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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

As 12 coisas que precisa mesmo de apagar do seu Facebook



Com o passar dos anos, a quantidade de informações pessoais que ficam acumuladas nas redes sociais pode ser assustadora. Faça uma ‘limpeza’ ao seu Facebook. Saiba quais as 12 informações a retirar.

1. Data de aniversário
Se ao seu nome, juntar o seu endereço e ainda a sua data de nascimento, pode facilitar muito o trabalho de quem quer aceder à sua conta bancária e a outros detalhes pessoais.


2. Contacto telefónico | Ao disponibilizar o seu número de telemóvel na sua página do Facebook, está a correr alguns riscos. Pode ganhar um admirador educado ou, no pior dos cenários, pode ver a sua privacidade violada (por um stalker, por exemplo). 


3. Grande parte dos seus 'amigos' | Robin Dunbar, psicólogo, defende que cada ser humano consegue manter apenas 150 relações interpessoais estáveis. Acredita ainda que também apenas uma percentagem mínima dos amigos virtuais de cada utilizador será confiável e são poucos os que lhe vão demonstrar simpatia durante uma crise emocional. Apague os restantes da sua rede amigos virtuais, isso irá contribuir para uma interação online mais saudável.


4. Fotografias dos seus filhos ou de outras crianças da sua família | Defenda os interesses dos seus filhos. Pergunte-se sobre qual o tipo de informação que as crianças querem ver publicadas online, sobre si mesmas, no futuro.


5. A localização da escola dos seus filhos ou de outras crianças da sua família | A última coisa que quer é dar uma oportunidade para que um agressor sexual descubra qual a escola que o seu filho frequenta.


6. Serviços de localização | Em 2015, o TechCrunch, um website sobre tecnologia, afirma que 500 milhões de utilizadores acederam à sua página do Facebook exclusivamente através do seu smartphone, que dispõe de serviços de localização. Esse mesmo número de utilizadores potencialmente transmitiu a sua localização. Quer mesmo que todos saibam onde o podem encontrar?


7. O seu chefe | O Facebook é uma rede social onde as pessoas comunicam umas com as outras de uma forma, mais ou menos, informal. No mural de cada utilizador são publicadas fotos, partilhados vídeos e, por vezes, desabafos. Não se esqueça que, se não tomar as devidas providências, o seu chefe pode encontrar as suas publicações. Será que o seu superior pode ler as suas reclamações sobre o trabalho?

8. Pare de colocar a localização das suas publicações | Evite riscos e não divulgue o lugar onde tirou as suas fotos, vídeos e publicações. Por vezes, pode chegar a divulgar a sua morada, sem que seja essa a sua intenção, mesmo que coloque só a palavra "casa" no local destinado à localização da sua publicação.


9. O dia e o destino das suas férias | De acordo com o site financeiro This is Money, os turistas assaltados durante as suas férias podem correr o risco de não receber o montante do seguro, no caso de terem publicado o plano e o roteiro da sua viagem nas redes sociais.

10. O seu estado civil | Proteja a identidade do seu parceiro e a vossa privacidade. Pense que se voltar a ficar solteiro, alterar o estado civil na sua página do Facebook, pode ser algo doloroso.

11. Detalhes do seu cartão de crédito | Divulgar os dados do seu cartão de crédito no mural do seu Facebook não pode ser uma boa ideia, em nenhuma altura e em nenhum lugar do mundo. Apenas com alguns números qualquer pessoa pode fazer compras e transações online da sua conta bancária, deve por isso ser cuidadoso com os seus dados. Não publique fotos do seu cartão de crédito.


12. Fotografias do seu bilhete de avião | Não publique o seu cartão de embarque nas redes sociais. Evite expor as suas férias para o bem da sua privacidade e para evitar outros riscos. Já pensou que o código de barras do seu bilhete é único e através dele é possível aceder a informações exclusivas que forneceu à companhia aérea.


Fonte: DN Insider em 14 agosto 2018

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Dia da Internet mais Segura: hoje o dia é dedicado à segurança e aos direitos humanos



Artigo publicado no site Sapo TEK, em 5 de fevereiro de 2019.


A data é assinalada um pouco por todo o mundo com atividades em mais de 140 países. Em Portugal o Centro Internet Segura coordena várias iniciativas, mas há atividades para todos os gostos distribuídas pelo país.

A data do Safer Internet Day, ou Dia da Internet mais segura, é assinalada todos o s anos a 5 de fevereiro com programas vários destinados à sensibilização para o tema da segurança, com um foco bastante marcado nas populações mais vulneráveis, especialmente as crianças mas também os séniores.

Este ano o tema escolhido é “Online pelos Direitos Humanos”, e uma das iniciativas centrais vai decorrer na Madeira, num evento aberto ao público no Funchal, na Reitoria da Universidade da Madeira. O programa tem apresentações e debates mas também a apresentação da peça de teatro “ID, A tua Marca na NET 2.0”.

Durante o evento, serão entregues os Prémios "Selos Segurança Digital”, que certificam as Escolas ou Agrupamentos escolares no âmbito da melhoria da segurança digital, e os prémios "Desafios SeguraNet”, que distinguem Escolas do ensino básico que respondem a vários desafios lançados ao longo do ano letivo sobre temas ligados à cidadania digital.

O Centro Internet Segura vai ainda divulgar os vencedores do Passatempo “#jovemMaiseguronanet”, que desafiou jovens a criarem cartazes originais que alertam para o uso responsável da internet.

A divugação de temas de segurança vai estender-se durante o mês de fevereiro e está ainda previsto o lançamento da série “Zig Zaga na Net”, um projeto de 30 episódios de conteúdo áudio sobre cidadania digital que será emitido na Rádio Online ZigZag. Este é uma nova ferramenta produzida pelo Centro Internet Segura da FCT em parceria com o Centro SeguraNet da DGE — Direção-Geral da Educação do Ministério da Educação, no contexto das suas atividades de prevenção para uso responsável da internet.

A DECO também se junta a este movimento e com a Google está a promover a segunda edição da campanha NET Viva e Segura que pretende ajudar os jovens a navegar online de forma mais segura. A linguagem é muito próxima da dos jovens e aborda os temas da privacidade, com conselhos e recomendações sobre as formas como podem proteger-se.

A próxima conferência Net Viva e segura realiza-se a 7 de fevereiro no Porto.

Hoje assinala-se o Dia da Internet mais Segura, mas ainda há muito desconhecimento e indiferença sobre os riscos e ameaças que estão à espreita durante a navegação online. Ao longo do dia, o SAPO TEK tem diversos artigos sobre a temática, entre os comportamentos dos portugueses, dicas para aumentar a segurança online e diversos relatos de especialistas. Acompanhe todos os artigos sobre o Dia da Internet mas Segura aqui.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Leia o artigo "A influência familiar nas atividades digitais das crianças portuguesas"


Na Revista Científica Educação para o Desenvolvimento, n.º de julho de 2018, consta este artigo de Cristina Ponte, Teresa Castro e Susana Batista sobre a influência da família nas actividades online dos filhos.  Pela sua relevância, separámos este artigo para que o possa ler aqui. Clique nas imagens para aumentá-las.












