quinta-feira, 7 de junho de 2018

Entrevista a uma hacker: “O envio de fotos íntimas é sempre inseguro”

Photo by Jay Wennington on Unsplash



"Ana Santos é uma hacker profissional e vive a testar sistemas de segurança. Leia uma entrevista que deve deixar-nos alerta. E preocupados.

O uso de fita adesiva nas câmaras dos portáteis é justificado, em 2018 já não se admite que as palavras-chaves sejam básicas e simples de adivinhar, e são cada vez mais os riscos associados à falta de proteção no meio online. Quem o diz é Ana Santos, 28 anos, natural de Lousada, mas que reside agora em Lisboa a trabalhar na área da segurança informática.

Ana é uma hacker ética e grande parte do seu trabalho passa por monitorizar a infraestrutura informática da empresa onde está empregada, onde também aposta em medidas de prevenção contra possíveis ataques ou vulnerabilidades. À MAGG não só respondeu a 21 perguntas acerca do seu trabalho, como também contou como foi singrar num meio tipicamente masculino. E revelou ainda qual é a forma mais frequentemente utilizada para roubo de informação pessoal.

(...)

Qual é a forma mais usada para roubo de informação?
A engenharia social, que dita que o elemento mais vulnerável de qualquer sistema de segurança é o ser humano. Precisamente porque possui traços comportamentais e psicológicos que o torna suscetível a ser vítima de um ataque informático. O simples facto de ir na rua e alguém lhe pedir os seus dados para uma promoção fantástica onde é possível vir a ganhar não sei o quê, é uma forma muito simples de um ataque à base de engenharia social.

A partir do momento em que fornece aqueles dados, a sua segurança e privacidade está automaticamente posta em causa já que perdeu o controlo total acerca da forma como aquela informação poderá vir a ser utilizada no futuro.

Lembro-me que quando me encontrou no Facebook, disse-me que nunca se devia colocar o local de trabalho visível no perfil. Porquê?
Costumo fazer sempre uma espécie de jogo nas formações que dou. Olho para a lista de presenças, vejo os nomes de todos os presentes e vou ao Facebook procurar por eles. Além dos nomes, procuro também pelo nome da empresa onde estão empregados e facilmente os encontro. Depois é só uma questão de confirmar os dados através de outras redes sociais — como o LinkedIn — e como é óbvio a informação está lá toda o que me permite ficar a saber tudo acerca daquele indivíduo que, há coisa de cinco minutos, não fazia ideia quem era.

Mas como é que essa informação é usada em engenharia social?
Imagine que faço um levantamento exaustivo sobre si. Sei onde passou férias e onde trabalha. Dirijo-me à sua empresa com um cartão falso de funcionário e digo que sou nova na empresa. Geralmente todos aproveitam o tempo de pausa para ir almoçar ou para vir fumar um cigarro cá fora e eu faço uso disso para meter conversa consigo. Digo que sou nova na empresa e estamos durante um bocadinho a falar. Eu finjo que não sei nada sobre si e a conversa flui livremente, até que chega à hora de entrar no edifício e eu não consigo — já que o meu cartão não é real.

O segurança, por ver que tenho um cartão exatamente igual ao de outros funcionários, abre a porta — numa empresa com dezenas de pessoas é muito improvável que seja capaz de memorizar caras. Depois é uma questão de chegar ao departamento onde me desejo infiltrar, e é tão fácil como pedir indicações. Ninguém vai desconfiar ou negar a entrada, precisamente porque sou nova na empresa e fiz uso de toda a informação que descobri previamente sobre si para conseguir passar da porta da entrada.

Acha que as pessoas subestimam os perigos da falta de segurança nas redes sociais?
Sim, são cada vez mais os casos de rapto ou desaparecimento de miúdos porque foram criados perfis falsos de Facebook para atrair crianças através do mais variados pretextos.

Há informação suficiente acerca dos perigos?
Não há informação suficiente e as pessoas não estão formadas. Além de darem a sua segurança como garantida, não fazem o mínimo esforço para camuflar um bocadinho das suas vidas privadas. Parece que não há filtro e tudo de domínio público, o pior é que há muita gente que faz vida do uso indevido dessa informação.

