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terça-feira, 24 de abril de 2018

Tire o tablet do seu filho e dê-lhe um instrumento musical!

Photo by Heidi Yanulis on Unsplash



Artigo do Portal Raízes em 24 de Abril de 2018.


Muitos pais, para calar os filhos e/ou para os manter sossegados, não hesita em dar-lhes um tablet ou um smartphone. Nada de mais errado, de acordo com as últimas descobertas. Álvaro Bilbao, neuropsicólogo espanhol, autor do livro El cerebro del niño explicado a los padres (O cérebro da criança explicado aos pais), diz que, se querem ter filhos (mais) inteligentes, têm que tirar o iPad e dar a eles um instrumento musical!

De acordo com este especialista as aulas de música estimulam a capacidade de raciocínio das crianças, mais do que a tecnologia. Segundo um estudo publicado na revista Psiquiatría Molecular, 50% da inteligência é determinada pelos genes mas os restantes 50% dependem dos estímulos que os mais pequenos recebem.

“Sem os pais, o potencial intelectual da criança não se desenvolve”, assegura Álvaro Bilbao.

A chave do desenvolvimento potencial do cérebro da criança está na sua relação com os pais. Ainda que a genética tenha um peso importante, sem essa presença não se materializará, assegura o especialista.

“Uma criança pode ter potencial genético para atingir 1,90 metros mas, se os pais não o alimentarem bem, nunca chegará lá”, exemplifica o neuropsicólogo, que garante que os 6 primeiros anos de vida são primordiais no processo.

Além de reforçar condutas positivas e de brincar mais com os filhos, no chão, se for caso, como recomenda Álvaro Bilbao, os pais devem promover a socialização em detrimento do isolamento, o que implica desligar a televisão à mesa, além de incentivar a criança a fazer esportes e a experimentar atividades.

“A criança deve sentir que tem pais que se preocupam com ela”, defende também o pediatra Maximino Fernández Pérez.


O que sugerem as últimas investigações internacionais

Estas são algumas das estratégias que os estudos e os especialistas defendem:

Estudar música
Um estudo da Universidade de Toronto, publicado na revista Psychological Science, relacionou o desenvolvimento cognitivo com a aprendizagem de música. Durante um ano, três grupos de crianças de seis anos estudaram, separadamente, canto, piano e expressão dramática. Os que aprenderam música revelaram padrões de inteligência maiores no final.


Não ver televisão
Há uns anos, estavam na moda os filmes de desenhos animados em DVD que aliavam figuras desenhadas à música clássica de compositores como Mozart e Beethoven. Muitos especialistas afirmavam que estimulavam a inteligência de bebês e crianças, uma teoria que muitos estudos internacionais desmentiram. A Associação Americana de Pediatria diz mesmo que as crianças com menos de 2 anos não devem ver televisão.

Evitar programa de desenvolvimento cerebral
Nos últimos anos, surgiram muitos jogos eletrônicos e aplicações móveis que asseguram que treinam o cérebro e estimulam a memória. A verdade é que não existe qualquer base científica que o comprove.

Ver filmes numa língua estrangeira
As crianças que veem filmes numa língua estrangeira tendem a adaptar-se mais facilmente a outros vocábulos e a outros sons. De acordo com um estudo europeu sobre competência linguística, levado a cabo pelo Ministerio de Educación, Cultura y Deporte de Espanha, os espanhóis têm dificuldade em compreender e em falar inglês porque, ao contrário dos portugueses, veem tudo dobrado.

Ler a duas vozes antes de ir para a cama
As histórias que os pais leem aos filhos para os adormecer devem ser lidas a duas vozes. O progenitor lê uma página e a criança lê a seguinte e por aí afora… Um estudo realizado no Canadá garante que este método permite melhorar a capacidade de aprendizagem dos mais pequenos.



segunda-feira, 2 de abril de 2018

Dispositivos móveis: a invasão das chupetas digitais!


visualhunt


Os dispositivos móveis têm uma enorme influência no dia a dia das crianças e jovens. Gostaria de partilhar consigo uma experiência deveras preocupante a que recentemente assisti enquanto jantava num restaurante com muitas famílias à mesa.

O que vai ler já não será novidade para si, mas reflete dois dos maiores perigos para a saúde do seu filho. Tem a ver com dispositivos móveis e afeta milhares de famílias em todo o mundo.

Estavam dois casais à mesa, cada um acompanhado por um filho. Jantavam tranquilamente e saboreavam os petiscos servidos. Os casais conversavam entre si e os dois miúdos estavam entretidos com as suas chupetas digitais. O mais novo com cerca de 2/3 anos via vídeos no YouTube e o mais velho com cerca de 8/9 anos mexia no telemóvel com aquele gesto característico de quem estava no Facebook. Ambos tinham outra particularidade: era fácil observar que estavam bem acima do peso recomendado para as suas idades.

De repente, falhou a internet e a criança mais velha começou a reclamar num tom elevado. Quando os pais aproveitaram esse momento para tirar o tablet ao mais novo e dar-lhe a sopa, imagine o que aconteceu: gritos.

Enquanto tinham as chupetas digitais, tudo estava tranquilo, mas quando ficaram sem elas, gerou-se o caos à mesa.

 Algumas considerações sobre dispositivos móveis:
  • Para mim, os telemóveis/tablets, bem como as redes sociais, não são bons nem maus. São apenas um amplificador do que já existe naquela família.
  • Passar demasiado tempo em frente a dispositivos móveis provoca uma adição, como se de uma droga se tratasse, mas sem a consequente degradação física que esta última provoca. Vendo bem as coisas, é até o contrário: provoca um aumento do peso com consequências igualmente drásticas para a saúde.
  • Estar com o seu filho ou passar tempo com ele não é apenas estar ao seu lado. Isso qualquer um faz. Estar com o seu filho é ligar-se a ele num estado puro e despido de qualquer artifício eletrónico/digital. É criar uma ligação profunda através de:
  1. Contacto ocular;
  2. Conversa;
  3. Toque, abraço e carinho.

 

Conselhos para educar o seu filho longe dos dispositivos móveis:

  • Troque as chupetas digitais por momentos de pura magia.
  • Crie o hábito de conversar com o seu filho, seja ao almoço/jantar, seja em qualquer outro momento.
  • Faça da brincadeira um trabalho para a vida toda e brinque com ele até se cansarem.
  • Realize atividades desportivas com o seu filho. Saiam à rua, corram, sujem-se e rasguem a roupa enquanto brincam. Eduquem o vosso corpo através do movimento corporal (e não apenas com o movimento ocular).
  • Crie regras para o uso de dispositivos eletrónicos e defina o período e os locais em que a criança pode usá-los.
  • Seja grato pelas birras, choros e aborrecimentos do seu filho. São apenas oportunidades para ensinar a si e a ele uma competência muito importante chamada paciência. Esta leva-nos ao autoconhecimento emocional e social.
Parece fácil lidar com o poder que os dispositivos móveis têm sobre as crianças? E é! Basta começar a colocar em prática algumas destas dicas. Seja persistente e ensine dando o exemplo.
 

Nelson Ramos

Consultor IHTP Academia de Educação