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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Redes sociais. Como tirar fotos bonitas dos seus filhos sem os revelar completamente



Hoje em dia não há pai ou mãe que não resista tirar uma foto do filho em vários momentos do dia e, em seguida, querer partilhá-las com o "mundo".
Mas com os perigos da exposição de crianças na internet, é sempre melhor optar por manter a privacidade da criança, não a revelando totalmente.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Alerta. PSP não quer fotos de caras de crianças nas redes sociais

Photo by NeONBRAND on Unsplash



Artigo de Filipa Ambrósio de Sousa de 8 de agosto de 2015, para o Diário de Notícias.


Como forma de proteger os filhos, pais não devem publicar localizações das fotos, nomes ou a sua cara. Fotos podem ser vistas, por exemplo, por redes pedófilas.

Será mesmo necessário publicar fotos com as caras das suas crianças de forma ostensiva? Proteja-se e pense duas vezes antes de postar uma imagem nas redes sociais. O alerta é dado pela Polícia de Segurança Pública (PSP) na sua página oficial de Facebook (que conta com 328 mil "gostos") pretendendo assim esta força de segurança que os pais tenham mais atenção na proteção da imagem dos seus filhos. Campanha que foi divulgada na quinta-feira em português e ontem na versão inglesa.

"A melhor forma de o proteger é evitar que apareça aqui para sempre. Não publique caras de crianças, não mencione nomes e locais, não arrisque aqui: a decisão é sua", diz a campanha lançada pela força de segurança. O porta-voz da Direção Nacional da PSP, Paulo Flor, explica ao DN: "Uma foto que se publica na internet é para sempre. O que nós aconselhamos é, caso algum pai tenha dúvidas, não o faça." Alerta, todavia, que Portugal é um país "em que felizmente o rapto de crianças por desconhecidos é pouco expressivo". A par desta campanha, em fase de férias, a PSP alerta ainda para o programa "Vigilância a residências"que permite a passagem de agentes da PSP junto das residências vazias em altura de férias para evitar assaltos.

Numa decisão tornada pública no final de julho, o Tribunal da Relação de Évora impediu um ex-casal de pais de publicar fotos da filha de 12 anos nas redes sociais. Os desembargadores responsáveis pela decisão - tomada durante um processo de regulação das responsabilidades parentais - defenderam que "os filhos não são coisas ou objetos pertencentes aos pais". Os juízes desembargadores sustentaram a sua tese com o direito à imagem dos filhos, considerando que os menores não são pertença dos pais mas pessoas com direitos. E relembraram os números crescentes das estatísticas de abusos sexuais de menores. "O exponencial crescimento das redes sociais nos últimos anos e a partilha de informação pessoal leva a que os que desejam explorar sexualmente as crianças consigam selecionar os seus alvos para realização de crimes", escreveram os juízes, que proibiram também os pais de revelar informação que leve à identificação da filha ou aos locais que ela frequenta.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

What predators look for when you post photos of your children



Artigo publicado em sweatdepot.blogspot.com em 13 de março de 2017.

Posting seemingly innocent photos of your child or teen has a sinister outcome that you may never have considered.

Your child or teen could be a poster child for a pedophile ring - and you may never know.
Australia made world news in 2016 with a website trading explicit photos of local school girls.   The site even had pages dedicated to local Brisbane and Gold Coast high schools and fan pages - offering money to men who could find more explicit photos of their favorites.

Attempts to close down the site have been thwarted in a brazen disregard of the law.  And these girls, whose images have been used without consent, could be to this day, oblivious.

Police CANNOT ALWAYS LOCATE YOU if photos of your children have been found to be used in connection with pedophile rings.  Due to the ability to mask IP addresses and identities with overseas servers and false identities, it is not always possible to link an identity to these photos.  There are even sites dedicated to teaching online predators how to cover their tracks.

A photo of your child could be part of a pedophilia ring that has been uncovered by Police, and you wont even know about it.

The Task Force I worked for busts pedophile rings - and makes arrests of pedophiles in our neighborhood.  This article is an insight into what they do, and how close to your home they come to arrest offenders.



A pedophile or predator will not play fair, nor think like the average person.  They, therefore, look at images and their erotic 'potential' differently to how the average population does.