Quão inseguro é o sexting e o envio de fotografias íntimas?
O envio de fotos íntimas é sempre inseguro. Nunca se sabe quem é que vai conseguir entrar no computador ou no telemóvel ou, pior, o que vai acontecer a essas fotografias depois de enviadas. É um bocadinho o que acontece com a instalação de aplicações no telemóvel. São muitas as pessoas que, ao instalar uma determinada app, não questionam tudo aquilo a que passa a ter acesso.

Porque é que uma simples aplicação de efeitos de fotografias, por exemplo, tem de ter acesso à câmara, ao microfone e aos contactos do telemóvel? Quase ninguém se questiona e aceitam simplesmente tudo o que lhes é apresentado.

O armazenamento na nuvem é seguro?
Não quero desenvolver muito porque ainda é um tema que causa muita discordância entre muitos dos profissionais da área. Eu, pessoalmente, fujo sempre de alguns dos serviços mais conhecidos e usados — como a Dropbox ou a Google Drive — e ainda sou daquelas pessoas que usam discos rígidos para guardar toda a informação pessoal. A cloud ainda não me convenceu porque na verdade nunca sabemos bem onde é que os nossos dados estão guardados e quem é que pode ter acesso a eles.

E os serviços que dizem encriptar as nossas mensagens e torná-las privadas? É mesmo assim?
Creio que para nós, que trabalhamos na área, é difícil confiar a 100% no que nos dizem. Por vezes só o fazemos quando existe um certificado que dita que aquele serviço é totalmente seguro, mas também não podemos viver num mundo à parte. Pessoalmente, gosto muito de usar o WhatsApp, que foi um dos serviços a encriptar as mensagens enviadas e recebidas entre utilizadores — o que significa que supostamente estão livres de olhos alheios.

No entanto, o serviço foi comprado pelo Facebook… e não sei bem até que ponto é que nos estão a dizer toda a verdade.

(...)

Qual é a melhor forma de preservar a segurança de alguém online?
Uma vez li uma frase que dizia qualquer coisa como: “Se não é capaz de estampar uma t-shirt com aquilo que está a pensar, porque haveria de o publicar em plataformas online?” Acho que é um bocadinho por aí.

(...)

O utilizador continua a ser o maior obstáculo à sua segurança?
Sim, e é por isso que, para mim, é essencial formar pessoas. Quanto mais informação houver, mais seguras as pessoas vão estar. Já o disse e volto a repetir: muitas das pessoas dão a sua segurança como garantida. Não sabem quando foi o último grande ataque informático e nem questionam se podem ou não ter um vírus instalado no computador. Simplesmente assumem que não e não se preocupam mais com isso.

Qual é a melhor password?
Não há uma password ideal, mas aquelas que demoram mais tempo a descobrir são as melhores. Há várias formas para criar uma palavra-passe forte, como escrever uma frase e alternar entre números, caracteres especiais — como parêntesis, arrobas ou pontos de exclamação — e colocar as letras em caixa alta e caixa baixa. Tudo o que seja mais difícil de descobrir é suficiente. E qualquer coisa é melhor do que a típica chave “123456”.

Ainda faz sentido meter fita adesiva na câmara da portátil?
Sim, sem dúvida. Eu uso e não me arrependo. É muito fácil ser estabelecido um acesso indevido às câmaras dos computadores e muitas vezes as luzes das câmaras não são acionadas para que o utilizador não desconfie. Desde usar fita adesiva ou aquelas tampas que colam ao ecrã, tudo serve.

Caso contrário, costumo sempre dizer às pessoas com quem falo para não irem para a casa de banho ou se despirem em frente ao computador. Tudo por uma questão de privacidade. Não custa nada prevenir".

