O
mundo dos videojogos tem crescido de forma rápida e paralela ao
desenvolvimento das novas tecnologias: das antigas consolas de
videojogos que se ligavam à televisão, passámos pela era das consolas
portáteis que se ligam à Internet e atualmente são criados vários
ambientes de realidade virtual que permitem o jogador interagir com
ambientes de 360º.
O Gaming, é o conceito que corresponde à atividade lúdica de
jogar videojogos, podendo ser realizado em contexto online ou offline.
Estas atividades comportam benefícios quando praticadas de forma
equilibrada, mas também oferecem riscos que devem ser acautelados pelos
jogadores e reconhecidos pelos pais e educadores.
Como tal, a Federação Portuguesa do Desporto Eletrónico (FEPODELE) associou-se ao Centro Internet Segura para lançar um Guia para Pais e um Dicionário de um Gamer,
com o objetivo de facilitar a comunicação e o relacionamento entre
jogadores e utilizadores que ainda não estão familiarizados com a
temática dos videojogos.
Descarregue já, de forma gratuita, ambos os recursos disponíveis na Área de Recursos (Flyers)do nosso website.
Uma investigação revelou centenas de mensagens de cariz sexual.
Notícia de 5 de abril de 2019 na SIC Notícias
Danish Siddiqui
A aplicação de vídeo TikTok está a ser acusada de falhar em proteger crianças que estão a receber mensagens de cariz sexual. Uma investigação da BBC revelou centenas de casos.
São muitos os comentários explícitos que chegam a ser publicados em contas de crianças com apenas nove anos. Apesar da maioria ser apagada pela aplicação quando são reportados pelos utilizadores, os seus autores não são banidos da plataforma, apesar dos regulamentos desta proibirem expressamente estes comportamentos.
A TikTok é uma aplicação que permite a publicação de pequenos vídeos. Tornou-se particularmente popular entre jovens, que a utilizam para gravar vídeos a cantar e dançar, a contar piadas ou a completar desafios. Terá mais de 500 milhões de utilizadores ativos por mês em todo mundo.
Centenas de mensagens e comentários explícitos
BBC/TikTok
Durante três meses, a BBC reportou centenas de comentários que encontrou em vídeos de menores de idade. As denúncias foram feitas através das ferramentas disponibilizadas pela aplicação ao utilizador comum. Apesar da grande parte dos comentários ter sido removida em 24 horas, houve muitos que continuaram públicos e as contas ativas.
Segundo o regulamento, são proibidos quaisquer “publicações ou mensagens privadas que assediem utilizadores menores” e que se a empresa tiver “conhecimento de conteúdo que explore sexualmente ou coloque em perigo crianças (…) alertará as autoridades”.
Para além das mensagens de cariz sexual, há também denúncias de conteúdo misógino, racista, homofóbico e antissemita.
BBC/TikTok
O perigo à espreita
BBC/TikTok
“Estas pessoas estão a usar estas plataformas para ganhar acesso a crianças”, explicou a comissária inglesa para os direitos das crianças, Anne Longfield. Enquanto muitos destes predadores utilizam perfis anónimos, outros não escondem nomes e fotografias reais.
Contactado pela BBC, o pai de uma criança de 10 anos revela que apagou a aplicação do telemóvel do filho depois de ter descoberto mensagens de um homem adulto.
“As mensagens, que continham asneiras, diziam ‘não me ignores’, 'sei quem és e vou-te buscar’ (…) Se o meu filho tivesse respondido, o que podia ter acontecido a seguir? (…) É nojento, a TikTok tem uma responsabilidade agora e se as pessoas estão a receber mensagens como estas, deviam pelo menos contactar as autoridades”.
Entretanto, a plataforma emitiu um comunicado onde garante estar “comprometida em aprimorar as medidas existentes e introduzir processos técnicos e de moderação adicionais”.
Estamos a passar os dez minutos de um vídeo de SirKazzio, o youtuber
português com mais seguidores (uns impressionantes 5,1 milhões – muitos
são brasileiros). Quem faz a pergunta do cocó é David Carreira, cantor
pop e filho de Tony Carreira, e os dois estão sentados num sofá em casa
do youtuber. A ideia é tirar à vez uns papelinhos que estão
numa caneca. Em cada papelinho estão perguntas como a do cocó e, para
sorte de David Carreira, quem tem de responder é SirKazzio.
