoas partilharam a informação.

Continue a ler AQUI.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

As crianças tornaram-se fornecedoras de imagens para pornografia infantil — sem saberem. A nova tendência preocupa a PJ


DIOGO VENTURA/OBSERVADOR


Notícia de Carolina Branco, publicada no Observador, em 3 de janeiro de 2019.

É uma realidade nova e a que mais preocupa a PJ. Sem consciência dos perigos e com fácil acesso às redes sociais, as crianças partilham cada vez mais imagens íntimas, que acabam na mão de criminosos.

Uma criança começa a chorar ao fundo da sala e o alarme soa para a Polícia Judiciária (PJ). Aconteceu já várias vezes — mais do que o desejável — durante as ações de prevenção que os inspetores da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e a Criminalidade Tecnológica (UNC3T) têm vindo a realizar em escolas. O objetivo é alertar para os vários perigos da internet, mas acabam — também mais vezes do que o desejável — por encontrar vítimas entre as crianças que assistem às ações.

São facilmente detetadas. Não conseguem esconder o desespero, choram e, muitas vezes, abandonam as salas. Identificam-se com o que estão a ouvir e assustam-se com a realidade que os inspetores lhes expõem: que as imagens íntimas que partilham com amigos ou namorados, ainda que em mensagens privadas, podem acabar em circuitos de pornografia infantil; que os utilizadores com quem falam online podem ser criminosos a fazerem-se passar por crianças; que os podem levar a pensar que têm uma relação amorosa, manipulando-os e levando-os a partilhar imagens íntimas; que os podem ameaçar, usando os dados — escola, morada, familiares — que partilham nas redes sociais; que, já na posse das imagens, podem chantageá-los, pedindo-lhes dinheiro sob pena de as divulgarem. E não é coisa de filme, distante ou rara. “Muitas vezes, [as crianças] têm a noção que já o fizeram e questionam-se: ‘Será que esta imagem já foi parar à mão de alguém?'”, explica ao Observador Manuel Coutinho, secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança — que também realiza ações de prevenção, muitas vezes em colaboração com a PJ.

É uma nova tendência, que vem até indicada no Internet Organised Crime Threat Assessment (IOCTA) 2018 — um relatório da Europol que reporta as tendências atuais e futuras do cibercrime, com base na análise de informação dos vários países. O documento aponta mesmo a autoprodução de imagens como uma das razões para o aumento de conteúdos de pornografia infantil detetados. “Nove países membros da União Europeia (UE) sinalizaram um aumento na quantidade de conteúdos autoproduzidos na posse dos suspeitos, com algumas agências policiais a reportar a existência de uma grande quantidade desses conteúdos em sites de partilha de imagens”, lê-se no IOCTA deste ano.

É também a realidade que, neste momento, mais preocupa a PJ, no que diz respeito ao crime de pornografia infantil e que está na origem de várias investigações agora em curso: as crianças tornaram-se produtoras — e fornecedoras — deste tipo de imagens, sem se aperceberem. “A autoprodução de imagens é uma realidade que preocupa muito porque os menores, facilmente, seja entre pares, seja porque estão enganados em relação ao interlocutor, facilmente cedem. E há pouco controlo parental“, diz Pedro Vicente, coordenador da UNC3T da Polícia Judiciária, ao Observador. Mas como é que essas imagens acabam por ir parar a circuitos de pornografia de menores?


Da pornografia de vingança ao grooming. Uma vez na internet, para sempre na internet

A grande mudança chegou não propriamente com as redes sociais, mas com os dispositivos móveis. “Quando surgiram as redes sociais — a primeira com grande dimensão em Portugal foi o hi5 –, as pessoas não punham fotografias porque também não tinham como as tirar facilmente. Hoje em dia, tiramos uma fotografia e, 30 segundos depois, ela está nas redes sociais”, explica ao Observador o inspetor da PJ Ricardo Vieira, que acredita que “os dispositivos [telemóveis] e a internet no bolso” foram os grandes impulsionadores desta nova tendência.