Excerto de entrevista por Fábio Marins para MAGG, em 2 de junho de 2018.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Leia a entrevista a Teresa Castro, co-autora de livro “Alerta Premika! Risco Online Detetado” ao blog “A Estante das Marias”




Hoje inauguramos uma nova rubrica aqui no blog. Em “Gente com Livros” vamos conversar mensalmente com diferentes pessoas que partilham connosco o gosto pelos livros. 
Ainda no âmbito do Dia Mundial da Criança, escolhemos inaugurar esta secção com a Teresa Sofia Castro, uma das autoras do livro “Alerta Premika! Risco Online Detetado” porque hoje, mais que nunca, importa falar da relação das crianças com as tecnologias, e o seu papel neste mundo cada vez mais hiper conectado. 
A entrevista foi conduzida pela Maria P.
Como é que surgiu este livro?
Este projeto surge na sequência do meu doutoramento, como tu sabes a minha tese foi escrita em inglês porque eu tive um período dos meus trabalhos de doutoramento em Inglaterra. Na defesa de tese foi-me lançado o desafio de trazer informação, que era considerada pertinente e útil, para as famílias e as escolas portuguesas. Por uma feliz coincidência, o Instituto de Apoio à Criança procurava um novo projeto, que fosse lúdico, que fosse pedagógico, para ajudar as famílias e as escolas a lidar com os desafios das tecnologias e da internet. Na altura, contactaram a Professora Cristina Ponte, da Universidade NOVA de Lisboa, que, por conhecer o meu trabalho, lhes sugeriu que falassem comigo. Numa deslocação ao IAC, conheci a Cláudia Manata do Outeiro, levei-lhe alguns dos diálogos que tive com as crianças com quem fiz investigação. E depois, juntou-se ao projeto também a Raquel Palermo. Houve, de facto, um alinhamento perfeito de circunstâncias, pessoas e compromissos e daí até nascer o primeiro número foi percorrido um caminho de muita aprendizagem.
Pois, porque a tua tese de doutoramento já foi no sentido de investigar a forma como as crianças interagem com a tecnologia…
Sem dúvida! A minha investigação pretender conhecer o dia-a-dia das crianças à volta das tecnologias, o que é que gostam de fazer, como fazem, com quem fazem, como interagem entre eles. As crianças são ativas e criativas na construção das suas culturas e na apropriação das tecnologias móveis digitais. Mas ver como isto acontece no dia-a-dia é um desafio, porque muita coisa escapa ao radar dos adultos: condutas, vocabulário, interesses, dinâmicas... Daí a pertinência deste livro, não só ele oferece uma perspetiva de uma nova geração que está sempre conectada, como revela novos paradigmas de viver a infância. E aqui também há o convite aos pais, aos professores e aos adultos que trabalham com crianças de promoverem uma mediação que capacite as crianças para os desafios, mas também as oportunidades, já que ambos andam de mãos dadas.
O que é que te atraiu nesta área de investigação?
Por acaso é curioso, porque na altura o que eu queria estudar eram as raparigas e as mulheres nas tecnologias e disseram-me que era uma tema que “já estava mais que ultrapassado, toda a gente já tem acesso, e que seria interessante investigar o que se estava a passar com as crianças”. Eu sou filha única, os meus primos são todos muito mais velhos, nunca tive assim um historial de contacto com crianças, e essa ideia acabou por ser interessante porque era uma faixa etária que eu não conhecia assim tão bem. O facto de ter feito um Mestrado em Estudos da Criança acabou aqui por dar um empurrãozinho e de perceber a criança como um agente ativo, competente nas suas decisões, mas pouco ouvida em matérias que lhes dizem respeito. Toda a minha investigação alinha, do ponto de vista teórico e metodológico, com o direito da criança a ser ouvida e vista.
Como é que foi o processo de passar da tua tese para este livro?
Na altura da defesa desafiaram-me a trazer esses dados a público, a transformar a tese em livro. Eu tenho vários artigos académicos publicados em português em inglês. Mas na minha perspectiva, publicar a minha tese em livro não iria ter um impacto efetivo de serviço à sociedade. Seria mais um livro académico para ficar numa prateleira de uma biblioteca, que nenhum pai ou professor procurariam ler. Então, é aí que se dá o casamento perfeito entre a investigação e a verdadeira utilidade do investimento que fiz no doutoramento. Tive a sorte de ter as pessoas certas à minha volta, a professora Cristina Ponte, uma pessoa iluminada e com uma grande entrega a estas problemáticas. A Cláudia Manata Outeiro, outra autora do livro. Ela é professora destacada no IAC e tem uma paixão e grande entrega aos direitos da criança, que não podemos esquecer que passam também pelo digital. E, por fim, a Raquel Palermo, que tem um longo currículo na escrita para crianças. Acabou por ser uma combinação muito interessante de três pessoas com percursos muito distintos, mas que foi a fórmula perfeita para dar asas a este projeto. E este não é um livro convencional, pegando aqui na metáfora do que é a internet e suas hiperligações, construímos um livro dinâmico e interativo, permitindo ao leitor, à criança, ao adulto, tomar decisões a cada passo na história. E essas decisões afetam o desenrolar da história com efeitos para as personagens. Esta particularidade tem aqui uma vertente pedagógica e de reflexão muito interessante quer a criança faça a leitura sozinha, ou em contexto de família, ou de escola.