Depois do “Baleia Azul”, desafio sinistro “Momo” chegou este ano a Portugal



Artigo de Marta Leite Ferreira para o Observador, em 10 de Novembro de 2018.

Uma pessoa aderiu este ano ao desafio viral Momo. É o primeiro caso do jogo registado em Portugal, depois do Baleia Azul. Lá fora, vários casos terminaram em suicídio por enforcamento.

Foi registado um caso de adesão ao desafio online Momo em Portugal, confirmou ao Jornal de Notícias o Comando Territorial de Coimbra da Guarda Nacional Republicana (GNR). “Momo” é um nome de uma figura sinistra que envia conteúdos violentos a jovens através do WhatsApp e do jogo Minecraft. Este é o primeiro registo desse jogo em Portugal e é tornado público quatro meses depois de a Polícia de Segurança Pública (PSP) ter alertado para este desafio, que no estrangeiro já foi responsável por vários suicídios.

O desafio começa quando alguém adiciona um determinado contacto, que começa com o indicativo +81, à agenda do telemóvel. Nesse momento, a pessoa recebe imediatamente a fotografia de uma mulher com olhos esbugalhados, pele pálida e sorriso rasgado chamada Momo. Essa personagem representa uma escultura de mulher-pássaro que esteve em exposição numa galeria japonesa em 2016.
Depois, a vítima começa a receber imagens violentas e ameaças dirigidas a ela e à família. A seguir, Momo desafia os atingidos a suicidarem-se. De acordo com as explicações da PSP ao Jornal de Notícias, os primeiros registos do desafio foram reportados na Rússia, mas rapidamente expandiram para o México, Colômbia, Brasil, Argentina e França. Há casos de adolescentes que cederam ao desafio e se suicidaram, quase todos por enforcamento. Agora, o caso é registado em Portugal pela primeira vez. As autoridades não quiseram dar pormenores.
Este é o desafio viral que substituiu a Baleia Azul, outro jogo em que a vítima era persuadida a completar várias metas, a última das quais o suicídio. Ao Jornal de Notícias, a PSP afirmou que houve dois casos de Baleia Azul em Portugal ao longo deste ano, ambas na área do Comando de Lisboa. Em setembro, uma rapariga de 9 anos caiu de um segundo andar em Sintra e as autoridades encontraram indícios de que ela estava dentro do jogo Baleia Azul. A Polícia Judiciária está a investigar o caso.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Menino morre a realizar desafio do Youtube que incentiva jovens a sufocar-se

Photo by Carlos Arthur on Unsplash



Notícia publicada no jornal Correio da Manhã em 23 de outubro de 2018.



"Choking Challenge" nasceu na plataforma de vídeos e está a tornar-se um fenómeno perigoso entre as crianças dos EUA.

Carson Bodkins, um menino de 11 anos, morreu enquanto realizava o "choking challenge" ("desafio do sufoco" em português), uma nova prática perigosa e viral que nasceu no Youtube e que tem atingido várias crianças nos EUA. A notícia foi confirmada pela própria família do menino, que vivia em Elizabeth, no Colorado. 


Este "jogo", considerado perigoso para a comunidade infanto-juvenil, encoraja os jovens a sufocarem-se a si próprias até perderem os sentidos, e em último caso, a própria vida. 

O menino foi encontrado desfalecido deitado em cima da cama do quarto pela mãe, Tia, que revelou ao The Mirror que a criança se sufocou a si mesma. Agora, os pais da vítima querem alertar outros progenitores para os perigos da Internet e para a importância de prestar atenção aos sinais demonstrados pelos filhos. 

A mãe de Carson, devastada, explicou que naquele dia pensava que o filho estivesse a preparar a mala para uma viagem de família que iam fazer. Como este nunca mais descia, decidiu ir até ao quarto. Quando lá chegou já era tarde de mais: o menino já estava sem sentidos e a perder os sinais vitais. 

"O cérebro dele ficou muito tempo sem oxigénio, então ficou com danos irreversíveis (...) Ainda estamos em choque. Não compreendemos como isto aconteceu...o meu filho era cheio de vida. Era mesmo um bom ser humano", disse. Carson ainda foi levado para o hospital, onde acabou por morrer dias depois. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

terça-feira, 31 de julho de 2018

Momo é o novo desafio que pode colocar em risco crianças e adolescentes



Artigo de Jorge Freire para o blog Nerd Pai, publicado em 24 de julho de 2018.


Ontem, o Padawan e seu amigo, começaram a ver um youtuber que eu nunca tinha visto em toda minha vida. Nessa hora meu sentido de aranha apitou, parei o que estava fazendo e prestei atenção no que o moleque estava falando no vídeo.

Ele estava mostrando um novo desafio online chamado Momo. Esse desafio consiste em adicionar, no WhatsApp, um contato com o suposto número do Momo e aí iniciar uma conversa. Fotos e videos perturbadores são enviados pelo Momo.

O tal do Momo usa a imagem de uma estátua que fica em Vanilla Gallery em Tóquio, Japão e é bem parecida com a Samara Morgan, do filme "O Chamado":





Segundo o CyberHandbook , somente no Brasil 62 milhões de pessoas foram vítimas de cibercrimes em 2017, o que representa 61% da população adulta com acesso à internet. Entre crianças e adolescentes, esse número aumenta: Cerca de 80% dos pais não têm ideia dos conteúdos acessados pelos filhos diariamente na internet, o que os coloca em uma posição vulnerável.

Aqui entra o que eu SEMPRE falo em todos as minhas redes: Os pais tem o DEVER de monitorar o que seus Padawans estão fazendo nas redes sociais. Não podemos usar a TV, smartphone, computadores e tablets como babás. O monitoramento tem de ser contínuo, pois só assim podemos previnir problemas.

Converse com o seu Padawan. Pergunte se ele conhece esse desafio do Momo. Crie um canal de comunicação com ele pois, só assim, podemos evitar que o mal entre em nossas casas.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

'Fique amigo dos pais': polícia revela mensagens trocadas por abusadores de crianças

iStock

Artigo de Juliana Carpanez para o UOL, em São Paulo, em 27 de julho de 2018.