Here are some things that pedophiles may find attractive when looking at photos on social media:

  • The obvious stuff - like children in bathers, underwear, having a bath, or in a state of undress.   Even well-placed emoticons covering your child's genitals can be photoshopped off and genitals photoshopped back on to increase the 'value' of the photo. You can take me to South Bank beach at Brisbane on any given day and I will be able to point out lone males taking photos of children.... your children.   And yes - Police do patrol this and regularly confiscate cameras and phones.  I have seen it happen meters away from parents and they are completely and utterly oblivious.  The Police do not have to approach the parents, because it is not an element of the offense to have a complainant.  Importantly, there is rarely the time in these situations to locate and talk to the parents about what has just happened - Police are too busy dealing with the offender.
  • The less obvious stuff that predators find irresistible: like photos that they can alter to make your child or teen look they are part of a sexual act.   These photos can be altered to have a male person in the photo in a state of arousal.  Or they can simply overlay a lewd comment so that the photo becomes a pedophile photo 'meme'.
  • Children of social media celebrities.  The more photos posted, and the more coverage the images gain, the more likely they are to come to the attention of pedophile groups and be subjected to their monstrous conversations and attentions.  Similar to a teenage crush of a pop star, these photos become a platform for imaginings, fantasies and lewd behaviors.  The internet has now allowed predators to openly discuss their fetishes, and because they have the support of their monstrous tribe, they now have a place to 'normalize' and 'strategize' dysfunctional thoughts and fantasies.

Things to consider when posting photos of your children:

  • Is there enough room to 'superimpose' another figure into the image?*
  • Are they in a state of undress (even with emoticons placed modestly - these can be removed and body parts can be photoshopped in).
  • Do you have a public social media page?  Pedophiles can develop 'child crushes' and the child does not have to be posed or in a state of undress for the photo to become a commodity.

*  I used to pray that when I saw a photo of a baby in a nappy and a sexually aroused man in the image that the image was 'superimposed'.  I didn't always receive this comfort from the government classifier or the photographic specialists.   This is is the horrific reality of child sex crimes and trafficking in the 21st century.  There is one photo in particular that I remember which causes me pain daily - a 6 month old in just a nappy with the most beautiful angelic smile laying on a bed - and a naked man entering the babies bedroom.   This child looked like my babies - your babies.  And the horror that I could not reach through that screen and save that child scratches at my brain. 

Things to be considered with your teens' social media images:

  1. Duck faces and posed photos are used as baseline trading images on predator sites.
  2. Swimwear and underwear shots become more valuable.
  3. If their account is public then the predator 'ring' can approach friends (or enemies) of the teen and pay money for more explicit photos.

It has taken over a decade for me to write this post because I know that I will have revisted images and situations from my career that haunt me.  There was a time when I would physical hit my head and moan to stop the memories - but I hope that I have now developed better coping strategies.   I now have a practice of offering it 'up', or surrender.  I take the time to do a short meditation where I hand the image and the horror over.  This then allows me to focus on the present.   If it re-surfaces I repeat... repeat, repeat repeat - just like my rules of self-defense.  Because to submit is not an option for me - or my children.

If you have been affected by this article please make an appointment with your GP.

Or ring lifeline.  Or the sexual assault helpline.

Here are some things you may need to know when reporting sexual abuse.



segunda-feira, 4 de junho de 2018

Crianças e redes sociais: "muitos dos perigos são propiciados pelos próprios pais"

Photo by MARVIN TOLENTINO on Unsplash

Artigo de Nuno de Noronha para a SapoLifestyle, em 1 de Junho:

“Os pais devem salvaguardar os direitos de personalidade das crianças nas redes sociais, evitando divulgar fotografias dos próprios filhos e controlando as partilhas que estes fazem de alguns conteúdos”, defende um estudo de Rossana Martingo Cruz, professora da Escola de Direito da Universidade do Minho. Assinala-se hoje o Dia Mundial da Criança.

Esta é uma das recomendações destacadas no trabalho “A criança no (admirável?) mundo novo das redes sociais”, que procurou refletir sobre o modo como os pais devem preservar os direitos de personalidade dos filhos. “Estes direitos são essenciais na medida em que tutelam a integridade física e moral do indivíduo. Importará salvaguardar, neste âmbito, o direito à imagem, à privacidade, à intimidade e à honra”, explica a jurista especializada em Direito da Família.