Para tornar a coisa ainda mais difícil, David Carreira diz que o chocolate, além de saber a cocó, deve também "cheirar a cocó", mas depois troca-se um pouco a falar, o que é motivo para uma boa risada, porque "entre cocó e chocolate, uma pessoa fica baralhada...", e SirKazzio responde finalmente que prefere comer cocó com sabor a chocolate. "Mas tem cheiro a cocó", lembra David Carreira. "Tapo o nariz...", responde o outro.
Nos comentários ao vídeo (que tem como título Preferias Andar Nu Na
Rua?! Com David Carreira), praticamente só se veem – a avaliar pelas
fotos de perfil – crianças e adolescentes, muitos ainda com dificuldades
a Língua Portuguesa (exemplo: "És só tu que eu ouso as tuas musicas").
É
um fenómeno transversal a estes canais de YouTube, quase tanto como a
aparição do próprio David Carreira neles. Só em 2018, e de forma
involuntária e inesperada, encontrámo-lo em 14 vídeos de youtubers
(incluindo dois brasileiros: Luiz Mariz e Gioh) - o que indicia uma estratégia de posicionamento do cantor de 27 anos no mercado escolar EB 2/3.
SirKazzio
chama-se, na vida civil, Anthony Sousa. Tem 26 anos e o ligeiro sotaque
advirá de ter nascido na Venezuela. O cabelo pintado de vermelho
fluorescente segue as tendências deste target.
No essencial, do que foi possível ver, estes canais de maior sucesso assentam em quatro fórmulas:
1.
Rubricas. Por exemplo, coisas que não sabe sobre. Ou vídeos engraçados
do YouTube e vejam como eu reajo a vê-los. Ou perguntas de escolha
obrigatória entre chocolate que sabe a cocó ou cocó que sabe a
chocolate;
2. Jogos de computador;
3. Coisas que os adolescentes
fazem quando estão juntos, como se estivessem em viagens de finalistas a
Benidorm, mas tudo passado cá. Chamam-lhes trolladas.
A
vertente 2, à primeira vista, parece a mais comum. É por isso que estes
canais estão carregados de arrotos, puns, piretes, palavrões e aquilo a
que chamam trolladas (as partidas que pregam uns aos outros).
São
vídeos onde as pausas e as vírgulas continuam a existir, mas sobrevivem
com três bengalas: o mano, o puto e o tipo. Exemplo: "Como é que é,
puto, queres ir tipo lá a casa, tipo, jogar um jogo, mano?"
É um tique geracional. O youtuberRicFazeres
– que só se dedica a jogos de computador à noite, de dia trabalha no
Metropolitano de Lisboa – usa como bengalas velho e Zé. Não por acaso,
está com 40 anos.
A vertente 3, a exposição da vida privada, pode
causar alguma estranheza para quem não partilha desta ideologia de vida
e de negócio.
Por exemplo, SirKazzio publicou a 9 de dezembro um
vídeo intitulado O parto da nossa bebé - Emma. A mãe, acabada de o ser,
aparece no quarto do hospital com a filha, acabada de nascer. Mas
SirKazzio está furioso. O que queria mesmo publicar era o parto – que
filmou, porque "vocês poderiam ver o nascimento dela e acho que seria
uma cena linda" –, mas o YouTube não deve ter gostado de algum eventual
conteúdo explícito e removeu as imagens.
SirKazzio estava triste, até porque, antes da remoção, o vídeo "estava a
explodir em termos de visualizações e likes". Aparentemente, tudo isto
parece apenas uma tontice, mas há um pouco mais do que isso.
A caça ao like e o Artigo 13
Uma
das principais características destes canais de YouTube são os
contínuos pedidos para os fãs porem likes, ou subscreverem o canal, ou
fazerem comentários ou partilhas em todas as redes sociais que puderem e
conseguirem.
É uma ladainha insistente em cada vídeo. A razão,
que nunca é revelada nestes termos, é simples: os youtubers recebem
dinheiro em função do tráfego online dos seus vídeos, como visualizações
e likes. Quanto mais "envolvimento" o vídeo tiver, mais anúncios pode
receber e mais caros eles podem ser.
Desde 2013 que é possível,
em Portugal, ganhar dinheiro com publicidade no YouTube, e desde 2017
que é imposto um limite mínimo de 10 mil visualizações para um vídeo
poder ter publicidade.
É comum ouvir um youtuber lançar
desafios como "se na próxima meia hora eu tiver 1.000 likes faço isto ou
aquilo". O que pode parecer um inocente pedido de apoio moral ou a
promessa de uma nova brincadeira divertida – quem sabe mais uma trollada no mano que está agora na casa-de-banho a fazer cocó, puto –, mais não é do que alguém a fazer negócio.