"Fique amigo dos pais." A dica foi transmitida por alguém experiente, via email, a um homem que planejava abusar de crianças. As oportunidades surgiriam ao "interessado" quando ganhasse a simpatia e a confiança dos adultos. Era assim que ele cometia abusos, oferecendo em troca presentes, sorvetes e passeios no shopping para as vítimas, que ficavam sob seus cuidados com o consentimento dos pais. Culpados por aceitarem os agrados e por conhecerem o agressor, os menores dificilmente o denunciariam -estas vítimas, posteriormente identificadas, eram cinco garotos com idades entre sete e 13 anos.

A conversa está entre as inúmeras mensagens de email investigadas durante a operação Moikano, deflagrada em meados de 2015. Foram 13 prisões em flagrante. Entre elas, a do homem responsável por fornecer a dica acima e a de outro que abusava dos próprios filhos. Depois, como resultado da mesma investigação, foi detido um palhaço animador de festas infantis. Não dá para chamá-los de pedófilos, pois este é um termo médico que exige avaliação de especialistas. Porém é possível dizer que são todos criminosos, porque as ações sexuais cometidas contra crianças estão previstas em lei".

Continue a ler AQUI.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Entrevista a uma hacker: “O envio de fotos íntimas é sempre inseguro”

Photo by Jay Wennington on Unsplash



"Ana Santos é uma hacker profissional e vive a testar sistemas de segurança. Leia uma entrevista que deve deixar-nos alerta. E preocupados.

O uso de fita adesiva nas câmaras dos portáteis é justificado, em 2018 já não se admite que as palavras-chaves sejam básicas e simples de adivinhar, e são cada vez mais os riscos associados à falta de proteção no meio online. Quem o diz é Ana Santos, 28 anos, natural de Lousada, mas que reside agora em Lisboa a trabalhar na área da segurança informática.

Ana é uma hacker ética e grande parte do seu trabalho passa por monitorizar a infraestrutura informática da empresa onde está empregada, onde também aposta em medidas de prevenção contra possíveis ataques ou vulnerabilidades. À MAGG não só respondeu a 21 perguntas acerca do seu trabalho, como também contou como foi singrar num meio tipicamente masculino. E revelou ainda qual é a forma mais frequentemente utilizada para roubo de informação pessoal.

(...)

Qual é a forma mais usada para roubo de informação?
A engenharia social, que dita que o elemento mais vulnerável de qualquer sistema de segurança é o ser humano. Precisamente porque possui traços comportamentais e psicológicos que o torna suscetível a ser vítima de um ataque informático. O simples facto de ir na rua e alguém lhe pedir os seus dados para uma promoção fantástica onde é possível vir a ganhar não sei o quê, é uma forma muito simples de um ataque à base de engenharia social.

A partir do momento em que fornece aqueles dados, a sua segurança e privacidade está automaticamente posta em causa já que perdeu o controlo total acerca da forma como aquela informação poderá vir a ser utilizada no futuro.

Lembro-me que quando me encontrou no Facebook, disse-me que nunca se devia colocar o local de trabalho visível no perfil. Porquê?
Costumo fazer sempre uma espécie de jogo nas formações que dou. Olho para a lista de presenças, vejo os nomes de todos os presentes e vou ao Facebook procurar por eles. Além dos nomes, procuro também pelo nome da empresa onde estão empregados e facilmente os encontro. Depois é só uma questão de confirmar os dados através de outras redes sociais — como o LinkedIn — e como é óbvio a informação está lá toda o que me permite ficar a saber tudo acerca daquele indivíduo que, há coisa de cinco minutos, não fazia ideia quem era.

Mas como é que essa informação é usada em engenharia social?
Imagine que faço um levantamento exaustivo sobre si. Sei onde passou férias e onde trabalha. Dirijo-me à sua empresa com um cartão falso de funcionário e digo que sou nova na empresa. Geralmente todos aproveitam o tempo de pausa para ir almoçar ou para vir fumar um cigarro cá fora e eu faço uso disso para meter conversa consigo. Digo que sou nova na empresa e estamos durante um bocadinho a falar. Eu finjo que não sei nada sobre si e a conversa flui livremente, até que chega à hora de entrar no edifício e eu não consigo — já que o meu cartão não é real.

O segurança, por ver que tenho um cartão exatamente igual ao de outros funcionários, abre a porta — numa empresa com dezenas de pessoas é muito improvável que seja capaz de memorizar caras. Depois é uma questão de chegar ao departamento onde me desejo infiltrar, e é tão fácil como pedir indicações. Ninguém vai desconfiar ou negar a entrada, precisamente porque sou nova na empresa e fiz uso de toda a informação que descobri previamente sobre si para conseguir passar da porta da entrada.

Acha que as pessoas subestimam os perigos da falta de segurança nas redes sociais?
Sim, são cada vez mais os casos de rapto ou desaparecimento de miúdos porque foram criados perfis falsos de Facebook para atrair crianças através do mais variados pretextos.

Há informação suficiente acerca dos perigos?
Não há informação suficiente e as pessoas não estão formadas. Além de darem a sua segurança como garantida, não fazem o mínimo esforço para camuflar um bocadinho das suas vidas privadas. Parece que não há filtro e tudo de domínio público, o pior é que há muita gente que faz vida do uso indevido dessa informação.

Quão inseguro é o sexting e o envio de fotografias íntimas?
O envio de fotos íntimas é sempre inseguro. Nunca se sabe quem é que vai conseguir entrar no computador ou no telemóvel ou, pior, o que vai acontecer a essas fotografias depois de enviadas. É um bocadinho o que acontece com a instalação de aplicações no telemóvel. São muitas as pessoas que, ao instalar uma determinada app, não questionam tudo aquilo a que passa a ter acesso.

Porque é que uma simples aplicação de efeitos de fotografias, por exemplo, tem de ter acesso à câmara, ao microfone e aos contactos do telemóvel? Quase ninguém se questiona e aceitam simplesmente tudo o que lhes é apresentado.

O armazenamento na nuvem é seguro?
Não quero desenvolver muito porque ainda é um tema que causa muita discordância entre muitos dos profissionais da área. Eu, pessoalmente, fujo sempre de alguns dos serviços mais conhecidos e usados — como a Dropbox ou a Google Drive — e ainda sou daquelas pessoas que usam discos rígidos para guardar toda a informação pessoal. A cloud ainda não me convenceu porque na verdade nunca sabemos bem onde é que os nossos dados estão guardados e quem é que pode ter acesso a eles.

E os serviços que dizem encriptar as nossas mensagens e torná-las privadas? É mesmo assim?
Creio que para nós, que trabalhamos na área, é difícil confiar a 100% no que nos dizem. Por vezes só o fazemos quando existe um certificado que dita que aquele serviço é totalmente seguro, mas também não podemos viver num mundo à parte. Pessoalmente, gosto muito de usar o WhatsApp, que foi um dos serviços a encriptar as mensagens enviadas e recebidas entre utilizadores — o que significa que supostamente estão livres de olhos alheios.