O fácil acesso às redes sociais e o facto de não haver um contacto direto com quem está do outro lado do ecrã desinibem os menores de transmitirem imagens suas. E fazem-no entre eles, cada vez mais — uma das formas como estas imagens chegam aos circuitos de pornografia de menores. Convencidos de que têm um relacionamento, ainda que muitas vezes virtual, partilham fotografias ou vídeos em que aparecem despidos. Mas quando esse relacionamento acaba — ou mesmo quando não acaba –, a troca de imagens entre menores pode culminar numa situação de pornografia de vingança — com um deles a partilhar a fotografia via redes sociais.

Depois, essa partilha torna-se uma bola de neve, que pode acabar em fóruns de pornografia infantil. Embora essas imagens sejam, na maioria das vezes, partilhadas voluntariamente, e embora possam ser distribuídas sem que o objetivo seja introduzi-las nesses fóruns, as mesmas podem acabar nas mãos de criminosos. A frase é um cliché, mas é realmente verdade: uma vez na internet, para sempre na internet. E, partilha atrás de partilha, a probabilidade de uma imagem atingir a um grande número de pessoas é grande. “A partir do momento em que é divulgada, é praticamente impossível de recolhê-la“, explica o coordenador Pedro Vicente, acrescentando: “O que nos preocupa mais é a distribuição, porque tem esta capacidade de divulgar por um núcleo de pessoas desconhecidas, com capacidade de transformar as imagens em prémios.”

E há quem ande à caça desses prémios. Noutros casos, quem está do outro lado do chat pode não ser quem os menores julgam. “Muitas vezes, são criminosos que se fazem passar por pessoas da mesma idade, de sexo oposto ou do mesmo sexo, que usam a engenharia social — conhecem bem os assuntos de interesse dos menores — para convencer as crianças a partilharem imagens“, explica o coordenador Pedro Vicente.

Caso a manipulação não funcione, há outros métodos: ameaçar os menores com a informação que os próprios disponibilizam nas redes sociais. Não é preciso muito. A escola onde estudam, a cidade onde vivem ou quem são os seus familiares são elementos suficientes para intimidar uma criança. Por exemplo: “Sei onde estudas e onde vives. Se não enviares imagens, vou à tua procura e faço mal ao teu irmão mais novo“. Uma vez na posse de uma imagem que seja, os interlocutores usam-na como forma de obter mais conteúdos ou pedir dinheiro, sob pena de divulgarem a imagem que já têm consigo.

De acordo com o IOCTA 2018, mais de metade dos países membros da UE reportaram um aumento do número de casos de coação e extorsão sexual de menores para obter novos conteúdos de pornografia infantil autoproduzidos. Daí que, no verão de 2017, a Europol tenha lançado a campanha #SayNo, com diversos materiais e vídeos — disponibilizados em várias línguas — que expõem a forma de atuação dos atacantes e explicam às vítimas como podem pedir ajuda.

Continue a ler este artigo AQUI.



quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Esta não é uma “notícia falsa”!






Notícias falsas, literacia mediática e outras “estórias”, no último dia da iniciativa “Sete Dias com os Media”, que está a dar mais competências às crianças e aos jovens para se moverem no mundo digital.

Em 30 de outubro de 1938 um programa de rádio provocava o pânico nos Estados Unidos da América. George Orson Welles, um jovem de 23 anos, transmitia uma dramatização radiofónica da novela Guerra dos Mundos, do escritor H. G. Wells. Antes, tinha avisado os ouvintes de que se tratava de uma adaptação da obra de ficção científica que relatava a invasão da Terra por extraterrestres. Apesar do aviso, quem apanhou a transmissão a meio, julgou-a verdadeira.


O episódio, recordado por Maria Emília Brederode dos Santos, presidente do Conselho Nacional de Educação, serviu de mote à discussão, com alunos do Ensino Básico e Secundário, sobre o que são as notícias falsas, conhecidas como fake news, na designação inglesa. O encontro, assinalava o fim da semana “Sete Dias com os Media” que todos os anos, na primeira semana de maio, incentiva escolas, professores, entidades públicas e privadas e todos os agentes educativos a promoverem ações de literacia mediática, ao nível nacional. Por isso, a antiga diretora da programação infantil da RTP fez também uma breve incursão pela história da relação dos públicos com os media: os meios de comunicação social.