Quando SirKazzio lamentou, desolado, a censura do YouTube ao parto da sua filha na altura em que o vídeo "estava a explodir em termos de visualizações e likes", lamentava-se provavelmente da perda de um bom negócio.
Veja-se como SirKazzio termina o vídeo do cocó com David Carreira: "Deixem
o vosso like, não se esqueçam de partilhar o vídeo por todas as vossas
redes sociais, que isso ajuda bastante, em qualquer rede social serve,
até pelo WhatsApp, já sabem como é que funciona, é só partilharem o link
para pessoas que não conheçam o canal, assim chegam sempre pessoas
novas ao canal. E comentem muito."Por exemplo, no final deste vídeo o youtuber Wuant pede 150 mil likes e em troca faz "mais cenas destas".Dito de outro modo, por trás de um youtuber a fazer conteúdos patetas, está na verdade um profissional liberal a fazer pela vida.
Quando
vários youtubers vieram há poucas semanas anunciar "o fim da Internet
como a conhecemos", o fim do YouTube na Europa, mais o fim da liberdade
de expressão e o fim da criatividade, etc, etc – tudo devido ao
famigerado Artigo 13 aprovado no Parlamento Europeu, que pretende trazer
para a Internet alguma da legalidade que existe na vida civil, neste
caso sobre direitos de autor –, estavam na verdade a ver no horizonte o
hipotético fim dos seus negócios. Em alguns casos o único meio de
subsistência.
O famoso youtuber Wuant fez um vídeo (apocalipticamente intitulado O Meu Canal Vai Ser Apagado) para perguntar "se
a nossa geração está preparada para sofrer uma cena assim? Nós não
estamos prontos para lidar com o desaparecimento disto tudo. A nossa
vida depende da Internet".
(...)trollada das mulheresA presença feminina neste campeonato é, regra geral, menos adepta da trollada e mais ligada aos cuidados de beleza e lifestyle. Uma das mais famosas é SofiaBBeauty
(264 mil seguidores), que começou em 2012 com 12 anos. Hoje com 17
anos, mantém o seu canal civilizado e limpo de cocós. O sucesso
arrasta-se ao Instagram (288 mil seguidores), com consequente apelo das
marcas.
Mais próximo da trollada masculina estão as duas mulheres mais seguidas no YouTube em Portugal: Owhana (434 mil seguidores e SEA 3P0 (797 mil seguidores).
O Parlamento Europeu aprovou, esta terça-feira, a diretiva relativa à gestão digital dos direitos de autor.
A proposta foi votada com 348 votos a favor e 274 contra.
A aprovação surge após o acordo provisório, conseguido em meados de fevereiro deste ano, por negociadores do Conselho da UE, do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia, no âmbito do 'trílogo' entre estas instituições.
Para a lei entrar em vigor na União, terá agora de haver uma votação final no Conselho da UE, onde estão representados os Estados-membros.
Os países da UE têm, depois, dois anos para transpor a diretiva.
A primeira proposta sobre a nova diretiva de direitos de autor, que visa adaptar o mercado à era digital e proteger este material na internet, foi apresentada em 2016 pela Comissão Europeia e, devido à intensa polémica que causou, o texto sofreu várias alterações ao longo dos anos.
Os artigos polémicos desta diretiva eram o 11.º e o 13.º: enquanto o artigo 11.º dizia respeito à proteção de publicações de imprensa para utilizações digitais, prevendo um pagamento a essa mesma publicação na partilha de 'links' ou de referências, o artigo 13.º previa a criação de um mecanismo para controlar o material que é carregado nas plataformas por parte dos utilizadores, sistema este que tem sido muito criticado por não conseguir distinguir um uso legal (como a citação) de uma utilização ilegal.
Nova numeração e exceções
Apesar de se manterem, estes artigos têm agora nova numeração, passando a ser os artigos 15.º, referente à proteção de publicações de imprensa no que diz respeito a utilizações em linha, e 17.º, assentando sobre a utilização de conteúdos protegidos por prestadores de serviços de partilha de conteúdos em linha.
Além da numeração diferente, o texto final da diretiva passou também a prever exceções e novas formulações destes artigos, que resultam de modificações feitas pela França e pela Alemanha, dois dos países com mais peso no Conselho da UE.
Assim, no caso do novo artigo 15.º, excetua-se a "utilização privada e não comercial de publicações de imprensa por utilizadores individuais", bem como o uso "de hiperligações" e ainda de "palavras isoladas ou de excertos muito curtos de publicações de imprensa".