Pois, porque este livro não permite só um olhar da criança, permite também o olhar do adulto que a educa. É uma ferramenta para ambos. E num mundo completamente online, e com um gap geracional cada vez maior, os pais também andam à procura disto.
Exatamente. Ou seja nós temos essa diferença de idades que tu falas, e isso aconteceu também connosco em relação aos nossos pais, que estão muito mais próximos daquilo que Prensky chamava de “imigrantes digitais”. Mas, agora temos uma outra geração de pais que já é muito mais competente digitalmente falando, mas claro que o gap existe sempre porque é normal, é aquilo que distingue as gerações. Eu acredito no diálogo intergeracional e este livro promove isso. É um facto que desde muito pequeninas as crianças habilmente mexem num ecrã e encontram conteúdos que alinhem com os seus interessem, vejo isso na minha investigação com crianças menores de 8 anos. Mas, cidadania digital vai muito além disso e é aí que o papel dos pais, dos educadores é muito importante, ajudando as crianças a adquirir competências críticas, empatia, comportamentos de segurança que as ajudem a tirar partido de uma boa utilização destes recursos da sociedade do conhecimento. E também será muito positivo aprendermos com elas.
Uma das características que o livro tem de muito importante é que ela é construída numa numa lógica bottom up, isto é, toda história se desenvolve à volta de diálogos reais e das palavras que as crianças usam, das suas dinâmicas, e a partir daí fomos ligando diálogos, construindo e ficcionando a história.
Como decorreu o processo de escrita? 
O que testemunhei em contexto de investigação a par com a experiência da Cláudia com crianças nas escolas e da Raquel também como mãe e escritora foi importante para o processo criativo de escrita. Lemos, relamos, negociamos, reescrevemos. Todas contribuímos com olhares muito inclusivos de modo a ver as diferentes dimensões da infância. Este livro tem um fundamentação científica. Aqui também pudemos contar com a colaboração do centro Internet Segura na revisão da história. Este trabalho a várias mãos foi fundamental tendo em conta os vários caminhos e várias histórias que encontramos neste número 1 da coleção. Houve sempre um trabalho exaustivo de revisão, refazer, reescrever… foi uma aventura muito trabalhosa [risos].
Qual é o feedback que tens tido desta obra?
Muito positivo! Principalmente a Cláudia, que está no IAC, tem feito este trabalho fantástico junto das escolas e das bibliotecas e o feedback é muito positivo quer por pais, professores, e especialmente pelas crianças. Da minha parte, e especialmente em conferências, seminários e palestras tenho tido a oportunidade de falar do livro. As apresentações que temos feito de norte a sul do país, e no mês passado nos Açores, têm contado com profissionais das áreas da comunicação, da psicologia e da educação, e o feedback também é extremamente positivo e encorajador. Porque lá está, o livro tem todos os ingredientes para ser uma ferramenta pedagógica útil e as vendas revelam isso, já que em menos de um ano estamos na segunda edição do livro.
Já há mais que uma edição, e o livro não tem assim tanto tempo, e até onde sei há inclusivamente planos para fazer uma edição internacional…
Ora bem, aí é que é mais complicado. A nível internacional eu já falei com uma investigadora que trabalha para a Comissão Europeia, e ela diz que de facto as crianças precisam deste tipo de narrativas, que vão ao encontro daquilo que é o dia-a-dia delas. É preciso trazer outro tipo de fábulas. Também apresentei o livro em Inglaterra a algumas pessoas, nomeadamente dos centros de internet internacionais. Também estes profissionais têm aqui muito interesse em trabalhar este livro, e até por parte das redes internacionais nas quais eu colaboro. A questão é que traduzir e trazer isto para o mercado internacional tem custos, porque é preciso adequar a linguagem à que é usada lá, pelas crianças de lá. É preciso fazer aqui algumas adaptações e nesse aspecto, envolvendo dinheiro e recursos, as pessoas esperam que o produto seja apresentado mas o processo… é muito difícil alguém dar o passo.
É pena que assim seja. De qualquer das formas parabéns pelo sucesso, fico muito contente!
E já temos uma segunda história escrita, que é sobre os jogos online, com o Tiago, como personagem principal. No primeiro número a personagem principal da história é a Marta, uma rapariga, e as redes sociais, porque o que as pesquisas nos dizem e que o terreno mostra é que, de facto, o território das redes sociais é marcadamente mais feminino e o dos jogos, mais masculino, embora com as suas nuances. Nós pensamos seguir um bocado essa lógica embora não numa perspetiva de exclusão, mas tínhamos que fazer aqui algumas escolhas.
Muito bem, que boas novidades me estás a contar! Mas esse já está em fase de escrita?
Está já escrito. Mas o trabalho ainda não terminou. Tendo em conta a celeridade com que a tecnologia avança e com ela a forma como as crianças incorporam tendências e moldam prática, o processo de escrita e revisão é um trabalho exaustivo até ao dia de ir para a gráfica, porque também há essa responsabilidade da nossa parte.
Tu abdicaste dos teus direitos de autor a favor do IAC.
Sim. Tendo em conta os valores e missão do IAC para mim fazia sentido fazê-lo desta forma.