Vamos por partes. Em 1957, surgia em Portugal a televisão. E, com ela, muitas incertezas sobre qual o seu impacto nos telespetadores. Receios, por exemplo, que “a pancadaria” dos filmes tivesse um efeito negativo sobre os jovens. Suspeitas de que as eleições presidenciais pudessem ser ganhas pelo candidato que na televisão passasse uma “imagem mais fresca”. A história chega à atualidade.

Com as redes sociais, os receios vão no sentido de perceber os contornos dos monopólios. Já não se fala nas preocupações com os efeitos da rádio e da televisão, onde se foram desenvolvendo regulamentos, “tendo em atenção a necessidade de não beliscar a liberdade de imprensa”, ressalva a presidente do CNE. Agora, o problema da relação com os media coloca-se de outra maneira, “mais complicada porque somos não só consumidores, como produtores”. Publicamos conteúdos na Internet, partilhamos informação e imagens.

Nesta nova realidade, como defender os direitos das pessoas à sua imagem, ao seu bom nome e, ao mesmo tempo, não censurar a liberdade de imprensa? Perante uma plateia de alunos, muitos deles envolvidos no projeto do Ministério da Educação “Líderes Digitais”, que também pretende sensibilizar os alunos para a forma como agem na Internet, Maria Emília Brederode dos Santos, defendia que a resposta passava pela existência de órgãos fiscalizadores, a responsabilização dos jornalistas, ou seja, os profissionais dos media e, claro está, a Educação para os Media. “Nas redes sociais não há regulamentos, não há profissionalismo, porque não somos todos jornalistas, então, é preciso mais sentido de responsabilidade da parte de quem produz e partilha informação.”

Mas estes jovens, que lotaram (porque havia gente de pé), no dia 9 de maio, uma sala da Biblioteca Municipal do Porto, numa tarde soalheira, e ouviram as “estórias” de Maria Emília Brederode dos Santos, aprendem que é preciso usar a Internet com consciência. Quem assume a responsabilidade de ser líder digital, sabe o que tem de fazer, como revelam dois alunos da Escola Básica 2.º e 3.º ciclos de Ílhavo. “Alertamos os nossos colegas sobre os perigos da Internet, mas também para o que ela tem de bom”, resume Maria Bastos, de 13 anos. Ao seu lado, Gabriel Marta, de 12 anos, completa a síntese da colega: “Deparamo-nos, muitas vezes, no dia a dia, com situações em que vemos os colegas irem a sites duvidosos e nós fazemos com que percebam, da melhor maneira, o que é fidedigno e o que não é bom para eles.”

Os alunos são “há muito tempo” utilizadores de redes sociais, como o Facebook, o Messenger, Whatsapp ou o  Instagram, mas é o primeiro ano em que participam no projeto “Líderes Digitais”. Até agora, aprenderam bastante: “Ainda não somos mestres”, ressalva Gabriel. “Mas em relação às fake news, por exemplo, sabemos perfeitamente analisar o que é verdadeiro ou falso e o que é interessante”, acrescenta Maria.

Lígia Azevedo, da Direção-Geral da Educação (DGE), acredita que os alunos portugueses estão a ficar mais competentes em matéria de literacia mediática. Com esse intuito, faz questão de recordar as várias iniciativas que a tutela tem desenvolvido, desde 2004, nesta área. E vai dando, como exemplos, desde o mais recente programa “Incode 2030”, aos “Desafios Segura Net”, ao projeto “Dadus” que, brevemente, será revitalizado, até acabar a lista com o programa “Líderes Digitais”.

“Até agora, foram abrangidos cerca de 400 a 500 mil alunos com esta iniciativa, existe um milhão de alunos, por isso, é uma amostra muito pequena. Mas existem outras vertentes, nomeadamente, estas questões estão integradas no currículo de TIC no 7.º e 8.º anos”, refere a responsável da DGE.