Explícito está agora que "os Estados-membros devem prever que os autores de obras que sejam integradas numa publicação de imprensa recebam uma parte adequada das receitas que os editores de imprensa recebem pela utilização das suas publicações de imprensa por prestadores de serviços da sociedade da informação".
Já o novo artigo 17.º determina que "os Estados-Membros devem prever que os prestadores de serviços de partilha de conteúdos em linha realizam um ato de comunicação ao público ou de colocação à disponibilização do público para efeitos da presente diretiva quando oferecem ao público o acesso a obras ou outro material protegido por direitos de autor carregados pelos seus utilizadores".
Isto significa que as plataformas (como o YouTube ou o Facebook) passam a ser responsáveis pelos conteúdos carregados pelos utilizadores, devendo celebrar acordos de concessão de licenças com os titulares de direitos.
Memes protegidos
Afetadas não são, porém, as "utilizações legítimas", como o livre carregamento e a partilha de obras para efeitos de citação, crítica, análise, caricatura, paródia ou pastiche, refere a lei.
Vai continuar a ser, então, possível carregar conteúdos como memes e os GIFs, que era uma das preocupações do setor.
Às plataformas caberá ainda criar um "mecanismo de reclamação e de recurso eficaz e rápido, disponível para os utilizadores dos respetivos serviços em caso de litígio".
Mais ligeiras são as regras para os "novos prestadores de serviços de partilha de conteúdos", isto é, as plataformas com um volume de negócios anual abaixo dos dez milhões de euros, menos de cinco milhões de visitantes por mês e que estejam 'online' há menos de três anos, que apenas terão de atuar "após a receção de um aviso suficientemente fundamentado".
Durante a semana de 11 a 15 de março, as escolas, sob o lema "Hoje leitor, amanhã leitor", encontram-se a desenvolver atividades que festejem a leitura como ato comunicativo, de liberdade e responsabilidade, um diálogo entre a literatura, a arte e a ciência, um espaço de encontro, criativo e colaborativo.
Para além de te recomendarmos a leitura do primeiro livro da coleção "Alerta Premika! Risco online detetado", apresentamos-te 100 Atividades sem Ecrã para Te Divertires da autoria de Kris Hirschmann/Elsa Paganelli, Texto Editores.
Quem não gosta de ver as séries favoritas na televisão, acompanhar o Youtuber favorito, enviar mensagens aos amigos ou seguir as publicações
no Instagram de uma qualquer celebridade?
Mas a verdade é que, por muito atrativas que sejam as tecnologias (e
não há dúvida que o são!), há todo um mundo que não cabe nos ecrãs. Um
mundo real em que podemos interagir de facto com os outros, em vez de
nos fecharmos em nós mesmos com a ilusão de que estamos em contacto com
todos. Além disso, os jogos têm a vantagem de favorecerem a
criatividade, ao mesmo tempo que estimulam tanto o nosso físico como o
intelecto.
Nesta centena de atividades que dispensam os aparelhos tecnológicos
encontramos de tudo um pouco: como aprender a fazer torradas coloridas
ou espetadas de chocolate e marshmallow, procurar tesouros escondidos no
quintal, fazer uma pinhata de balões de água ou até construir uma pista
de obstáculos. Para fazer tudo isso basta largar o telemóvel por umas
horas… (Sérgio Almeida, JN)
“Sim, se precisares de informação sobre alguém de Harvard... é só
pedires. Tenho mais de quatro mil emails, fotografias, moradas, números
de segurança social (…) As pessoas simplesmente submeteram isto. Não sei
porquê. Elas ‘confiam em mim’. Idiotas do caraças.” Era com estas
palavras cruas que, em 2004, pouco após o arranque do Facebook,Mark Zuckerberg prometia a um amigo acesso a dados dos utilizadores.
A
conversa – que decorreu num serviço de mensagens online e chegou à
imprensa anos mais tarde – aconteceu numa altura em que a rede social
era ainda um serviço restrito aos estudantes da Universidade de Harvard e
não um gigante que ajudou a transformar o entendimento de boa parte do
mundo sobre o que são as fronteiras da privacidade e o que é seguro
depositar nos servidores de multinacionais.
Vários anos após aquelas mensagens, um Zuckerberg já multimilionário e
presidente de uma plataforma global trocou emails com diretores da
empresa sobre como os dados pessoais podiam ser rentabilizados. As
mensagens, enviadas entre 2012 e 2015, vieram a público no ano passado,
na sequência de uma investigação do Parlamento britânico. Mostram como o
Facebook discutia a possibilidade de ceder mais informação às empresas
que pagassem por isso. “Queremos que as pessoas possam partilhar tudo
aquilo que querem, e que o façam no Facebook”, escreveu Zuckerberg. “E,
no futuro, acho que devíamos desenvolver um serviço premium para coisas como personalização instantânea.”