Dica Controlo Parental: Tenha mão sobre o iPad e iPhone dos seus filhos

Photo by Patricia Prudente on Unsplash

Vamos falar de controlo parental. Este assunto tem sido solicitado e vamos abordar essencialmente os dispositivos móveis que são os mais usados pelas crianças atualmente. Não há sítio onde os pais não entretenham os mais novos com o seu smartphone ou tablet.
Hoje ensinamos a ativar as funções de restrição que o iOS traz quer para gerir o que faz o seu filho(a) no iPhone como no iPad.
Os pais e educadores podem ter um controlo total sobre o que as crianças podem ou não ver num iPad ou iPhone. O iOS traz uma vasta área de controlo parental que pode usar, evitando várias situações às quais não quer certamente que o seu filho(a) seja confrontado quando navega na Internet.
Também iremos ensinar a ter controlo sobre as compras de aplicações e compras integradas. Isto porque sabemos de casos em que as crianças já conseguiram o acesso às definições do iOS, gravaram a sua impressão digital e trazem surpresas desagradáveis aos encarregados de educação.
Saiba como AQUI.


segunda-feira, 4 de junho de 2018

Crianças e redes sociais: "muitos dos perigos são propiciados pelos próprios pais"

Photo by MARVIN TOLENTINO on Unsplash

Artigo de Nuno de Noronha para a SapoLifestyle, em 1 de Junho:

“Os pais devem salvaguardar os direitos de personalidade das crianças nas redes sociais, evitando divulgar fotografias dos próprios filhos e controlando as partilhas que estes fazem de alguns conteúdos”, defende um estudo de Rossana Martingo Cruz, professora da Escola de Direito da Universidade do Minho. Assinala-se hoje o Dia Mundial da Criança.

Esta é uma das recomendações destacadas no trabalho “A criança no (admirável?) mundo novo das redes sociais”, que procurou refletir sobre o modo como os pais devem preservar os direitos de personalidade dos filhos. “Estes direitos são essenciais na medida em que tutelam a integridade física e moral do indivíduo. Importará salvaguardar, neste âmbito, o direito à imagem, à privacidade, à intimidade e à honra”, explica a jurista especializada em Direito da Família.

Na sua investigação, apresentada em vários congressos internacionais, realça que cabe aos pais autorizar e monitorizar a divulgação de determinados conteúdos, sendo o controlo ajustado à idade e maturidade do menor. “A decisão deve ter em conta o impacto da publicação no dia-a-dia e no futuro da pessoa, a abrangência da rede social, entre outros critérios. É também da responsabilidade dos pais alertar os filhos sobre a disposição do seu direito à imagem e os riscos da internet”, reforça Rossana Martingo Cruz, do Centro de Investigação para a Justiça e Governação da UMinho.