No entanto, o serviço foi comprado pelo Facebook… e não sei bem até que ponto é que nos estão a dizer toda a verdade.

(...)

Qual é a melhor forma de preservar a segurança de alguém online?
Uma vez li uma frase que dizia qualquer coisa como: “Se não é capaz de estampar uma t-shirt com aquilo que está a pensar, porque haveria de o publicar em plataformas online?” Acho que é um bocadinho por aí.

(...)

O utilizador continua a ser o maior obstáculo à sua segurança?
Sim, e é por isso que, para mim, é essencial formar pessoas. Quanto mais informação houver, mais seguras as pessoas vão estar. Já o disse e volto a repetir: muitas das pessoas dão a sua segurança como garantida. Não sabem quando foi o último grande ataque informático e nem questionam se podem ou não ter um vírus instalado no computador. Simplesmente assumem que não e não se preocupam mais com isso.

Qual é a melhor password?
Não há uma password ideal, mas aquelas que demoram mais tempo a descobrir são as melhores. Há várias formas para criar uma palavra-passe forte, como escrever uma frase e alternar entre números, caracteres especiais — como parêntesis, arrobas ou pontos de exclamação — e colocar as letras em caixa alta e caixa baixa. Tudo o que seja mais difícil de descobrir é suficiente. E qualquer coisa é melhor do que a típica chave “123456”.

Ainda faz sentido meter fita adesiva na câmara da portátil?
Sim, sem dúvida. Eu uso e não me arrependo. É muito fácil ser estabelecido um acesso indevido às câmaras dos computadores e muitas vezes as luzes das câmaras não são acionadas para que o utilizador não desconfie. Desde usar fita adesiva ou aquelas tampas que colam ao ecrã, tudo serve.

Caso contrário, costumo sempre dizer às pessoas com quem falo para não irem para a casa de banho ou se despirem em frente ao computador. Tudo por uma questão de privacidade. Não custa nada prevenir".

Excerto de entrevista por Fábio Marins para MAGG, em 2 de junho de 2018.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

O “hacker mais valioso” do mundo só pensa em proteger Portugal

André Baptista, fotografia de Paulo Pimenta


Texto de Renata Monteiro para o jornal Público, em 23 de abril de 2018 


André Baptista, 24 anos, sagrou-se o “hacker mais valioso” num concurso internacional de cibersegurança. Por cá, é capitão de uma equipa de hacking e investigador da UP. Recebe propostas de "valores absurdos", mas ainda não quer sair. Pelo menos para já.

O professor começava a aula e era imediatamente interrompido pelo barulho da drive dos CD que não parava de abrir e fechar. E André Baptista, agora com 24 anos e desde final de Março o "hacker mais valioso" do mundo, escondia o riso quando via o informático da escola entrar na sala e errar o diagnóstico da avaria. Aí, tinha de se levantar e admitir que aquilo acontecia “simplesmente devido a um código que tinha posto”. “A sério que dá para fazer isso?”, questionava-o de volta o informático.


Esta é, aliás, uma pergunta que o mestre e investigador em Segurança Informática no Inesc Tec ainda ouve com bastante regularidade. Até porque continua, todos os dias, “a fazer algumas brincadeiras”, mesmo que agora já não as faça a brincar — nem tampouco consiga enganar facilmente os colegas.


No Centro de Competências em Cibersegurança e Privacidade (C3P) da UP, André Baptista ajuda, por exemplo, a desenvolver e testar “aplicações seguras de comunicação para o Governo”, a fazer a “peritagem de computadores ou telemóveis enviados pela Polícia Judiciária” e colabora regularmente com o Gabinete Nacional de Segurança ou com a Comissão Nacional de Protecção de Dados, conta ao P3 à entrada do centro, sediado na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), onde quase toda a gente tem as duas câmaras do telemóvel tapadas com adesivos.


Mas a sua principal estratégia de ataque, de momento, tem como alvo a equipa de hacking que treina alguns andares acima, numa sala onde a chave é virtual — para entrar, é preciso resolver um código que está colado na porta e que depois remete para um formulário onde os estudantes se podem registar na Extreme Security Task Force (xSTF).


André Baptista é, quase desde a formação da equipa, o capitão que dá aulas aos cerca de 15 estudante mais activos. Embora “não seja a típica sala escura que se vê nos filmes” — até porque ali não há "o estereótipo do hacker de capuz", a trabalhar na clandestinidade —, treinam à noite (mas só porque a equipa funciona como actividade extracurricular), normalmente duas vezes por semana. E todos os fins-de-semana há “pelo menos um concurso” à distância em que a equipa pode escolher participar ou não, a partir daquela base.


No ranking que posiciona mais de nove mil equipas espalhadas por todo o mundo — e que “pode ser interpretado como um bom indicador do nível de cibersegurança de um país” —, a xSTF surge em 67.º lugar e o objectivo é “chegar cada vez mais longe”. “É muito divertido porque funciona como se fosse um jogo: temos pontos que contam para o campeonato internacional, participamos em equipas e o objectivo é resolver verdadeiros quebra-cabeças”, explica.


Em fim-de-semana de jogo, que é como quem diz nas 48 horas que pode durar uma competição de cibersegurança a nível internacional, chamadas Capture the Flag, a sala da equipa universitária, que reúne alunos também de Física e Matemática, enche-se de pizzas e a máquina de café não pára de pingar, até porque há quem não durma até terminar o tempo.


Três membros da equipa acabam de chegar de Amesterdão onde estiveram a participar num desses desafios nos quais “simulam uma autêntica ciberguerra”, que deve ser combatida com “espírito de entreajuda”, ao contrário do concurso em que o capitão se sagrou Most Valuable Hacker. Aí, durante oito horas, André teve de descobrir sozinho falhas em softwares reais.


O hacker português foi um dos 25 especialistas convidados a atacar a Mapbox — com a autorização da empresa e a partir da própria sede da plataforma de mapas personalizáveis, em Washington, D.C., nos Estados Unidos da América, a 24 e 25 de Março. É este o modelo da H1-202, a competição internacional organizada pela HackerOne, comunidade de hackers e líderes em segurança informática “que surgiu para tornar a Internet mais segura” e onde participou também outro português, José Sousa, estudante de mestrado na UP. Nestes eventos privados, onde os portugueses conseguiram entrar devido aos bons resultados de uma primeira prova online, as empresas registam-se e pagam para, de forma totalmente legal, ter “os melhores cérebros da área” a tentarem descobrir falhas nas suas plataformas.


Baptista faz a analogia com a segurança física de um edifício. Se um atacante “só precisa de uma janela aberta para atacar”, quem está a defender “precisa de ser ainda melhor a atacar”, porque lhe cabe “garantir que nenhuma janela seja aberta”. Esta táctica de crowdsource é “muito vantajosa para as empresas” porque resulta “na descoberta de falhas com bastante severidade que têm sempre impacto no negócio”, acredita.