Elsa Maio, professora de Informática e de TIC que também acompanha os líderes digitais, garante que “os temas ligados à educação para os media são muito apelativos para os alunos”. Porquê? A resposta não poderia ser mais óbvia: “Porque abordam os interesses que eles têm para além da escola.” Que são: “As questões ligadas à segurança na Internet. Quando começo a abordar o tema, os alunos prestam muita atenção. Sentem que sabem alguma coisa, mas não estão suficientemente esclarecidos. Também têm os seus receios. E gostam de partilhar as experiências menos positivas e consequências que já sofreram”, responde a professora.

Inimigo do entusiasmo é mesmo o tempo curricular destinado à disciplina: 90 minutos, por semana, durante um semestre, ou 45 minutos semanais, durante o ano. “É insuficiente”, critica Elsa Maio, “não dá para abordar tudo aquilo que gostaríamos”.  Pior: “Também não dá, muitas vezes, para deixar os alunos participarem da forma como eles gostariam.”  

Se agora o tempo voa, o cenário poderá mudar. É, pelo menos, o que deixa antever Lígia Azevedo, da DGE: “Com o novo projeto de autonomia e flexibilidade curricular, as questões de educação para os media poderão ser trabalhadas de outra forma, não só na vertente da disciplina de TIC, no 7.º e 8.º anos, mas também na vertente da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento [a ser lecionada desde o 1.º ciclo até ao 12,º ano] que é transversal e obrigatória.”

Gabriel e Maria frequentam o 7.º ano. Contactam, por isso, com ensinamentos sobre o mundo digital e informático através das aulas de TIC (Tecnologias da Informação e da Comunicação). “Aprendemos coisas básicas, como a trabalhar com o Word e com o PowerPoint, mas que também são importantes”, resume Gabriel. Com o fim do semestre, lamentam ter de ficar à espera do 8.º ano para voltar a ter a disciplina.

No próximo ano letivo, gostariam de poder aprender mais sobre os fenómenos ligados à literacia mediática. “Se as aulas tivessem temas mais interessantes, como as fake news, os sites de phishing, era bom”, sugere Maria. O que não implica que se percam de vista os ensinamentos básicos, argumenta Gabriel: “Temos colegas que têm uma destreza fantástica para jogar jogos e estar nas redes sociais, mas a quem a professora de TIC, neste período, teve de ensinar a usar as letras maiúsculas.”   

Como detetar notícias falsas?

Voltamos ao tema do encontro, organizado pelo Grupo Informal sobre Literacia para os Media. Os líderes digitais do Agrupamento de Escolas de Ílhavo prepararam uma comunicação oral para a assistência sobre as fake news. Entendidas como notícias falsas publicadas na Internet com intenção de desinformar quem as lê. E que, se não são identificadas, vão sendo partilhadas por várias redes sociais. Recebem likes, são twittadas e partilhadas infinitamente. Até que, apesar de serem ficções, um grande número de pessoas começa a acreditar nelas. Um pouco como aconteceu aos ouvintes do programa de George Orson Welles.

Imagine-se o título: “Futebol passa a ser disciplina obrigatória”. Como saber se a notícia é ou não verdade? Os líderes digitais explicam o básico sobre como detetar a falsidade. “Antes de partilhar, convém ler além do título. As notícias falsas exageram nos adjetivos e, muitas vezes, estão cheias de erros ortográficos.” Recapitulando, é preciso não cair na tentação do título apelativo. Seria ótimo, para muitos, ter uma disciplina de futebol na escola. Mas é preciso duvidar do que se lê. E ver se o texto, que surge por baixo, vai ao encontro da informação expressa no título “sensacional”.

Depois, o leitor pode fazer uma verificação rápida para saber quem é o autor da notícia. Ver se existem comentários. Logo, confirmar a fonte, o endereço do site que a publica. O site pode até parecer oficial, mas se é português o mais frequente é terminar em PT. Caso termine noutro domínio é preciso manter as suspeitas.  