Com a emergência do ciberespaço surgiram desafios em termos de responsabilidade parental e na forma como as crianças vivenciam a sua infância. Desde logo porque estão expostas a “um mundo novo” disponível à distância de um clique num computador, tablet ou smartphone, o que não acontecia com as gerações anteriores. “Os limites que vedam a sua privacidade podem ser hoje facilmente ultrapassados. Muitos dos perigos conhecidos são propiciados pelas próprias crianças ou até pelos próprios pais quando partilham alguns conteúdos privados nas suas redes sociais”, assevera a investigadora.


Quando são os pais a publicar fotografias das crianças

Embora ainda não exista uma ampla discussão sobre esta problemática em Portugal, alguns tribunais já mostraram preocupação com a ciberproteção dos menores.


Uma das decisões jurisprudenciais pioneiras neste âmbito foi proferida em junho de 2015 pelo Tribunal de Évora, que proibiu um casal de divulgar imagens e informações da filha nas redes sociais, de forma a salvaguardar o direito à reserva da intimidade e o superior interesse da criança.

“A ânsia de nos enquadrarmos nestes meios de confraternização virtual não pode levar a uma derrogação de direitos essenciais sem qualquer ponderação, principalmente quando se trata de crianças que devem ser preservadas e não expostas”, conclui Rossana Cruz".

Muitas crianças não conseguem pegar numa caneta por causa da tecnologia

Photo by Ludovic Toinel on Unsplash

Artigo publicado pela SIC Notícias, em 27 de fevereiro de 2018.


Muitas crianças britânicas têm cada vez mais dificuldades em realizar um gesto tão simples como pegar num lápis ou numa caneta. Segundo os médicos, isto deve-se a um uso excessivo de aparelhos tecnológicos.

O alerta é lançado por médicos pediatras e aponta a utilização excessiva de telemóveis e tablets como a principal causa para que muitas delas não desenvolvam os músculos da mão de forma necessária à realização de gestos tão simples como pegar numa caneta.

Em declarações ao jornal britânico The Guardian, Sally Payne, terapeuta pediátrica na fundação Heart of England, explica que "as crianças de hoje não têm a mesma força e destreza na mão que tinham há 10 anos", o que dificulta o uso de canetas e lápis, fundamental em qualquer dia de escola.

A médica britânica refere que "é mais fácil dar a uma criança um iPad do que encorajá-la a atividades que apoiem o desenvolvimento dos músculos".

Mellissa Prunty, pediatra de terapia ocupacional que se foca nos problemas da escrita, considera que as crianças estão a aprender a escrever cada vez mais tarde e aponta também o uso excessivo de aparelhos tecnológicos para justificar tal facto.

"Um dos problemas é que a escrita desenvolve-se de uma forma muito própria em cada criança. (...) Sem uma investigação cuidada, existe o risco de tirarmos conclusões precipitadas sobre os motivos que levam a que uma criança não saiba escrever dentro daquela que é a idade expectável, sem que haja uma intervenção quando a principal causa é a tecnologia", explica a pediatra.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Parece ficção, mas é escola: conheça novidades tecnológicas que já chegaram à sala de aula