Durante a competição, com um prémio total de 100 mil euros, ele descobriu cinco vulnerabilidades: duas com pouca gravidade, outras duas médias e uma crítica “muito interessante”. Foi a “criatividade” com que descobriu esta última, um dos critérios da competição, bem como a interacção positiva com os outros concorrentes, que lhe valeu um prémio monetário no valor de 7300 euros, e o título de mais valioso (provado pelo cinto que se vê numa das fotografias), apesar de no ranking que ordena o número de falhas encontradas ter ficado apenas em sexto lugar. A vitória deu-lhe ainda um passe para entrar na lista de convidados dos próximos eventos privados da HackerOne.


“Não posso explicar muito bem o que fiz, porque a Mapbox não me deixa”, ri-se — mas deixa escapar. “Consegui fazer com que o servidor me enviasse um token administrativo", um privilégio que lhe deixaria as portas abertas para aceder a "toda a gestão da empresa, desde o site aos dados dos clientes a que, supostamente, apenas um número de pessoas muito restrito dentro da empresa teria acesso.”


No total, por ano, o investigador natural de Coimbra, onde fez a licenciatura antes de rumar ao Porto, estima participar em 50 concursos, maioritariamente em equipa. O “hacker mais valioso” do mundo garante que, para já e apesar das propostas “muito tentadoras” que lhe têm chegado de empresas privadas, quer continuar na área da investigação a “desenvolver coisas por cá”. “Além disso, o meu trabalho [que faz pro bono] é também tentar levar a xSTF a competições do mais alto nível como a Def Con CTF”, o equivalente à taça do mundo do hacking, cujo apuramento das dez equipas finalistas é já em Maio.



Retenção de “cérebros” em Portugal

Mesmo antes do investigador pensar em iniciar o doutoramento, Luís Antunes, director do departamento de Ciências dos Computadores da FCUP e do C3P, quer “segurá-lo como docente”. Tarefa árdua quando pesadas as propostas “de valores alucinantes” que o jovem de 24 anos recebe, de empresas portuguesas e estrangeiras, com que a administração pública “não tem capacidade financeira para concorrer”.


“Neste momento, tenho dúvidas muito sérias de que algum doutorado em Portugal tenha o conhecimento específico que ele tem na área da cibersegurança”, afiança o director que o convidou a entrar na equipa de hacking que a universidade “apoia totalmente a todos os níveis” e acredita “ajudar na capacitação de estudantes que podem colmatar lacunas grandes no mercado”. “É o ambiente mais próximo do real que se consegue simular e é um ambiente competitivo”, diz, o que “tipicamente agrada a esta geração”.


“Nesta área, o valor está nas mentes que brilham e isso pode desequilibrar a dimensão de um país”, afiança. Em Portugal, “termos cinco, dez cérebros destes, e podemos competir de igual para igual com países com cem milhões de habitantes". "Agora, temos é de ter uma estratégia de retenção destes cérebros cá”, conclui, dizendo que muitos dos 75 alunos que passaram pelo mestrado em Segurança Informática nem chegam a terminar a dissertação antes “de o mercado os vir buscar”.


Para já, ainda conseguem manter André Baptista como aliado e acreditam que, se sair, nunca passaria para o lado sombrio da força — afinal, até quando pregava uma partida inocente ele acabava por confessar.


Pergunta e resposta

#DeleteFacebook: sim ou não? 
Eu continuo a utilizar o Facebook. Foi um pouco escandaloso o que aconteceu [com a Cambridge Analytica], mas a mim não me surpreendeu muito. O importante é os utilizadores terem a noção que o que publicam é público, e que estão quase a vender os seus dados. Se aceitarem isto, com consciência, então sim. Até porque hoje em dia é muito difícil fugir ao Facebook [risos].

Post it a tapar a webcam: sim ou não?
Eu não uso, mas é porque uso um adesivo próprio. Nós tapamos todos a webcam. Existem formas de filmar sem acender a luzinha; é uma das principais preocupações que as pessoas deveriam ter. Porque é relativamente fácil fazê-lo. Claro que eu nunca iria espiar quem quer que fosse.

"Hactivismo": sim ou não? 
Lá está, o “hacktivismo” está no meio. Não é aquele black hat (“chapéu preto”) para roubar directamente as pessoas, mas é utilizar estes conhecimentos para exprimir uma opinião política, ou o que seja [outras formas de activismo]. Se bem que isso também é ilegal, portanto, também nunca encorajei nem participei em actividades dessas (e muito menos actividades criminosas mais graves). Eu sou um “chapéuzinho branco”, sou investigador de segurança, gosto de fazer as coisas, mas não gosto de correr o risco de ir preso. E, com alguma dedicação, dá para tirar valores se calhar até superiores aos dos black hat. Compensa, neste momento, utilizar estes conhecimentos para o bem.

Defendes com garras a ética na segurança informática. Achas que o conceito de hacker está mais desmistificado?
Ser hacker não é uma profissão, é um mindset. É querermos resolver as coisas de maneira diferente e desenvolver soluções para proteger as pessoas, empresas, países onde cada vez mais existe a necessidade de prevenir estas vulnerabilidades. É por causa de pessoas como eu, que fazem o que eu faço, que se pode no dia-a-dia utilizar as contas do email e das redes sociais na Internet, por exemplo, onde a segurança é um requisito fundamental, neste momento. As pessoas começam a ficar mais consciencializadas para o que é a segurança dos próprios dados e começa a falar-se mais nisto. Um ataque que deu muito que falar foi o Wannacry, o ano passado, por exemplo. Acho que as pessoas cada vez mais percebem isto e esquecem a ideia do tipo de capuz, numa sala escura a trabalhar sozinho e a participar em actividades criminosas, com o risco de serem apanhados e irem presos. Nós dificultamos o trabalho a estas pessoas mal-intencionadas. O que nos dizem no mestrado e nos concursos é que nós podemos realizar testes de penetração a autoridades e empresas, no entanto, não podemos utilizar estes conhecimentos para actividades criminosas. Se algum aluno daquele mestrado utilizar esse tipo de conhecimentos para o mal, desde logo nenhum o faria, mas se eventualmente algum o fizesse, seria uma vergonha enorme e poderia ser expulso. Nós repudiamos mesmo esse tipo de actividades e tentamos passar sempre a ideia ética na segurança informática. Isto é, ter consciência que nós podemos fazer isto e divertirmo-nos, mas sem causar danos, às empresas, às pessoas e que é na mesma possível usarmos esses conhecimentos para ganhar dinheiro [André fala em salários de 50 mil dólares por mês para os melhores investigadores da área].

terça-feira, 24 de abril de 2018

Entrevista a Daniel Sampaio: "“A Internet é uma oportunidade de proximidade e não de conflito” entre pais e filhos"

RUI GAUDÊNCIO

Artigo de Rita Marques Costa para o Jornal Público, em 21 de abril de 2018.