Na sua investigação, apresentada em vários congressos internacionais, realça que cabe aos pais autorizar e monitorizar a divulgação de determinados conteúdos, sendo o controlo ajustado à idade e maturidade do menor. “A decisão deve ter em conta o impacto da publicação no dia-a-dia e no futuro da pessoa, a abrangência da rede social, entre outros critérios. É também da responsabilidade dos pais alertar os filhos sobre a disposição do seu direito à imagem e os riscos da internet”, reforça Rossana Martingo Cruz, do Centro de Investigação para a Justiça e Governação da UMinho.

Com a emergência do ciberespaço surgiram desafios em termos de responsabilidade parental e na forma como as crianças vivenciam a sua infância. Desde logo porque estão expostas a “um mundo novo” disponível à distância de um clique num computador, tablet ou smartphone, o que não acontecia com as gerações anteriores. “Os limites que vedam a sua privacidade podem ser hoje facilmente ultrapassados. Muitos dos perigos conhecidos são propiciados pelas próprias crianças ou até pelos próprios pais quando partilham alguns conteúdos privados nas suas redes sociais”, assevera a investigadora.


Quando são os pais a publicar fotografias das crianças

Embora ainda não exista uma ampla discussão sobre esta problemática em Portugal, alguns tribunais já mostraram preocupação com a ciberproteção dos menores.


Uma das decisões jurisprudenciais pioneiras neste âmbito foi proferida em junho de 2015 pelo Tribunal de Évora, que proibiu um casal de divulgar imagens e informações da filha nas redes sociais, de forma a salvaguardar o direito à reserva da intimidade e o superior interesse da criança.

“A ânsia de nos enquadrarmos nestes meios de confraternização virtual não pode levar a uma derrogação de direitos essenciais sem qualquer ponderação, principalmente quando se trata de crianças que devem ser preservadas e não expostas”, conclui Rossana Cruz".

terça-feira, 24 de abril de 2018

Entrevista a Daniel Sampaio: "“A Internet é uma oportunidade de proximidade e não de conflito” entre pais e filhos"

RUI GAUDÊNCIO

Artigo de Rita Marques Costa para o Jornal Público, em 21 de abril de 2018.

Drogas, álcool e sexualidade continuam a ser questões que marcam a adolescência. Mas agora também se vivem na Internet, essencialmente através do telemóvel. No livro Do telemóvel para o mundo, Daniel Sampaio oferece um guia prático sobre como os pais de adolescentes podem lidar com estas questões e utilizar a Internet como forma de aproximação e não de conflito.

Em Do Telemóvel para o Mundo — pais e adolescentes no tempo da Internet, Daniel Sampaio fala da Internet como “um ponto de encontro entre gerações”. Uma “coisa maravilhosa”.

No seu 27.º livro o psiquiatra propõe um guia prático sobre como lidar com adolescentes, num tempo em que o telemóvel passou a ser uma extensão deles próprios. Equilíbrio, confiança e afecto são palavras-chave. E faz questão de sublinhar: apesar das mudanças tecnológicas “os pais continuam a ser o mais importante de tudo”.


No livro sente necessidade de explicar com algum detalhe as principais redes sociais utilizadas pelos jovens. Além disso, sublinha que os pais precisam de melhorar a sua literacia digital. Os pais ainda não sabem o suficiente sobre a Internet onde os filhos navegam?

Estão longe de saber. Os pais sabem o que é o Facebook e o Instagram, mas não sabem como é que os filhos os utilizam. Evidentemente que para algumas pessoas aquela informação pode parecer excessiva, mas o que eu pretendi foi descrever a evolução, por exemplo, do Facebook, que é sobretudo utilizado para promover eventos e festas de anos, e muito pouco como rede social de comunicação. Enquanto o Instagram e o Whatsapp são muito mais utilizados para comunicar. A tónica do livro é que os pais devem conhecer e dialogar e não devem controlar, como alguns fazem, espiando o telemóvel ou colocando filtros.


Então como é que pode haver algum controlo por parte dos pais?

Defendo que desde o tempo da infância, os pais ajudem os filhos a utilizar a Internet, de modo a que eles possam interiorizar as regras desde muito cedo. Estou a falar dos quatro, cinco anos de idade. E que aos 10 anos, quando têm o telemóvel, exista novamente uma conversa sobre a utilização do telemóvel. O que é importante é que os pais estejam à vontade para poder perguntar "O que é que estás a colocar na Internet?", "O que estás a ver?", "Vamos falar".