Os documentos deram um vislumbre sobre como os dados pessoais eram
encarados pelos gestores do Facebook quando falavam em privado, mas não
revelaram práticas necessariamente ilegais, ou sequer incomuns (a rede
social argumentou que os emails estavam descontextualizados).
Nas
últimas duas décadas, vários serviços online trouxeram novas formas de
comunicação e de exposição em público das vidas de cada utilizador, e
construíram negócios assentes na torrente de informação que, muitas
vezes, é lá colocada voluntariamente pelas próprias pessoas. Todos os
gigantes tecnológicos, bem como muitas empresas mais pequenas, usam
dados para direcionar publicidade, para personalizar serviços, sugerir
produtos, encontrar novos clientes, melhorar o desempenho de vendas,
antecipar necessidades e perceber qual o próximo projeto em que devem
trabalhar.
Introduzir no Google a palavra “pizza” é uma
experiência diferente em Lisboa ou no Dubai, num computador ou num
telemóvel, e consoante aquilo que se tenha pesquisado antes. Procure-se o
preço de uma viagem para Paris e é fácil ser-se perseguido online por
uma miríade de anúncios a carros de aluguer e hotéis, vindos de
plataformas como o Booking e o Airbnb. Faça-se uma compra na Amazon e os
algoritmos da empresa tentam perceber o que provavelmente vamos querer a
seguir – mesmo que ainda não o saibamos. No Netflix, ainda nem os
créditos do último episódio chegaram ao fim e já aparece a sugestão da
próxima série, com base no que foi visto antes. No site do PÚBLICO, um
sistema de recomendações também analisa os artigos lidos pelos
utilizadores para sugerir outros potencialmente relevantes.
É uma realidade que não tem sido ignorada pelos utilizadores. “As preocupações com a privacidade dos dados pessoais estiveram, desde sempre, no topo das barreiras à utilização de plataformas digitais, designadamente no âmbito do comércio eletrónico”, observa o académico Nuno Fortes, professor do Instituto Politécnico de Coimbra e autor de uma tese de doutoramento sobre privacidade e consumo online. “Creio que o nível de preocupação tem aumentado nos últimos anos, em paralelo com uma maior consciência dos riscos associados à cedência de dados pessoais”, acrescenta.
Também o Regulamento Geral de Protecção de Dados, uma lei europeia que entrou em vigor no ano passado, “veio dar uma maior visibilidade
pública a este tema em Portugal, despertando nos utilizadores (e também
nas empresas) um maior interesse e conhecimento”, refere Nuno Fortes.
Múltiplos
estudos feitos desde meados da década passada indicam que os
utilizadores de Internet têm grandes preocupações de privacidade, embora
nem sempre ajam em conformidade. É um fenómeno conhecido como “o
paradoxo da privacidade”, cujas causas e efeitos são ainda alvo de
debate.
“A perceção de uma realidade e a mudança de comportamentos em função
dessa constatação raramente acontece”, nota Tito de Morais, fundador da
plataforma Miúdos Seguros na Net, que há anos se dedica a alertar para
comportamentos de risco online, especialmente entre menores. “Geralmente
é necessário experienciar um incidente para as pessoas se aperceberem
de que também pode acontecer com elas e mudarem de comportamento. ‘As
chatices só acontecem aos outros’ é uma percepção comum a jovens e a
adultos.”
Números da Comissão Europeia indicam uma predisposição para partilhar
dados online: num inquérito, três quartos dos utilizadores de Internet
consideraram que partilhar informação pessoal na Internet fazia cada vez
mais parte da vida moderna.
Por outro lado, seis em cada dez
davam-se ao trabalho de mudar as definições de privacidade dos
navegadores de Internet (como o Chrome ou o Internet Explorer). Quatro
em cada dez evitavam sites específicos por terem medo de que as suas
actividades fossem espiadas; um pouco mais de um terço usava software para
evitar ver anúncios online; e um quarto recorria a ferramentas para que
a sua atividade online não fosse monitorizada. Em Portugal, os números
eram um pouco superiores, indicando uma preocupação maior.
Apesar dos cuidados, apenas 15% dos utilizadores na União disseram
sentir que tinham controlo completo sobre os seus dados. Metade
considerou ter controlo parcial e praticamente um terço disse não ter
qualquer controlo. Os dados foram recolhidos entre 2015 e 2016, numa
altura em que escândalos como o da consultora Cambridge Analytica ainda não tinham vindo a público.