Drogas, álcool e sexualidade continuam a ser questões que marcam a adolescência. Mas agora também se vivem na Internet, essencialmente através do telemóvel. No livro Do telemóvel para o mundo, Daniel Sampaio oferece um guia prático sobre como os pais de adolescentes podem lidar com estas questões e utilizar a Internet como forma de aproximação e não de conflito.

Em Do Telemóvel para o Mundo — pais e adolescentes no tempo da Internet, Daniel Sampaio fala da Internet como “um ponto de encontro entre gerações”. Uma “coisa maravilhosa”.

No seu 27.º livro o psiquiatra propõe um guia prático sobre como lidar com adolescentes, num tempo em que o telemóvel passou a ser uma extensão deles próprios. Equilíbrio, confiança e afecto são palavras-chave. E faz questão de sublinhar: apesar das mudanças tecnológicas “os pais continuam a ser o mais importante de tudo”.


No livro sente necessidade de explicar com algum detalhe as principais redes sociais utilizadas pelos jovens. Além disso, sublinha que os pais precisam de melhorar a sua literacia digital. Os pais ainda não sabem o suficiente sobre a Internet onde os filhos navegam?

Estão longe de saber. Os pais sabem o que é o Facebook e o Instagram, mas não sabem como é que os filhos os utilizam. Evidentemente que para algumas pessoas aquela informação pode parecer excessiva, mas o que eu pretendi foi descrever a evolução, por exemplo, do Facebook, que é sobretudo utilizado para promover eventos e festas de anos, e muito pouco como rede social de comunicação. Enquanto o Instagram e o Whatsapp são muito mais utilizados para comunicar. A tónica do livro é que os pais devem conhecer e dialogar e não devem controlar, como alguns fazem, espiando o telemóvel ou colocando filtros.


Então como é que pode haver algum controlo por parte dos pais?

Defendo que desde o tempo da infância, os pais ajudem os filhos a utilizar a Internet, de modo a que eles possam interiorizar as regras desde muito cedo. Estou a falar dos quatro, cinco anos de idade. E que aos 10 anos, quando têm o telemóvel, exista novamente uma conversa sobre a utilização do telemóvel. O que é importante é que os pais estejam à vontade para poder perguntar "O que é que estás a colocar na Internet?", "O que estás a ver?", "Vamos falar".


Refere ao longo do livro a importância de que os pais preservem a privacidade dos filhos. Mas como é que podem "arrancar" alguma coisa dos jovens e adolescentes sem comprometer a sua privacidade?

Esse é o grande desafio da adolescência: promover a autonomia, sem perder o controlo. É um equilíbrio. Como é que se equilibra? Através da confiança. Se houver essa preocupação em falar e a partilha do que se passa na Internet e na escola, do que eles estão a sentir perante uma notícia na televisão... Se o clima familiar for de confiança, é mais fácil uma confidência. Por isso é que digo que a Internet é uma oportunidade de proximidade e não de conflito e separação como por vezes vejo em algumas famílias.


Que conhecimento sobre a Internet é que os pais devem passar às crianças quando, por vezes, eles próprios também não têm grande conhecimento?

Estamos a falar de tecnologias que já têm alguns anos. Tem havido alguma dificuldade das pessoas em perceberem o impacto das novas tecnologias. É importante dizer que a Internet é uma coisa maravilhosa. Por isso é que falo do telemóvel para o mundo, porque o telemóvel hoje abre as fronteiras de todo o mundo e permite contactar em todo o lado. Mas é preciso explicar que depende da forma como se utiliza. E é preciso explicar que é preciso usar com regras, com parcimónia, não invadir os tempos familiares essenciais — o pequeno-almoço, a partida para a escola, a chegada a casa, o jantar e deitar. Que as crianças e os adolescentes possam usar o telemóvel como uma coisa boa e que não seja uma fonte de conflito.


Mas também aponta que os jovens saem do Facebook porque os adultos estão lá.

Sim. Neste momento, o Facebook é abandonado pelos adolescentes porque é um território que foi apanhado pelos adultos. Eles querem sempre ter um território mais privado que seja seu. É bom que exista um território de comunicação privado entre os jovens, para que eles possam comunicar entre si, mas que também possam comunicar com os adultos.


O que muda na forma como os jovens passam pela adolescência agora que estão apetrechados com smartphones?

Com a Internet, de uma forma geral, é tudo muito diferente. Tínhamos um paradigma para compreender a adolescência que era família, grupo de amigos e escola. Víamos que um adolescente estava bem com os pais, tinha amigos e estava bem na escola, então estaria bem. Hoje em dia, isso continua a ser importante. Os pais continuam a ser o mais importante de tudo na adolescência. Os amigos são muito importantes na fase média da adolescência, entre os 15 e os 17 anos, mas surgiu agora esta comunicação em rede. É preciso perceber que isso se traduziu numa forma muito diferente de encarar o corpo adolescente, a sexualidade, a forma de falarem uns com os outros, foi tudo muito alterado. O livro é dedicado aos pais, que têm de saber cada vez mais sobre isso para poderem comunicar melhor. Eu fiz um capítulo só sobre a sexualidade porque encontro muitas dúvidas dos pais sobre a sexualidade dos filhos.


No campo da pornografia e da sexualidade, como é que a Internet torna estes temas ainda mais complexos?

Esse é um tema muito interessante que resolvi incluir no livro. No meu contacto com os jovens adolescentes, percebi que sobretudo os rapazes vêem muita pornografia porque é muito fácil de aceder. A grande questão da pornografia é que deve ser discutida. Para já, é uma indústria. Depois, há uma exploração do corpo da mulher. E ainda introduz uma dimensão que não corresponde à vida normal das pessoas. É um tema que se deve falar frontalmente e sobre o qual acho que eles estão desejosos de conversar.


Também fala da falta de educação sexual nas escolas. Isto ainda é um problema?

Fui coordenador do grupo de trabalho que deu origem à lei da educação sexual em 2009. Fomos nós que propusemos os programas de educação sexual que depois foram convertidos em lei. O que eu verifico nas escolas é que isso está reduzido ao mínimo. A uma hora ou duas por ano. E isso acho que faz imensa falta. As pessoas pensam que educação sexual é falar de sexo. Mas é sobretudo falar de educação e tem a ver principalmente com a ética na sexualidade. Com a relação rapaz/rapariga, com a homossexualidade, com o respeito entre as diferentes pessoas, com a contracepção, o conhecimento do corpo. Tem a ver com uma série de conteúdos adequados à idade que se deviam dar nas escolas. Para isso era preciso que os professores continuassem a preparação que na altura tiveram.