Refere ao longo do livro a importância de que os pais preservem a privacidade dos filhos. Mas como é que podem "arrancar" alguma coisa dos jovens e adolescentes sem comprometer a sua privacidade?

Esse é o grande desafio da adolescência: promover a autonomia, sem perder o controlo. É um equilíbrio. Como é que se equilibra? Através da confiança. Se houver essa preocupação em falar e a partilha do que se passa na Internet e na escola, do que eles estão a sentir perante uma notícia na televisão... Se o clima familiar for de confiança, é mais fácil uma confidência. Por isso é que digo que a Internet é uma oportunidade de proximidade e não de conflito e separação como por vezes vejo em algumas famílias.


Que conhecimento sobre a Internet é que os pais devem passar às crianças quando, por vezes, eles próprios também não têm grande conhecimento?

Estamos a falar de tecnologias que já têm alguns anos. Tem havido alguma dificuldade das pessoas em perceberem o impacto das novas tecnologias. É importante dizer que a Internet é uma coisa maravilhosa. Por isso é que falo do telemóvel para o mundo, porque o telemóvel hoje abre as fronteiras de todo o mundo e permite contactar em todo o lado. Mas é preciso explicar que depende da forma como se utiliza. E é preciso explicar que é preciso usar com regras, com parcimónia, não invadir os tempos familiares essenciais — o pequeno-almoço, a partida para a escola, a chegada a casa, o jantar e deitar. Que as crianças e os adolescentes possam usar o telemóvel como uma coisa boa e que não seja uma fonte de conflito.


Mas também aponta que os jovens saem do Facebook porque os adultos estão lá.

Sim. Neste momento, o Facebook é abandonado pelos adolescentes porque é um território que foi apanhado pelos adultos. Eles querem sempre ter um território mais privado que seja seu. É bom que exista um território de comunicação privado entre os jovens, para que eles possam comunicar entre si, mas que também possam comunicar com os adultos.


O que muda na forma como os jovens passam pela adolescência agora que estão apetrechados com smartphones?

Com a Internet, de uma forma geral, é tudo muito diferente. Tínhamos um paradigma para compreender a adolescência que era família, grupo de amigos e escola. Víamos que um adolescente estava bem com os pais, tinha amigos e estava bem na escola, então estaria bem. Hoje em dia, isso continua a ser importante. Os pais continuam a ser o mais importante de tudo na adolescência. Os amigos são muito importantes na fase média da adolescência, entre os 15 e os 17 anos, mas surgiu agora esta comunicação em rede. É preciso perceber que isso se traduziu numa forma muito diferente de encarar o corpo adolescente, a sexualidade, a forma de falarem uns com os outros, foi tudo muito alterado. O livro é dedicado aos pais, que têm de saber cada vez mais sobre isso para poderem comunicar melhor. Eu fiz um capítulo só sobre a sexualidade porque encontro muitas dúvidas dos pais sobre a sexualidade dos filhos.


No campo da pornografia e da sexualidade, como é que a Internet torna estes temas ainda mais complexos?

Esse é um tema muito interessante que resolvi incluir no livro. No meu contacto com os jovens adolescentes, percebi que sobretudo os rapazes vêem muita pornografia porque é muito fácil de aceder. A grande questão da pornografia é que deve ser discutida. Para já, é uma indústria. Depois, há uma exploração do corpo da mulher. E ainda introduz uma dimensão que não corresponde à vida normal das pessoas. É um tema que se deve falar frontalmente e sobre o qual acho que eles estão desejosos de conversar.


Também fala da falta de educação sexual nas escolas. Isto ainda é um problema?

Fui coordenador do grupo de trabalho que deu origem à lei da educação sexual em 2009. Fomos nós que propusemos os programas de educação sexual que depois foram convertidos em lei. O que eu verifico nas escolas é que isso está reduzido ao mínimo. A uma hora ou duas por ano. E isso acho que faz imensa falta. As pessoas pensam que educação sexual é falar de sexo. Mas é sobretudo falar de educação e tem a ver principalmente com a ética na sexualidade. Com a relação rapaz/rapariga, com a homossexualidade, com o respeito entre as diferentes pessoas, com a contracepção, o conhecimento do corpo. Tem a ver com uma série de conteúdos adequados à idade que se deviam dar nas escolas. Para isso era preciso que os professores continuassem a preparação que na altura tiveram.