As
empresas, contudo, não se ficam pela análise do comportamento online
quando tentam encaixar cada pessoa num perfil de idade, género,
preferências, interesses, nível de rendimentos e localização.
Momo Challenge, um desafio que surgiu no ano passado e que volta agora à ribalta através das correntes de partilha no WhatsApp. Entretanto, é também um dos assuntos mais quentes da plataforma YouTube, onde vídeos de Fortnite e da Peppa Pig já foram sinalizados. Tudo começou com uma escultura japonesa, em 2016 que, entretanto, está a ser utilizada para lançar desafios perigosos, ou mensagens inapropriadas.
Em primeiro lugar, “Momo” é a personagem fictícia baseada numa escultura real com contornos inquietantes.
As suas expressão faciais exageradas, os contornos rudes de um bico e os olhos completamente esbugalhados fazem da “Momo” uma visão que não passa despercebida. Esta mesma personagem estará a ser utilizada no WhatsApp para iniciar conversas aleatoriamente e, caso o utilizador incauto responda, inicia-se o desafio.
O Momo Challange propagou-se via WhatsApp
Após o contacto e conseguindo prender a atenção do contacto visado, o responsável lançaria desafios cada vez mais ousados. Algo que teria como objetivo último levar a pessoa a cometer suicídio, visando sobretudo chegar a crianças. Mentes mais suscetíveis de serem influenciadas pelas redes sociais, WhatsApp, YouTube, entre outras. Contudo, para já não existem vítimas diretamente relacionadas com o Momo Challenge.
Em pouco tempo foi associado ao desafio da Baleia Azul e, tal como este, escondia etapas com automutilação e apologia ao suicídio. Mas, afinal, o que é que é real em todo este caso do Momo Challenge? Em primeiro lugar, a sua rápida propagação, ainda que tudo o demais possa ser considerado uma enorme fake news.
Ainda que muitos dos contornos tenham sido exagerados, o Momo Challenge, de acordo com o DailyMail, o desafio já está a ser veiculado também no YouTube. Mais concretamente através de trechos cuidadosamente inseridos em vídeos aparentemente inofensivos. Em desenhos animados e séries infantis como a Peppa Pig.
Trechos inseridos em vídeos de Fortnite e Peppa Pig
Entretanto, de acordo com a mesma fonte, as alusões e trechos do Momo Challenge também foram encontrados em jogos como o Fortnite, aqui de acordo com o TheSun. A tendência é clara, utilizar os meios e jogos favoritos das crianças. As verdadeiras intenções desta prática são ainda desconhecidas. As reações de alguns pais, por outro lado, não se fizeram esperar.
De acordo com a fonte supracitada, as escolas da Grã-Bretanha estão a encarar esta ameaça como perfeitamente real. Aliás, em comunicado, a Escola Primária de Haslingden, no condado de Rossendale afirma:
Estamos cada vez mais cientes dos vídeos inapropriados para crianças que circulam online e que estão a ser vistos por crianças de toda a escola. Estes (vídeos) estão a aparecer em vários sites como o YouTube (e mesmo no YouTube Kids).
O Sun cita o caso específico de um vídeo, entretanto, removido, que começava de forma perfeitamente normal, um episódio da Peppa Pig. Ainda que começasse como qualquer outro episódio, o mesmo continha linguagem inapropriada, apologia ao suicídio infantil. Tudo isto além a divulgação do desafio Momo Challenge.
O YouTube apela à denúncia de vídeos que promovam o Momo Challenge
Tal comoalertamos recentemente, estas mensagens continuam a espalhar-se no YouTube. Ainda que a plataforma esteja a tomar uma postura mais severa perante este tipo de conteúdos que violam claramente as suas regras de conduta. Ainda assim, continua a albergar uma ampla discussão sobre o tema.
Assim sendo, a “Momo”, a mulher de cabelos escuros, olhos esbugalhados e feições demoníacas, é uma lenda urbana, um mito. Isso não está sequer em questão. Contudo, tem sido utilizada na plataforma de troca de mensagens e chamadas, WhatsApp, para assustar ou tentar influenciar crianças.
O YouTube explica ainda, em comunicado à CNNque este tipo de conteúdos não é permitido na sua plataforma de vídeos. Além do mais, agradece também o alerta para novas situações como o caso dos vídeos da Peppa Pig e do Fortnite, conteúdo criado para iludir os seus filtros automáticos.