Shutterstock

Realidade aumentada, robôs e inteligência artificial são alguns dos recursos que já começam a ser utilizados na educação
Veja abaixo algumas novidades tecnológicas que já chegaram às escolas:
Passeios pelo mundo e pelo passado
O estudante pode estar dentro da sala de aula de todos os dias, mas graças ao chamado 4D+, visitar o mundo pré-histórico e ver dinossauros. Tudo se movimenta com as características de como seria na realidade, o que permite desenvolver habilidades como observação, comparação, classificação. “A realidade aumentada traz a possibilidade de investigação para a sala de aula que não seria possível de outra forma”, explica a diretora acadêmica da Be – Bilingual Education, Flávia Fulgêncio. Além da chamada realidade aumentada, a Realidade Virtual (VR, virtual reality, em inglês) é outra ferramenta que passou a integrar o leque de estratégias de promoção para o aprendizado do inglês: o aplicativo VR do Google Expeditons leva o aluno a explorar diversas partes do mundo e, a partir dessa experiência, estimula o aprendizado de um segundo idioma, garantem os criadores da metodologia.
Convivendo com robôs…
Faz tempo que eles já vivem entre nós: fabricam os mais variados produtos que consumimos, nos atendem em serviços de telemarketing, aspiram o chão de alguns lugares sem depender de supervisão humana constante. Se no imaginário popular há um temor de que os robôs um dia substituam a humanidade, nas escolas há um entendimento crescente de que os estudantes precisam aprender a dominá-los. Assim, a presença de aulas de robótica dentro de instituições de educação básica vem crescendo e se diversificando. A empresa Mundo4D aposta na adoção de robôs e na oferta de praticidade. Para facilitar a vida dos gestores, leva um laboratório portátil para dentro das dependências escolares, que pode ser usado por crianças a partir de 4 anos. “As escolas têm consciência da importância da inserção do ensino das competências do século 21 no panorama infantil”, afirma André Emil Getschko, fundador da empresa.
… e se divertindo com eles
Os robôs podem ser muito úteis no cotidiano, claro, mas também podem servir apenas para o lazer. Uma das mais tradicionais empresas de robótica educacional do Brasil, a Zoom Education for Life, está lançando alguns projetos competitivos para os robôs feitos pelos estudantes. São as oficinas de Torneio de Futebol de Robôs, de Corrida de Carros e de Conquista Espacial. Cada uma dessas oficinas terá um apoiador de destaque no mercado, de acordo com o seu know-how. Na Oficina de Torneio de Futebol de Robôs, por exemplo, o Instituto Projeto Neymar Jr., em Praia Grande, litoral de São Paulo, patrocinará e sediará uma competição entre os robôs-boleiros dos alunos. “Estamos lançando uma nova plataforma de relacionamento com as escolas, que vai muito além do contexto do currículo escolar e do contraturno. São experiências imersivas, rápidas e inspiradoras”, diz Rafael Bonequini, diretor da Zoom. Mas ainda que as lesões robóticas possam ser rapidamente arrumadas com soldas e parafusos, Neymar já avisa que nenhum robô vai substituí-lo na Copa.
Tudo conectado
Para o mundo de amanhã, quando os hoje estudantes terão de se tornar pessoas economicamente produtivas, dominar os robôs e se divertir com eles ainda parece pouco. Será preciso receber informações e dar ordens a distância para todos os objetos que nos cercam, de câmeras de segurança a geladeiras, de impressoras a cafeteiras, e sabe-se lá mais o quê. Assim, outro conteúdo que passa a entrar nas grades escolares é a Internet das Coisas, ou IOT, sigla para a expressão em inglês Internet of Things. A Happy Code, escola de tecnologia que já se destaca por oferecer programas pioneiros para Youtubers e Robótica com Drones, está lançando cursos desta nova categoria. A empresa garante que o curso “Internet das Coisas” promove um aprendizado prático e divertido, que desenvolve também a criatividade dos alunos. Outra empresa que passa a incluir IOT em seu portfólio é a Microduino, que usa a nova versão do software Scratch para conectar os objetos ao redor.
Tudo “pensando” sozinho
Blocos de montar podem ser programados para executar tarefas de forma autônoma. Podem ser conectados à internet para enviar dados que coletaram e receber novas instruções. E a última fronteira é fazê-los pensar sozinhos. Mas um sistema de Inteligência Artificial (IA) precisa primeiro que alguém lhe ensine a tomar decisões. Antes que um humano possa ensinar a “máquina”, ele precisa aprender como fazer isso. Mais uma vez, parece que cabe às escolas o papel de ensinar quem vai ensinar o computador a pensar. Empresas terceirizadas já começaram a responder a tal expectativa. Nos cursos da Happy Code, os estudantes passarão a fazer uso prático do Watson, a plataforma de IA da IBM. A Microduino também incluiu em seus programas exemplos de aplicações focadas em Inteligência Artificial. O mundo está ficando mais complexo – e as escolas também.
Artigo publicado no site www.revistaeducacao.com.br, em 16 de maio de 2018