Aproximar pais e filhos em torno das novas tecnologias e daquilo a que chama a "pequena conversa" são dois aspectos que considera cruciais. O que impede que isto aconteça?

Acho que isso é sobretudo um problema dos pais. Porque os pais continuam com uma ideia de que é preciso falar muito a sério com os filhos sobre estes temas. Essa é uma ideia que eu acho que é do passado. Isso foi-me transmitido pelos jovens com quem trabalhei para este livro. Trabalhei com um grupo de quatro jovens, com quem fiz um debate de duas horas sobre todas estas questões. Todos eles - três rapazes e uma rapariga - me disseram que a conversa séria com os pais não resulta.


É aí que surge a “parentalidade construtiva”. Os pais ainda têm de aprender a ser construtivos?

Completamente. [Esse conceito] é uma coisa que resulta da investigação. O que se sabe hoje em dia é que o estilo parental é muito importante. Sabe-se que os pais que têm autoridade sem autoritarismo e ao mesmo tempo estão envolvidos afectivamente com os filhos, promovem uma adolescência mais saudável. Os pais que têm um grande autoritarismo e aqueles que são mais permissivos contribuem para uma adolescência com mais problemas. Essa eficácia parental tem muito a ver com o amor firme, mas ao mesmo tempo com o amor afectivo. É isso que se chama parentalidade construtiva.


Dá o exemplo de um pai que lhe coloca uma questão sobre partilhar um “charrinho” com o filho de 15 anos. Isto é muito perigoso?

É, porque é completamente diferente utilizar os derivados da cannabis num adulto e num adolescente. Nós podemos dizer que a cannabis na adolescência prejudica as tarefas da adolescência. Porque diminui a concentração e a atenção. Eles têm mais tendência a fracassar na escola. Aparecem uma série de conflitos familiares resultado do uso das drogas. A adolescência é mais problemática. Num adulto é completamente diferente. Um adulto já tem a sua vida feita e as repercussões são diferentes. Quando o chamado “pai camarada” faz isso com o filho ao lado, está a dizer que não tem importância nenhuma.


No livro faz questão de referir que a adolescência não é um período tão negro como muitos o pintam. 

Sim. Isso tem uma razão histórica. Durante muito tempo, a adolescência foi considerada uma espécie de doença. Quando se fala com muitos jovens verifica-se que é uma época boa, porque é de descoberta. É difícil para os pais. Na infância e na idade adulta dos filhos é mais fácil ser pai. Mas é preciso explicar que a grande maioria dos jovens a vive como um bom período.



Dicas para os pais de crianças e adolescentes na era do telemóvel

Dar um telemóvel: 
“Aos 10 anos, porque corresponde ao 5.º ano de escolaridade, em que têm menos tempo de aulas e ficam mais tempo sozinhos. O telemóvel pode ser útil.”

Explicar como funciona a Internet: 
“A explicação da Internet deve começar por volta dos quatro, cinco anos.”

Proibir o uso do telemóvel:
“Sobretudo à noite. O telemóvel não deve ser levado para o quarto de dormir e isso deve ser dito bem cedo. Para criar a regra. Depois, à hora das refeições.”

Permitir uma conta no Facebook: 
“Há uma regra deles [Facebook] que não é cumprida [quanto à idade mínima]. Eu diria 12, 13 anos, o início da adolescência. Mas com muitas regras.”

Regras a aplicar na utilização do Facebook: 
“Aquelas que as pessoas sabem mas não cumprem. Não dar dados de identificação, como o nome, a idade certa, ou a escola onde se anda, não colocar imagens privadas, a não ser mais tarde, e não contactar com estranhos dando dados pessoais.”

Que fotos dos jovens e crianças se devem partilhar nas redes sociais: 
“O direito à reserva da imagem é muito importante. Ter muito cuidado na infância. Deve haver uma grande cautela nisso.”

Que estratégia para conversar com os filhos:
“A mensagem é aproveitar pequenos momentos, seja no carro para a escola, no final de semana, quando vão tomar um café, a propósito de um programa de televisão... Aproveitar essa conversa que surge espontaneamente para poder transmitir alguns valores e algumas regras.”