Fortnite, Peppa Pig e outros conteúdos infantis…
O mesmo sucedendo com o YouTube, plataforma em que até conteúdos inócuos como a Peppa Pig ou o Fortnite são usados para corromper a inocência das crianças. Estes foram os casos mais denunciados, mas nada impede que outros formatos e meios sejam utilizados.
O ponto aqui a reter é o seguinte. Há uma nova ameaça bem real ao bem-estar das crianças. Ainda que a sua base possa não passar de um engodo, ou farsa já desmentida pelo relatório da Snopes. Este tipo de mensagens inapropriadas está a circular e pretendemos assim alertar os pais e demais responsáveis pelos menores.
Em suma, a “Momo” é apenas uma lenda urbana, mas isso não invalida o facto de estar a ser utilizada para aterrorizar crianças. Ou mesmo de estar a aparecer em trechos de vídeos da Peppa Pig, ou do Fortnite. Formas ardilosas de chegar à atenção das crianças. Estes sendo os formatos descobertos até ao momento.
O Momo Challenge é questionável, as preocupações dos pais, não!
Entretanto, é igualmente verdade que o caso não gerou vítimas, até ao momento. Este foi o ponto que lhe valeu o rótulo de “fake news” pelo UK Safe Internet Center. Atitude similar foi tomada pelas instituições de caridade, Samaritanse NSPCC que, acusaram os media de lançar uma onda de pânico.
Já, por outro lado, as autoridades inglesas estão preocupadas com a situação, respondendo também à crescente onda de consternação social. Aconselham os pais a vigiar atentamente os seus filhos. Sobretudo para a utilização de dispositivos móveis e computador. O melhor, é não facilitar.
Frisando aqui que tanto o WhatsApp como o YouTube continuam a ser as plataformas preferências para a disseminação do Momo Challenge. Por isso, esteja atento a qualquer comportamento atípico do seu filho. A qualquer influência por parte de conteúdos partilhados online.
O desafio pode até não existir. Aliás, é provável que não tenha as dimensões que poderíamos imaginar, mas o seu impacto pode ser bastante real. Nesse sentido, é recomendável uma ação preventiva.
A Conferência "Crianças e Jovens Portugueses no Contexto Digital" acontece no dia 28 de fevereiro das 9h às 18h, na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa - Campus de Campolide (https://goo.gl/maps/7Sq4eBmF1nR2). Informa-se que não há estacionamento no local e que a estação de metro mais próxima é a São Sebastião (https://goo.gl/maps/QMdXcBL1aCm).
A sugestão para a hora do almoço é a cantina da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, que fica dentro do Campus. Existem outras opções de restaurantes próximos, que podem ser consultadas aqui: https://goo.gl/maps/taZhRFaqz7p.
Eles e elas, entre os 9 e os 17 anos, navegam mais na Internet do que há quatro ou oito anos. A mudança deve-se ao uso de smartphones. Que uso fazem e que riscos correm foram algumas das perguntas do inquérito EU Kids Online, levado a cabo junto de cerca de 2000 alunos por uma equipa da Universidade Nova de Lisboa.
Artigo publicado no Público em 23 de fevereiro de 2019
Inquérito - Rede europeia "EU Kids Online"abrange 33 países
Crianças e jovens mostram-se críticos em relação à partilha online de conteúdos pessoais sem o seu consentimento, segundo um inquérito sobre o uso da internet.
Notícia publicada no JN em 23 de fevereiro de 2019
Foto : DR
Segundo o relatório "EU Kids Online Portugal" de 2018, divulgado este sábado, que analisa os "usos, competências, riscos e mediações da internet reportados por crianças e jovens", há uma atitude crítica proativa dos mais novos em relação ao"sharenting", a partilha de conteúdos pessoais na internet por pais, amigos e até professores sem consentimento dos visados.
Num universo de mais de 1800 respostas de crianças e jovens entre os 9 e os 17 anos sobre este tema, 28% mencionaram que os pais publicaram textos, vídeos ou imagens sobre eles sem lhes perguntarem se estavam de acordo.
De acordo com o relatório, "14% pediram aos pais para retirar esses conteúdos", sendo que essa situação "é referida por quase um quinto das raparigas entre os 13 e os 17 anos".
O documento aponta ainda que 13% dos inquiridos reportaram ficar incomodados com a partilha sem consentimento de informação pessoal, sendo que essa partilha partiu de professores em 7% dos casos.
Segundo o relatório, "6% registam ter recebido mensagens negativas ou ofensivas por causa de conteúdos sobre si publicados pelos pais", sendo que "os rapazes reportam praticamente o dobro do que as raparigas"
.