Passo seguinte. Se a notícia é mesmo importante – como seria esta de obrigar os alunos a pontapear bolas, durante o tempo letivo –  há que perceber se outros meios de comunicação, como os jornais, a televisão e a rádio, também abordam o assunto. Faz-se uma rápida pesquisa online. A maioria dos órgãos de comunicação têm presença na Internet, através de sites oficiais. Ninguém está a falar na notícia? Isso seria um sinal para estar alerta. Os factos a que se refere são atuais ou antigos? Quando se verifica a veracidade de uma notícia também é preciso ter atenção às datas. Outra hipótese é pensar se poderá ser uma piada? É dia 1 de abril? Não é. Então a verdade está apurada. Ter o futebol como disciplina obrigatória é mesmo uma notícia falsa!     

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Falso namoro no Facebook acaba em chantagem sexual

Photo by Tim Bennett on Unsplash


Artigo de Alexandre Panda para o Jornal de Notícias, em 9 de Junho de 2018.
Carente e sozinha, envolveu-se virtualmente com um desconhecido, através da rede social Facebook e aceitou enviar-lhe fotos íntimas. Acabou por ser chantageada, mas a Polícia Judiciária da Madeira conseguiu prender, em flagrante delito, o indivíduo, de 23 anos, que exigia várias centenas de euros à mulher para não divulgar publicamente as fotos.
O caso iniciou-se há cerca de um mês, quando a mulher aceitou o pedido de amizade do homem, que tinha criado um perfil falso, com nome e fotografias alheios. Nascia assim uma amizade virtual, com muita conversa e partilha de opiniões sobre a vida. Tudo parecia ser real.
Para a vítima, de 30 anos, o homem parecia ser gentil, compreensivo, atento e presente. Esqueceu-se que, através de um nome e de uma fotografia de uma rede social, pode esconder-se todo o tipo de pessoas.
O relacionamento tornou-se tão "intenso", que a mulher acreditou na suposta sinceridade do indivíduo. As conversas de Facebook podiam passar a ser um verdadeiro namoro, genuíno.
Só que o objetivo do homem era outro. Conseguiu convencê-la a despir-se e mandar-lhe fotos nua, nas quais era facilmente identificável.
Quando já tinha fotos suficientes revelou à vítima a sua real face. Exigiu-lhe várias centenas de euros para não as divulgar.
Perante a ameaça da vergonha e de ver lesada a sua reputação, a mulher disse ao indivíduo que iria pagar. Mas, ao mesmo tempo, foi à Polícia Judiciária do Funchal contar tudo.
Os inspetores prepararam então uma operação para deter o indivíduo em flagrante delito, quando este iria receber o dinheiro. Marcaram um encontro na zona de Câmara de Lobos, onde a vítima se deslocou à hora prevista. Apareceu o "namorado virtual" que, mal se dirigiu à vítima, foi abordado pelos inspetores.
Foi quinta-feira levado para o tribunal que o obrigou a seguir um tratamento psiquiátrico e a apresentar-se periodicamente às autoridades.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Parece ficção, mas é escola: conheça novidades tecnológicas que já chegaram à sala de aula