Aproximar pais e filhos em torno das novas tecnologias e daquilo a que chama a "pequena conversa" são dois aspectos que considera cruciais. O que impede que isto aconteça?

Acho que isso é sobretudo um problema dos pais. Porque os pais continuam com uma ideia de que é preciso falar muito a sério com os filhos sobre estes temas. Essa é uma ideia que eu acho que é do passado. Isso foi-me transmitido pelos jovens com quem trabalhei para este livro. Trabalhei com um grupo de quatro jovens, com quem fiz um debate de duas horas sobre todas estas questões. Todos eles - três rapazes e uma rapariga - me disseram que a conversa séria com os pais não resulta.


É aí que surge a “parentalidade construtiva”. Os pais ainda têm de aprender a ser construtivos?

Completamente. [Esse conceito] é uma coisa que resulta da investigação. O que se sabe hoje em dia é que o estilo parental é muito importante. Sabe-se que os pais que têm autoridade sem autoritarismo e ao mesmo tempo estão envolvidos afectivamente com os filhos, promovem uma adolescência mais saudável. Os pais que têm um grande autoritarismo e aqueles que são mais permissivos contribuem para uma adolescência com mais problemas. Essa eficácia parental tem muito a ver com o amor firme, mas ao mesmo tempo com o amor afectivo. É isso que se chama parentalidade construtiva.


Dá o exemplo de um pai que lhe coloca uma questão sobre partilhar um “charrinho” com o filho de 15 anos. Isto é muito perigoso?

É, porque é completamente diferente utilizar os derivados da cannabis num adulto e num adolescente. Nós podemos dizer que a cannabis na adolescência prejudica as tarefas da adolescência. Porque diminui a concentração e a atenção. Eles têm mais tendência a fracassar na escola. Aparecem uma série de conflitos familiares resultado do uso das drogas. A adolescência é mais problemática. Num adulto é completamente diferente. Um adulto já tem a sua vida feita e as repercussões são diferentes. Quando o chamado “pai camarada” faz isso com o filho ao lado, está a dizer que não tem importância nenhuma.


No livro faz questão de referir que a adolescência não é um período tão negro como muitos o pintam. 

Sim. Isso tem uma razão histórica. Durante muito tempo, a adolescência foi considerada uma espécie de doença. Quando se fala com muitos jovens verifica-se que é uma época boa, porque é de descoberta. É difícil para os pais. Na infância e na idade adulta dos filhos é mais fácil ser pai. Mas é preciso explicar que a grande maioria dos jovens a vive como um bom período.



Dicas para os pais de crianças e adolescentes na era do telemóvel

Dar um telemóvel: 
“Aos 10 anos, porque corresponde ao 5.º ano de escolaridade, em que têm menos tempo de aulas e ficam mais tempo sozinhos. O telemóvel pode ser útil.”

Explicar como funciona a Internet: 
“A explicação da Internet deve começar por volta dos quatro, cinco anos.”

Proibir o uso do telemóvel:
“Sobretudo à noite. O telemóvel não deve ser levado para o quarto de dormir e isso deve ser dito bem cedo. Para criar a regra. Depois, à hora das refeições.”

Permitir uma conta no Facebook: 
“Há uma regra deles [Facebook] que não é cumprida [quanto à idade mínima]. Eu diria 12, 13 anos, o início da adolescência. Mas com muitas regras.”

Regras a aplicar na utilização do Facebook: 
“Aquelas que as pessoas sabem mas não cumprem. Não dar dados de identificação, como o nome, a idade certa, ou a escola onde se anda, não colocar imagens privadas, a não ser mais tarde, e não contactar com estranhos dando dados pessoais.”

Que fotos dos jovens e crianças se devem partilhar nas redes sociais: 
“O direito à reserva da imagem é muito importante. Ter muito cuidado na infância. Deve haver uma grande cautela nisso.”

Que estratégia para conversar com os filhos:
“A mensagem é aproveitar pequenos momentos, seja no carro para a escola, no final de semana, quando vão tomar um café, a propósito de um programa de televisão... Aproveitar essa conversa que surge espontaneamente para poder transmitir alguns valores e algumas regras.”

segunda-feira, 16 de abril de 2018

WhatsApp vai passar idade mínima de utilização dos 13 para os 16 anos

Artigo publicado no Observador em 13 de abril de 2018.


A idade mínima de utilização do WhatsApp vai ser aumentada para os 16 anos. Até agora, era necessário ter pelo menos 13 anos para poder usar a aplicação de mensagens instantâneas.

RITCHIE B. TONGO/EPA


O WhatsApp vai aumentar a idade mínima exigida para poder usar a aplicação. Atualmente, os termos de utilização da plataforma de mensagens indicam que é necessário ter pelo menos 13 anos para usar a app mas o objetivo é elevar essa fasquia para os 16 anos. 

A alteração foi partilhada no Twitter da WeBetaInfo, a plataforma responsável pela monitorização da atividade no WhatsApp. A ideia é efetivar a mudança nas próximas semanas – de maneira a que esteja em vigor antes de ser oficializado o regulamento geral de proteção de dados da Europa, a 25 de maio.

Este aumento da idade mínima levanta uma questão que já existe com outras aplicações: ainda que seja apontada uma idade mínima, não é requerida qualquer validação dessa mesma idade. Logo, uma criança com menos de 16 anos pode mentir e indicar que é mais velha. No Facebook e no Tinder, por exemplo, a idade mínima de utilização sobe para os 18 anos mas também não existe qualquer verificação.

De recordar que o WhatsApp pertence ao Facebook, que foi recentemente envolvido num escândalo de proteção de dados dos utilizadores.


segunda-feira, 2 de abril de 2018

Raparigas mais prejudicadas com uso de redes sociais

DR

Artigo publicado no JM Madeira em 23 de março de 2018



A utilização de redes sociais no início da adolescência, por volta dos 10 anos de idade, prejudica o bem-estar das raparigas, afirma um estudo científico que não verificou o mesmo efeito nos rapazes.

Os investigadores da Universidade de Essex e da University College London, no Reino Unido, encontraram uma ligação entre o aumento do tempo gasto nas redes sociais, por volta dos 10 anos de idade, e uma redução no nível de bem-estar sentido pelas raparigas mais à frente na adolescência, divulgou o ‘Sciencedaily’ através de comunicado.

A investigação foi publicada no BMC Public Health e indica que as adolescentes usam mais as redes sociais do que os rapazes. Com cerca de 13 anos, metade das raparigas passam mais de uma hora por dia nas redes sociais, em comparação com apenas um terço dos rapazes.