"A partilha de conteúdos por parte de amigos sem que o próprio dê consentimento é uma prática que também caracteriza a relação de amizade: 25% assinalam que os amigos publicaram coisas sobre si sem lhes perguntarem primeiro se estavam de acordo, com diferenças significativas por idade e género. Essa prática é mais referida nos 13-17 anos e mais por raparigas (36%) do que por rapazes (28%)", acrescenta-se.
Em termos globais, a percentagem passou de 7% dos inquiridos em 2010, 10% em 2014 para 23% em 2018. Mas é na faixa etária entre os 9 e os 10 anos que o crescimento é mais expressivo: dos 2% em 2010 para os 3% 2014 e daí para os 25% em 2018.O documento revela igualmente que em relação a estudos anteriores - o inquérito já tinha tido edições em 2010 e 2014 - mais do que duplicou a percentagem de crianças e jovens se afirmam ter sentido perturbados com a exposição a conteúdos negativos.
O inquérito procurou aferir a sensação de dano colocando uma questão genérica sobre se no último ano tinha acontecido alguma coisa online que tivesse incomodado de alguma maneira, provocando medo ou desconforto. Essa pergunta antecedeu outras questões sobre "bullying" (violência entre pares), "sexting" (envio de mensagens de cariz sexual), pornografia e outros riscos, explica-se no relatório.
"23% das crianças e jovens portugueses de 9-17 anos reportaram ter tido situações que incomodaram na internet no último ano", refere o relatório.
"Cerca de três quartos dos que experienciaram danos indicam que essas situações negativas aconteceram algumas vezes no último ano. Contudo, 23% dos mais novos (9-10 anos) apontam ter tido situações que os incomodaram todas as semanas ou mais", adianta o documento.
A rede de apoio preferencial para falar sobre as experiências negativas online são os amigos (42%) e os pais (33%). Irmãos e irmãs são opção para 13% dos casos e apenas 5% reportam ter falado com professores, sendo que 22% não falou com ninguém.
A solução para lidar com o incómodo causado pela exposição a conteúdos negativos passou por ações proativas, como bloquear o contacto da pessoa na origem do incómodo, ou passivas, como simplesmente esperar que o problema desaparecesse por si, ambas opção em 33% dos casos reportados.
"No seu conjunto, estes valores mais do que duplicaram em relação a 2010 e 2014", constata-se, precisando ainda o relatório que "para 29% dos inquiridos o 'bullying' ocorre com bastante ou muita frequência, tanto 'online' como 'offline'", e que "o 'bullying' através de meios tecnológicos predomina sobre o 'bullying' cara a cara".Sobre "bullying", o relatório indica que o fenómeno está em crescimento: "em 2018, 24% das crianças e jovens portugueses reportaram terem sido vítimas de 'bullying' 'offline' e 'online' no último ano".
"Uma em cada seis crianças e jovens que experienciaram 'ciberbullying' (16%) teve de fazer coisas que não queria fazer", adianta o documento, que acrescenta dados sobre a perspetiva do agressor.
"Cerca de 17% reportam ter tido comportamentos de 'bullying' para com rapazes e raparigas no último ano. A percentagem cresce com a idade e é mais elevada entre rapazes do que entre raparigas", lê-se no documento.
A rede europeia "EU Kids Online", que abrange 33 países e se dedica a estudar a segurança na internet para crianças e jovens, é a responsável pelo estudo aplicado em vários países europeus, incluindo Portugal, onde a pesquisa foi coordenada pela professora e investigadora da Universidade Nova de Lisboa Cristina Ponte, que contou com o apoio logístico da Direção-Geral de Educação.
"Aplicado em escolas públicas e privadas, [o inquérito] foi respondido por uma amostra nacional (incluindo Madeira e Açores) composta por 1.974 rapazes e raparigas de 9 a 17 anos, em regime de autopreenchimento em salas equipadas com meios digitais (preenchimento assistido por computador, CAPI)", explica a nota metodológica, referindo que as questões obrigatórias do inquérito foram aplicadas a toda a amostra, mas as que constituíam os dois módulos opcionais inquiridos em Portugal - Cidadania Digital e Internet das Coisas - apenas foram respondidas pelos maiores de 11 anos.
"As 1.974 crianças e jovens (9-17 anos) que responderam a este questionário distribuem-se igualmente por género e o grupo etário dos 13-17 anos constitui 62% da amostra", refere o relatório sobre o inquérito aplicado no primeiro semestre de 2018 nas escolas.