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Realidade aumentada, robôs e inteligência artificial são alguns dos recursos que já começam a ser utilizados na educação
Veja abaixo algumas novidades tecnológicas que já chegaram às escolas:
Passeios pelo mundo e pelo passado
O estudante pode estar dentro da sala de aula de todos os dias, mas graças ao chamado 4D+, visitar o mundo pré-histórico e ver dinossauros. Tudo se movimenta com as características de como seria na realidade, o que permite desenvolver habilidades como observação, comparação, classificação. “A realidade aumentada traz a possibilidade de investigação para a sala de aula que não seria possível de outra forma”, explica a diretora acadêmica da Be – Bilingual Education, Flávia Fulgêncio. Além da chamada realidade aumentada, a Realidade Virtual (VR, virtual reality, em inglês) é outra ferramenta que passou a integrar o leque de estratégias de promoção para o aprendizado do inglês: o aplicativo VR do Google Expeditons leva o aluno a explorar diversas partes do mundo e, a partir dessa experiência, estimula o aprendizado de um segundo idioma, garantem os criadores da metodologia.
Convivendo com robôs…
Faz tempo que eles já vivem entre nós: fabricam os mais variados produtos que consumimos, nos atendem em serviços de telemarketing, aspiram o chão de alguns lugares sem depender de supervisão humana constante. Se no imaginário popular há um temor de que os robôs um dia substituam a humanidade, nas escolas há um entendimento crescente de que os estudantes precisam aprender a dominá-los. Assim, a presença de aulas de robótica dentro de instituições de educação básica vem crescendo e se diversificando. A empresa Mundo4D aposta na adoção de robôs e na oferta de praticidade. Para facilitar a vida dos gestores, leva um laboratório portátil para dentro das dependências escolares, que pode ser usado por crianças a partir de 4 anos. “As escolas têm consciência da importância da inserção do ensino das competências do século 21 no panorama infantil”, afirma André Emil Getschko, fundador da empresa.
… e se divertindo com eles
Os robôs podem ser muito úteis no cotidiano, claro, mas também podem servir apenas para o lazer. Uma das mais tradicionais empresas de robótica educacional do Brasil, a Zoom Education for Life, está lançando alguns projetos competitivos para os robôs feitos pelos estudantes. São as oficinas de Torneio de Futebol de Robôs, de Corrida de Carros e de Conquista Espacial. Cada uma dessas oficinas terá um apoiador de destaque no mercado, de acordo com o seu know-how. Na Oficina de Torneio de Futebol de Robôs, por exemplo, o Instituto Projeto Neymar Jr., em Praia Grande, litoral de São Paulo, patrocinará e sediará uma competição entre os robôs-boleiros dos alunos. “Estamos lançando uma nova plataforma de relacionamento com as escolas, que vai muito além do contexto do currículo escolar e do contraturno. São experiências imersivas, rápidas e inspiradoras”, diz Rafael Bonequini, diretor da Zoom. Mas ainda que as lesões robóticas possam ser rapidamente arrumadas com soldas e parafusos, Neymar já avisa que nenhum robô vai substituí-lo na Copa.
Tudo conectado
Para o mundo de amanhã, quando os hoje estudantes terão de se tornar pessoas economicamente produtivas, dominar os robôs e se divertir com eles ainda parece pouco. Será preciso receber informações e dar ordens a distância para todos os objetos que nos cercam, de câmeras de segurança a geladeiras, de impressoras a cafeteiras, e sabe-se lá mais o quê. Assim, outro conteúdo que passa a entrar nas grades escolares é a Internet das Coisas, ou IOT, sigla para a expressão em inglês Internet of Things. A Happy Code, escola de tecnologia que já se destaca por oferecer programas pioneiros para Youtubers e Robótica com Drones, está lançando cursos desta nova categoria. A empresa garante que o curso “Internet das Coisas” promove um aprendizado prático e divertido, que desenvolve também a criatividade dos alunos. Outra empresa que passa a incluir IOT em seu portfólio é a Microduino, que usa a nova versão do software Scratch para conectar os objetos ao redor.
Tudo “pensando” sozinho
Blocos de montar podem ser programados para executar tarefas de forma autônoma. Podem ser conectados à internet para enviar dados que coletaram e receber novas instruções. E a última fronteira é fazê-los pensar sozinhos. Mas um sistema de Inteligência Artificial (IA) precisa primeiro que alguém lhe ensine a tomar decisões. Antes que um humano possa ensinar a “máquina”, ele precisa aprender como fazer isso. Mais uma vez, parece que cabe às escolas o papel de ensinar quem vai ensinar o computador a pensar. Empresas terceirizadas já começaram a responder a tal expectativa. Nos cursos da Happy Code, os estudantes passarão a fazer uso prático do Watson, a plataforma de IA da IBM. A Microduino também incluiu em seus programas exemplos de aplicações focadas em Inteligência Artificial. O mundo está ficando mais complexo – e as escolas também.
Artigo publicado no site www.revistaeducacao.com.br, em 16 de maio de 2018