Por volta dos 15 anos, ambos os sexos aumentam a sua interação nas redes sociais, com as raparigas a manterem uma média de uso maior do que os rapazes – 59% das raparigas contra 46% dos rapazes.

O estudo teve por base dados de um inquérito nacional efetuado no Reino Unido, anualmente, entre 2009 e 2015, envolvendo 9.859 adolescentes com idades entre os 10 e os 15 anos.

Os jovens tiveram que responder a uma série de perguntas sobre o tempo que passavam nas redes sociais e definir uma espécie de escala da felicidade, em que tinham que pontuar o seu grau de satisfação com fatores como a vida familiar e escolar.

Passwords de nove carateres tornam-se obrigatórias em novembro


Leon Neal

Artigo de Hugo Séneca para a Exame Informática em 5 de março de 2018.

Apps, redes sociais, serviços públicos ou sites de comércio eletrónico vão ter de adotar sistemas de autenticação com nove carateres que combinem letras, algarismos e carateres especiais. A proposta consta nos requisitos técnicos de transposição do Regulamento de Proteção de Dados (RGPD).

Hoje, uma parte considerável dos serviços online ainda dá margem de manobra à imaginação de cada utilizador para a escolha da password, mas, até de 25 de novembro, os serviços online que operam em Portugal vão ter de adotar ou configurar os respetivos sistemas de autenticação para que passem a operar com um mínimo de nove carateres de diferentes tipologias (letras maiúsculas e minúsculas, algarismos, e carateres especiais). A aplicação de sistemas de autenticação mais robustos consta na lista de requisitos que o Governo pretende aprovar em Conselho de Ministro e na Assembleia da República a fim de garantir a entrada em vigor do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) a 25 de maio. Apps, redes sociais, serviços públicos ou sites de comércio eletrónico vão ter de proceder às alterações nos seis meses que se seguem à entrada em vigor do novo Regulamento. O que significa que os sistemas com passwords «complexas» de nove carateres terão de estar implementados até ao dia 25 de novembro.

O Governo ainda não tornou públicos os documentos, mas já começou a distribuir pelos diferentes intervenientes no mercado as versões dos requisitos técnicos e da nova legislação. A Exame Informática teve acesso à proposta de lei e aos requisitos técnicos da transposição do RGPD. As propostas ainda poderão vir a sofrer algumas alterações em Conselho de Ministros e no Parlamento, mas tendo em conta que se trata da transposição de um Regulamento comunitário, tudo leva a crer que as eventuais modificações terão sempre um efeito limitado.

Se na proposta de lei os maiores destaques incidiam sobre a isenção de coimas para entidades estatais e a definição dos 13 anos como limite mínimo para o tratamento de dados, nos requisitos técnicos as atenções centram-se no contrarrelógio de seis meses e na obrigatoriedade de passwords de nove carateres – que passam para os 13 carateres, no caso dos profissionais que asseguram a gestão dos diferentes sistemas informáticos.

«Sempre que aplicável, a palavra-passe deve ter no mínimo 9 carateres (13 carateres para utilizadores com acesso privilegiado) e ser complexa. A sua composição deverá exigir a inclusão de 3 dos 4 seguintes conjuntos de carateres: letras minúsculas (a…z), letras maiúsculas (A…Z), números (0…9) e caracteres especiais (~! @ # $ % ^ & * () _ + | `- = \ {} []:"; '<>?,. /). Poderá, em alternativa, ser constituída por frases ou excertos de texto longo conhecidos pelo utilizador, sem carater de “espaço”», determina a lista de requisitos técnicos que o Governo pretende aprovar nos próximos tempos para proceder à transposição do RGPD.

O documento elenca um total de 98 requisitos técnicos. Uma parte desses requisitos é obrigatória; e outra parte não vai além do caráter de recomendação. Conheça mais requisitos técnicos previstos pela proposta de lei para a transposição do RGPD no artigo, de acesso livre, que foi publicado na Exame Informática Semanal.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Antes de partilhar fotos de menores nas redes sociais, pense nisso

istock


Notícia do https://www.noticiasaominuto.com de 27 de fevereiro de 2018.


"Nos Estados Unidos, há uma média de 1500 fotos de menores publicadas pelos pais, antes dos filhos completarem cinco anos de idade, conta o Lavanguardia. Esta é uma prática comum para quem partilha publicamente qualquer momento da sua vida. Nesta perspetiva, poderá fazer sentido que também partilhe aspetos relativos aos seus filhos, mas e quando a criança crescer e tiver idade para opinar sobre se quer ou não esta exposição da sua vida privada?

Esta partilha constante e desenfreada é identificada como ‘Shareting’, que junta os conceitos ‘partilha’ (share) e criar/educar (parenting), numa tentativa de alertar para a necessidade de consciencialização sobre esta prática.

Várias iniciativas seguem este propósito como é o caso da espanhola ‘Por un uso Love de la tecnologia’, que partilha um conjunto de dicas de comportamento a seguir, para que não prejudique a imagem dos mais novos.

Antes de publicar alguma foto, pergunte-lhes se concordam: Os pais têm domínio sobre os filhos menores de idade, mas criar um perfil digital sem que a criança tenha sequer noção, vai mais além dos aspetos sobre os quais as crianças não têm domínio.

Configure a privacidade do seu perfil nas redes sociais: Usando como referência o caso de adultos britânicos, sabe-se que 45% usa perfil fechado só para amigos, 20% permite que amigos de amigos vejam as suas publicações e que 8% optam por perfis abertos. Nos dois últimos referidos casos, há a possibilidade de configurar a privacidade de cada foto, independentemente da generalidade do seu perfil.

Amigos reais ou virtuais? Muito admitem que não são amigos de pelo menos metade das conexões que tem no Facebook. Pense se tem de facto interesse em partilhar fotos privadas do seu filho com estas pessoas que não conhece.

Atenção à informação que a foto transmite: Uma foto a usar o uniforme do colégio, com o equipamento da equipa de futebol que participa ou outro pormenor que revele informação sobre a sua vida, é mais do que partilhar uma simples foto.

Evite partilhar momentos vergonhosos: Os pais podem achar muito engraçado uma foto do filho na banheira, a dormir de boca aberta ou noutra situação que, anos mais tarde, possa vir a ser motivo de humilhação para o filho.

No caso de aparecer outras crianças na foto, peça autorização aos seus pais: Em última instância, a responsabilidade é sua. Partilhar as fotos dos seus filhos é uma decisão sua, mas não tem o direito de tomar esta decisão relativamente aos filhos de outros adultos.

Uma foto partilhada viaja milhares de quilómetros: Através de uma rede de cinco pessoas, qualquer publicação pode chegar ao outro lado do mundo. Pense nisso na hora de qualquer partilha".